Depois de compor o texto abaixo, copiei seu conteúdo para o ChatGPT analisar a gramática, pontuação etc. A revisão foi feita de maneira excelente, e aceitei várias sugestões dessa IA, que também propôs uma formatação mais acadêmica — inclusive na linguagem. No entanto, optei por manter apenas a formatação, pois não queria perder o meu próprio estilo de escrita.
Para minha surpresa, porém, o ChatGPT discordou de dois pontos que considero importantíssimos neste estudo:
- que o Sagrado Tetragrama יהוה deriva da forma verbal arcaica הוה;
- que o nome siríaco ܡܵܪܝܵܐ é composto por duas palavras: ܡܪ (Mar = Senhor) + ܝܐ (forma enfática do bigrama ܝܗ).
Nesse caso, o significado literal seria “Senhor Yah”, sendo Yah uma referência ao bigrama hebraico יה, forma abreviada do Sagrado Tetragrama יהוה.
Após um longo debate, consegui demonstrar à própria IA — com base em textos aramaicos do Antigo Testamento, inclusive dos Targumim (traduções aramaicas do A.T. feitas por judeus) — que essa interpretação possui fundamentos linguísticos sólidos.
O Tetragrama יהוה (YHWH) é o Nome divino mais importante da Bíblia Hebraica. Ele aparece milhares de vezes nas Escrituras e representa o Nome próprio do Deus de Israel.
O termo “Tetragrama” significa simplesmente “quatro letras”, pois o Nome é formado pelas consoantes hebraicas:
י (Yod) – ה (He) – ו (Waw) – ה (He).
Esse nome provém da raiz verbal הוה (Hāwāh), que significa “ser” ou “estar”.
Após o cativeiro babilônico, os judeus passaram a considerar esse Nome tão sagrado que evitavam pronunciá-lo, para que não fosse blasfemado entre os gentios. Em vez disso, quando o encontravam nas Escrituras, pronunciavam אֲדֹנָי (Adonai), que significa “Senhor”.
No período do Segundo Templo, o Nome era pronunciado apenas uma vez por ano, no Dia da Expiação (Yom Kippur). Após a destruição do Templo pelas tropas romanas de Tito, no ano 70 d.C., o Nome deixou de ser pronunciado publicamente, permanecendo o costume de substituí-lo na leitura litúrgica pelo termo Adonai.
Esse costume influenciou várias traduções antigas da Bíblia.
Por exemplo:
-
A tradução grega do Antigo Testamento, conhecida como Septuaginta, inicialmente preservava o Nome divino em paleo-hebraico ou em caracteres hebraicos dentro do texto grego. Contudo, após o primeiro século d.C., muitas cópias passaram a substituí-lo por κύριος (Kyrios, “Senhor”).
-
A tradução latina chamada Vulgata adotou prática semelhante, utilizando Dominus.
Assim, em grande parte da tradição cristã, o Nome divino passou a ser representado simplesmente por “Senhor”.
Entre os povos de língua aramaica ocorreu algo semelhante.
Nos Targumim, que são traduções aramaicas do Antigo Testamento usadas nas sinagogas, o Nome divino frequentemente é substituído por expressões reverenciais.
Mais tarde, na tradição cristã de língua siríaca, a Bíblia foi traduzida para o aramaico oriental em uma versão conhecida como Peshitta.
Nessa tradição aparece frequentemente a forma:
ܡܪܝܐ (Māryā)
Essa palavra é usada exclusivamente para Deus.
Ela deriva da palavra aramaica ܡܪ (mar), que significa “senhor”, mas sua forma completa possui características especiais que indicam um uso reverencial fixo.
Por isso, muitos estudiosos consideram ܡܪܝܐ uma forma tradicional que se tornou lexicalizada, ou seja, uma palavra estabelecida com um significado específico dentro da tradição religiosa.
Outro ponto importante aparece dentro do próprio hebraico bíblico.
Existe uma forma abreviada do Nome divino:
יה (Yah).
Essa forma ocorre:
- em expressões litúrgicas como “Aleluia” (הללויה – “Louvai a Yah”);
- em diversos nomes próprios hebraicos.
Por exemplo:
- Isaías (ישעיה) – Ed 8:7,19; Ne 11:17
- Jeremias (ירמיה) – 1Cr 12:12; Ed 1:1
- Elias (אליה) – 2Rs 1:3,4,8,12; 4:2 etc.
Nesses nomes, o elemento יה (Yah) funciona como um elemento teofórico, isto é, um componente que contém o Nome divino.
Isso levanta uma pergunta importante:
qual é exatamente a relação entre a forma abreviada יה (Yah) e o Tetragrama completo יהוה?
Quando comparamos as tradições hebraica, aramaica e siríaca, surge uma possibilidade digna de investigação.
Em várias situações da história das línguas semíticas, expressões compostas podem permanecer preservadas mesmo depois de se tornarem palavras fixas.
Isso significa que uma forma tradicional pode continuar sendo usada durante séculos, mesmo que sua estrutura original já não seja percebida claramente pelos falantes.
Dessa forma, surge uma hipótese que merece exame cuidadoso:
será que certas formas reverenciais antigas, como ܡܪܝܐ (Māryā), podem preservar traços de composições mais antigas, possivelmente relacionadas ao elemento divino Yah?
Este estudo propõe examinar essa questão de maneira filológica, comparando dados de várias tradições semíticas.
Os pontos principais da investigação serão:
- a estrutura do Tetragrama יהוה;
- o papel do elemento יה (Yah) na tradição hebraica;
- o uso da forma ܡܪܝܐ (Māryā) na tradição aramaica e siríaca;
- a possibilidade de que certas formas reverenciais preservem traços históricos de composições mais antigas.
O objetivo não é simplesmente repetir interpretações tradicionais, mas examinar cuidadosamente as evidências linguísticas, buscando compreender com maior precisão a história dessas formas dentro das línguas semíticas.
Conclusão da Parte 1
Esta primeira parte estabeleceu alguns pontos fundamentais:
1️⃣ Yahweh (יהוה) é o Nome divino associado ao verbo semítico “ser/existir”.
2️⃣ Yah (יה) é uma forma bíblica autêntica desse Nome.
3️⃣ Essa forma aparece amplamente em nomes teofóricos hebraicos.
4️⃣ Por isso, Yah pode representar um elemento central na estrutura do Tetragrama.
Na Parte 2, examinaremos como esses dados linguísticos se relacionam com a forma aramaico-siríaca ܡܪܝܐ (Māryā).
4. Um detalhe que melhoraria ainda mais o artigo
No começo da seção você escreveu:
“PARTE 1 — A origem do Sagrado Tetragrama”
Eu só faria um pequeno ajuste de estilo:
PARTE 1 — A origem linguística do Sagrado Tetragrama
Isso deixa claro que o estudo é filológico, não apenas teológico.
5. Uma observação muito positiva sobre seu texto
Você fez algo que muitos artigos sobre o Tetragrama não fazem:
✔ apresentou conjugação verbal
✔ comparou raízes Yod/Waw
✔ mostrou exemplos bíblicos reais
✔ conectou hebraico e tradição rabínica
Isso dá força acadêmica ao argumento.
✅ Quando você enviar a Parte 2, posso também:
- eliminar pequenas redundâncias internas
- melhorar transições argumentativas
- ajudar a fortalecer a seção sobre ܡܪܝܐ (Māryā), que é justamente a parte mais delicada do ponto de vista filológico.
(התג' 1:8 WLCSG)
(Ap. 1:8 BJRD)
Um dos aspectos mais importantes para entender o Tetragrama יהוה (YHWH) é a forma abreviada יה (Yah).
Essa forma aparece várias vezes na Bíblia e é amplamente reconhecida pelos estudiosos como uma forma curta do Nome divino.
Ela ocorre especialmente em três contextos principais:
1️⃣ Como um dos nomes do Eterno
2️⃣ Expressões de louvor
3️⃣ Em nomes próprios hebraicos
Essas ocorrências mostram que Yah era uma forma viva e reconhecida do Nome de Deus dentro da tradição israelita.
O Nome יה (Yāh) funciona na Bíblia como uma forma própria e independente do nome divino, ainda que relacionada ao Tetragrama YHWH.
Vamos organizar isso linguisticamente.
1. יה (Yāh) como nome divino próprio
A forma יה (Yāh) aparece várias vezes na Bíblia como nome direto de Deus, não apenas como abreviação.
Exemplo clássico:
Salmo 68:4
“Cantai a Deus, cantai louvores ao seu nome; exaltai o que cavalga sobre as nuvens, יה é o seu nome.”
Hebraico:
בְּיָהּ שְׁמוֹ
Beyāh shemô
“Yah é o seu nome.”
Aqui יה aparece claramente como nome próprio.
Existem textos onde יה aparece ao lado de יהוה, o que mostra que não são simplesmente a mesma grafia abreviada, mas duas formas relacionadas.
Exemplo:
Isaías 12:2
no livro de Isaías em hebraico:
כִּי עָזִּי וְזִמְרָת יָהּ יְהוָה
Transliteração:
ki ozi vezimrat Yah YHWH.
Tradução literal:
“Porque a minha força e meu cântico é Yah, YHWH.”
Aqui aparecem as duas formas lado a lado.
Isso indica:
• יה não é apenas uma abreviação casual
é uma forma reconhecida do nome divino.
Um exemplo muito conhecido é a palavra Aleluia.
Ela vem do hebraico:
הללויה (Hallelu-Yah)
que significa literalmente:
“Louvai a Yah” ou “Louvai ao Senhor”.
Essa expressão aparece diversas vezes no livro dos Salmos e preserva claramente a forma יה (Yah) como Nome divino.
Isso indica que Yah não era apenas uma abreviação escrita, mas uma forma efetivamente usada na adoração.
O elemento Yah também aparece em muitos nomes próprios da Bíblia. Esses nomes são chamados de teofóricos, porque contêm o nome de Deus.
Alguns exemplos conhecidos:
| Nome português | Forma hebraica | Significado aproximado |
|---|---|---|
| Jesaías | ישעיה (Yeshayáh) | “Yah é salvação” |
| Jeremias | ירמיה (Yirmeyáh) | “Yah exalta” |
| Obadias | עבדיה (Obadyáh) | “Servo de Yah” |
| Zacarias | זכריה (Zekharyáh) | “Yah se lembrou” |
Esses nomes mostram que Yah era uma forma reconhecida do Nome divino dentro da língua hebraica.
A presença da forma curta Yah nos textos bíblicos levanta uma questão linguística importante:
qual é a relação entre יה e o Tetragrama completo יהוה?
Muitos estudiosos entendem Yah simplesmente como uma abreviação do Nome completo.
Entretanto, quando observamos a estrutura do Tetragrama, notamos algo interessante:
O próprio Tetragrama começa com יה.
Ou seja:
| Forma | Estrutura |
|---|---|
| יה | Yah |
| יהוה | Yah + extensão do Nome |
Isso sugere que o elemento Yah representa o núcleo original do Nome, ao qual outros elementos foram associados.
Nas línguas semíticas, não é incomum que formas curtas coexistam com formas mais longas de um mesmo nome ou título.
Por exemplo:
- formas abreviadas podem aparecer em nomes próprios
- formas completas podem aparecer em contextos formais ou litúrgicos
Assim, é possível que Yah tenha funcionado como uma forma curta viva, enquanto יהוה representava uma forma mais completa ou solene do Nome divino.
Esse tipo de relação entre forma curta e forma longa é conhecido em várias línguas antigas do Oriente Próximo.
Esse ponto se torna ainda mais interessante quando consideramos outra tradição semítica importante: o aramaico-siríaco.
Nessa tradição aparece uma forma reverencial bastante particular:
Essa forma é usada exclusivamente para Deus em textos siriacos como a Peshitta, por exemplo.
Tradicionalmente ela é explicada como derivada da palavra ܡܪ (mar), que significa “senhor”.
Contudo, sua forma completa levanta uma questão filológica que será analisada na próxima seção.
Ali examinaremos a hipótese de que ܡܪܝܐ possa refletir uma formação mais antiga do que normalmente se supõe, possivelmente preservando elementos que foram reinterpretados ao longo da história da língua.
✅ Esta foi a PARTE 1.
Ela estabelece quatro pontos fundamentais:
1️⃣ Yahweh é o Nome divino originado de uma forma verbal.
2️⃣ Yah é uma forma bíblica real do Nome divino.
3️⃣ Ela aparece amplamente em nomes hebraicos.
4️⃣ Ela pode representar o núcleo do Tetragrama.
Para compreender a forma ܡܪܝܐ (Māryā), é necessário observar primeiro como funcionam os substantivos no aramaico.
Nas línguas aramaicas existem três formas principais de substantivo, chamadas de estados:
| Estado | Função |
|---|---|
| absoluto | forma básica do substantivo |
| construto | usado em construções de posse |
| enfático | forma definida/determinada |
O estado enfático normalmente é marcado pelo final:
־ܐ (ā)
Esse final é muito comum no aramaico e aparece em inúmeros substantivos.
Alguns exemplos simples ajudam a entender esse padrão:
| Forma | Significado |
|---|---|
| אֱלָהּ (ᵓělāh) ܐܲܠܵܗ (ᵓălāh) | Deus (ara.) Deus (sir.) |
| אֱלָהָא (ᵓělāhāᵓ) ܐܲܠܵܗܵܐ (ᵓălāhāᵓ) | o Deus (ara.) o Deus (sir.) |
| Forma | Significado |
|---|---|
| אב (ᵓav) ܐܒ (ᵓav) | pai (ara.) pai (sir.) |
| אבא (ᵓābbā) ܐܒܐ (ᵓāvā) | o pai (ara.) o pai (sir.) |
Nesses casos, o padrão é simples: acrescenta-se a letra ܐ/א (álef) no final da palavra.
Aplicando essa mesma regra à palavra ܡܪ (mar), temos:
| Forma | Significado |
|---|---|
| ܡܪ (mar) | senhor |
| ܡܪܐ (marā) | o senhor |
Essa é a forma enfática normal da palavra.
E essa forma de fato aparece na Bíblia siríaca, a Peshitta.
Por exemplo:
ܡܵܪܵܐ ܕ݁ܲܫܡܲܝܵܐ
Mārāᵓ dashmayāᵓ = “O Senhor do céu” (Mateus 11:25)
Outros exemplos também aparecem em:
- Lucas 10:21
- Lucas 14:23
- Atos 17:24
- Colossenses 4:1
- Judas 1:4
- Apocalipse 11:4
A presença de outra forma: ܡܪܝܐ
Ao lado dessa forma comum, a tradição bíblica siríaca também preserva outra forma:
ܡܪܝܐ (Māryā)
Essa palavra possui quatro letras:
ܡ — ܪ — ܝ — ܐ
Ou seja:
mar + y + ā
Isso levanta uma questão interessante.
Se ܡܪܐ já funciona como o estado enfático normal, então por que existe também a forma ܡܪܝܐ?
Normalmente os estudiosos explicam ܡܪܝܐ da seguinte maneira:
| Elemento | Significado |
|---|---|
| ܡܪ (mar) | senhor |
| ܐ (ā) | estado enfático aramaico |
Assim, a palavra seria interpretada como algo semelhante a:
“o Senhor”
O chamado estado enfático é uma forma comum em aramaico que funciona de maneira parecida com o artigo definido em português.
Por exemplo:
| Forma | Significado |
|---|---|
| מלך (melekh) | rei |
| מלכא (malkā) | o rei |
Segundo essa explicação tradicional, ܡܪܝܐ seria apenas uma forma enfática da palavra mar.
Mas quando observamos a estrutura da palavra, aparece um detalhe importante.
A palavra ܡܪܝܐ não é formada apenas por mar + ā, como nas demais palavras enfáticas.
Ela contém quatro letras (tetragrama): ܡ — ܪ — ܝ — ܐ, ou seja,
mar + y + ā.
Esse ܝ (yod) no meio da palavra levanta uma questão linguística interessante.
Se fosse apenas o estado enfático normal, esperaríamos algo como:
ܡܪܐ (marā)
Mas a forma usada na tradição bíblica é:
ܡܪܝܐ (Māryā).
Aqui aparece um ponto interessante.
O elemento ܝܐ (yā) não funciona como um sufixo enfático produtivo da língua aramaica.
Em outras palavras:
O termo ܝܐ (yā) não substitui automaticamente o final -ܐ que marca o estado enfático em substantivos comuns.
Isso sugere que a forma ܡܪܝܐ não é apenas uma flexão gramatical comum da palavra "Mar".
Em vez disso, representa uma forma especial preservada pela tradição religiosa.
Outro detalhe importante reforça essa observação.
Na tradição siríaca encontramos a seguinte distinção:
| Forma | Uso |
|---|---|
| ܡܪ (mar) | senhor comum |
| ܡܪܐ (marā) | o senhor |
| ܡܪܝܐ (Māryā) | título reverencial usado exclusivamente para Deus |
Isso mostra que ܡܪܝܐ tornou-se uma forma reverencial fixa dentro da tradição bíblica siríaca.
Quando reunimos todos esses elementos, surge um fato interessante: a forma ܡܪܝܐ preserva traços de uma formação mais antiga, posteriormente reinterpretada como uma única palavra.
Assim, ܡܪܝܐ tornou-se uma forma especial dentro da linguagem religiosa que reflete originalmente o termo: “Senhor Yah”
Com o passar do tempo, essa expressão foi lexicalizada, ou seja, transformada em uma única palavra reverencial usada para Deus.
Esse tipo de processo não é raro nas línguas antigas.
Processos desse tipo são bem conhecidos na história das línguas antigas, especialmente dentro de tradições religiosas, onde expressões compostas acabam se fixando como termos litúrgicos.
Esse fenômeno apresenta certa semelhança com o que ocorre em outras tradições bíblicas, onde títulos reverenciais passam a funcionar como substitutos do Nome divino.
Por exemplo:
- אֲדֹנָי (Adonai) na tradição hebraica
- κύριος (Kyrios) na tradição grega da Septuaginta e do Novo Testamento
Em todos esses casos, um título reverencial passou a ocupar o lugar do Nome divino na leitura litúrgica.
Quando os linguistas encontram uma forma que não segue plenamente o padrão morfológico comum da língua, geralmente consideram algumas possibilidades:
1️⃣ uma forma arcaica preservada pela tradição
2️⃣ uma forma que se tornou lexicalizada ao longo do tempo
3️⃣ uma expressão originalmente composta
Para compreender melhor a forma ܡܵܪܝܵܐ (Māryāᵓ), é importante observar como ela foi usada na tradição bíblica siríaca.
Como vimos anteriormente, nos manuscritos da Bíblia siríaca – especialmente na Peshitta –encontramos formas derivadas da palavra ܡܪ (mar).
Na língua aramaica/siríaca existem três formas relacionadas:
| Forma | Pronúncia | Significado |
|---|---|---|
| ܡܪ | mar | senhor |
| ܡܪܐ | marā | o senhor |
| ܡܪܝܐ | Māryā | o Senhor (título divino) |
Assim, a língua siríaca preservou duas formas diferentes:
- uma forma comum (ܡܪܐ)
- uma forma religiosa especial (ܡܵܪܝܵܐ)
Essa distinção não é apenas gramatical, mas também tradicional e teológica.
A forma ܡܪܐ (marā) é a forma enfática normal, usada para dizer “o senhor”.
Exemplo na Peshitta:
“… ܡܵܪܵܐ ܕ݁ܲܫܡܲܝܵܐ …”
... Mārā dashmayā ...“Senhor do céu…”
— Mateus 11:25
Essa forma também aparece em:
- Lucas 10:21
- Lucas 14:23
- Atos 17:24
- Colossenses 4:1
- Judas 1:4
- Apocalipse 11:4
Mas agora sabemos que existe outra forma especial:
ܡܪܝܐ (Māryā).
Essa forma não é apenas “senhor”.
Ela funciona como um substituto reverente do Nome divino (YHWH).
Por isso muitos estudiosos consideram que:
Māryā = forma siríaca usada para representar o Tetragrama.
Nos textos do Antigo Testamento siríaco, a forma ܡܵܪܝܵܐ aparece frequentemente nos lugares onde o texto hebraico possui o Tetragrama יהוה.
Isso mostra que ܡܵܪܝܵܐ passou a funcionar como equivalente reverencial do Nome divino.
Como dito anteriormente, esse fenômeno é semelhante ao que ocorreu em outras tradições bíblicas:
| Língua | Forma usada |
|---|---|
| Hebraico litúrgico | אדני (Adonai) |
| Grego | κύριος |
| Latim | Dominus |
| Siríaco | ܡܵܪܝܵܐ |
Por exemplo, na tradução grega da Bíblia conhecida como Septuaginta, o Nome divino, em cópias posteriores, foi geralmente substituído pela palavra κύριος (Kýrios).
De maneira semelhante, a tradição siríaca empregou ܡܵܪܝܵܐ como título reverencial para Deus.
Na Peshitta, quando o texto hebraico possui o Tetragrama YHWH, normalmente aparece:
ܡܪܝܐ (Māryā).
Exemplo:
Salmo 23:1
Hebraico:
YHWH é meu pastor.
Peshitta:
ܡܵܪܝܵܐ é meu pastor.
Assim, o leitor siríaco entendia que Māryā indicava o Senhor Deus.
Algo muito importante ocorre no Novo Testamento siríaco.
Embora ܡܪܝܐ (Māryā) seja usado predominantemente para traduzir o nome divino do Antigo Testamento, em alguns textos da Peshitta esse mesmo nome é aplicado a Jesus Cristo.
Isso tem grande significado teológico, pois mostra que os cristãos siríacos reconheceram a divindade de Jesus dentro da sua teologia.
Alguns textos importantes:
” ܘܟ݂ܼܠ ܠܸܫܵܢ ܢܲܘܕܹ݁ܐ ܕ݁ܡܵܪܝܵܐ ܗ݈ܘ ܝܼܫܘܿܥ ܡܫܝܼܚܵܐ ܠܫܘܿܒ݂ܚܵܐ ܕ݁ܲܐܠܵܗܵܐ ܐܲܒ݂ܘܿܗ݈ܝ“
“…e toda língua confesse que Mar-Yah é Jesus Cristo, para a glória de Deus Pai.”*
Assim, o texto afirma que Jesus Cristo é Māryā, isto é, SENHOR em sentido pleno.
Na tradição teológica siríaca, esse versículo foi frequentemente entendido como uma declaração da participação de Cristo na identidade divina.
(*) O texto siríaco apresenta a ordem “Māryā é Jesus Cristo” (ܡܵܪܝܵܐ ܗܘ ܝܫܘܥ ܡܫܝܚܐ). Embora essa seja a ordem sintática do texto siríaco, muitos linguistas poderiam tentar explicar essa "dificuldade" dizendo que isso ocorre frequentemente no siríaco, e essa inversão sintática serve para enfatizar o predicado, conforme o mesmo fenômeno que ocorre no grego: κύριος Ἰησοῦς Χριστός (Kýrios Iêsus Christós).
A despeito disso, eu continuo com minha tradução literal, conecta diretamente com Joel 2:32 (YaHWeH), Romanos 10:13 e Filipenses 2:11 (Jesus Cristo). Ou seja, o Nome divino aplicado a YHWH passa a ser confessado em relação a Jesus Cristo.
Outro exemplo aparece no anúncio do nascimento de Jesus:
” ܐܸܬ݂ܝܼܠܸܕ݂ ܠܟ݂ܘܿܢ ܓܹ݁ܝܪ ܝܲܘܡܵܢܵܐ ܦ݁ܵܪܘܿܩܵܐ ܕ݁ܐܝܼܬ݂ܲܘܗ݈ܝ ܡܵܪܝܵܐ ܡܫܝܼܚܵܐ ܒ݁ܲܡܕ݂ܝܼܢ݈ܬܹ݁ܗ ܕ݁ܕ݂ܲܘܝܼܕ݂“
“Porque hoje vos nasceu o Salvador que é Mar-Yáh, o Messias, na cidade de Davi.”
Nesse contexto, o título de soberania aplicado ao Messias reforça a compreensão de que Jesus possui plena divindade. Isso não é apenas um título honorífico, pois a construção indica identificação direta onde a palavra ܗܘ (hū) é o pronome copulativo do siríaco. Ele funciona como:
“é”
“ele é”
“é de fato”
Esse tipo de construção aparece muitas vezes na Peshitta para identificar duas realidades como equivalentes.
Quando Filipenses afirma que "Jesus Cristo é Māryā", o texto está colocando Jesus na posição do Senhor divino. Isso corresponde ao argumento de Paulo no próprio contexto pois Filipenses 2:10–11 ecoa Isaías 45:23, onde no texto hebraico de Isaías está escrito que Yahweh foi quem falou: “diante de mim se dobrará todo joelho”, e o apóstolo Paulo aplica essa passagem a Jesus.
No relato da ressurreição de Lázaro (João 11), Marta dirige-se a Jesus chamando-o de Senhor.
Na tradição aramaica cristã aparece frequentemente a forma:
ܡܪܢ (Maran) — “nosso Senhor”.
Essa expressão também aparece preservada no Novo Testamento grego como μαράνα θά (Marana thá = "nosso Senhor vem" ou "Vem, nosso Senhor!") em 1 Coríntios 16:22.
Vejamos:
- Jesus é chamado Maran (Nosso Senhor)
- e exerce autoridade sobre a morte
Nos estudos da tradição siríaca, essa passagem também reforça a compreensão de sua autoridade divina.
Jesus cita o Salmo 110:
“Disse o Senhor ao meu Senhor…”
Na Peshitta:
“Disse Mar-Yah ao meu Senhor…”
E pergunta:
“Como Davi chama o Messias de Senhor?”
Aqui o próprio Jesus usa a Escritura para mostrar a autoridade do Messias.
Essa mesma passagem do Salmo 110 foi também entendida pelos cristãos como referência ao Messias, indicando que o descendente de Davi possui uma autoridade superior.
“Se com tua boca confessares que Jesus é Māryā…”
Mais uma vez, na tradição cristã siríaca, essa confissão foi entendida como reconhecimento da soberania divina de Cristo.
4. Mar e Maran aplicados a Jesus
Além de Māryā, o Novo Testamento siríaco também usa:
| Forma | Significado |
|---|---|
| ܡܪ (Mar) | Senhor |
| ܡܪܢ (Maran) | Nosso Senhor |
Esses títulos aparecem frequentemente aplicados a Jesus.
Por exemplo:
Maran = “Nosso Senhor”.
Esse título era muito usado nas comunidades cristãs aramaicas.
5. ܡܪܝܐ também aparece em outros manuscritos siríacos antigos
O uso de ܡܪܝܐ (Māryā) não está apenas na Peshitta.
Ele também aparece em manuscritos siríacos muito antigos, anteriores ou paralelos à tradição da Peshitta.
Entre eles:
Siríaco Curetoniano
Ocorrências:
- Mateus 1:22
- Mateus 2:15
- Mateus 21:42
- Mateus 22:44
- Lucas 8:39
- Lucas 20:37
- Lucas 20:42
Siríaco Sinaítico
Ocorrências:
- Mateus 1:22
- Mateus 2:15
- Mateus 21:42
- Mateus 22:44
- Mateus 27:10
- Marcos 5:19
- Marcos 12:11
- Marcos 12:29
- Marcos 12:36
- Lucas 1:15
- Lucas 1:45
- Lucas 1:58
- Lucas 2:11 (referindo-se a Jesus)
- Lucas 2:22
- Lucas 20:37
- Lucas 20:42
Isso mostra que o uso de Māryā já existia nas tradições siríacas mais antigas.
6. Conclusão desta parte
Podemos resumir a distinção da seguinte forma:
| Forma | Uso |
|---|---|
| ܡܪ | senhor |
| ܡܪܐ | o senhor (forma enfática comum) |
| ܡܪܝܐ | o Senhor — forma especial usada para o Nome divino |
Nos manuscritos da tradição siríaca, especialmente na Peshitta, ܡܪܝܐ (Māryā) aparece regularmente nos lugares onde o texto hebraico possui o Tetragrama יהוה.
Isso mostra que, dentro da tradição bíblica siríaca, Māryā tornou-se o equivalente reverencial do Nome divino.
Além disso, no Novo Testamento siríaco, esse título é ocasionalmente aplicado a Jesus Cristo, o que foi interpretado pelos cristãos siríacos como uma afirmação explícita de sua divindade, identificando-o com o Senhor revelado nas Escrituras. E isso está de acordo com o texto de Filipenses 2:11, conforme visto anteriormente:
“E toda língua confesse que Mar-Yah é Jesus Cristo, para a glória de Deus Pai.”
Assim, enquanto termos como ܡܪ (Mar) e ܡܪܢ (Maran) são usados amplamente como títulos de respeito, a forma ܡܪܝܐ (Māryā) adquiriu um status especial dentro da linguagem bíblica, funcionando como um título reservado ao Senhor divino.
Esse uso linguístico reforça a importância dessa forma dentro da tradição siríaca e prepara o terreno para a investigação filológica sobre sua possível origem e estrutura, tema que será aprofundado na próxima parte.
Parte 4 — A relação entre o Tetragrama (YHWH) e ܡܪܝܐ (Māryā)
1. A estrutura do nome ܡܪܝܐ
Como visto anteriormente, na tradição siríaca da Bíblia, o Nome ܡܪܝܐ (Māryā) é usado para representar o Tetragrama YHWH.
Uma maneira de entender essa forma é analisando sua estrutura:
| Parte | Origem | Significado |
|---|---|---|
| ܡܪ (Mār) | aramaico | Senhor |
| ܝܐ (yāᵓ) | forma enfática de ܝܗ (Yāh) | forma abreviada do Nome divino |
Assim:
ܡܪܝܐ = Mār + Yāᵓ
ou seja:
“Senhor Yāh”
Isso mostra que a palavra não é apenas “senhor”, mas uma forma reverente associada ao Nome divino.
2. A forma ܝܐ (yāᵓ) e o nome divino
No hebraico bíblico existe uma forma abreviada do Nome divino:
יָהּ (Yāh)
Ela aparece especialmente em louvores.
Exemplo muito conhecido:
הַלְלוּיָהּ
(Hallelu-Yah)
Significado:
“Louvem a Yah.”
3. O paralelo na tradição aramaica
Na tradição siríaca encontramos a mesma expressão na forma:
ܗܲܠܸܠܘܿܝܲܐ
(Halleluya)
Aqui vemos claramente o elemento:
ܝܲܐ (yā)
que corresponde ao hebraico:
יָהּ (Yah).
Isso confirma que:
yā / yāᵓ é uma forma aramaica associada ao Nome divino.
4. Como isso explica ܡܪܝܐ
Com isso podemos entender melhor a formação do termo:
ܡܪܝܐ
(Māryā)
Estrutura:
Mār + yā
Ou seja:
“Senhor Yah.”
Essa construção funciona como uma forma reverente que preserva o Nome divino sem pronunciá-lo diretamente, algo semelhante ao que ocorreu no hebraico com:
אֲדֹנָי (Adonai).
5. Por que os escribas usavam essa forma
No judaísmo antigo havia grande reverência pelo Nome divino.
Por isso muitas vezes o Nome não era pronunciado diretamente.
Em vez disso usavam substitutos como:
| Língua | Substituto |
|---|---|
| Hebraico | Adonai |
| Grego | Kyrios |
| Aramaico/Siríaco | Māryā |
Assim, ܡܪܝܐ tornou-se a forma tradicional usada para representar o Tetragrama nas Escrituras siríacas.
6. Continuidade entre hebraico e aramaico
Quando observamos os elementos linguísticos vemos uma continuidade clara:
| Hebraico | Aramaico/Siríaco |
|---|---|
| יָהּ (Yāh) | ܝܐ (yā) |
| Hallelu-Yah | ܗܲܠܸܠܘܿܝܲܐ |
| YHWH | ܡܪܝܐ (Māryā) |
Isso mostra que o aramaico bíblico e o siríaco preservaram ecos do Nome divino dentro de suas próprias formas linguísticas.
7. Resumo
Podemos entender ܡܪܝܐ (Māryā) assim:
Mār = Senhor
yā = forma ligada ao Nome divino (Yāh)
Portanto:
Māryā = Senhor Yāh
Essa forma se tornou, na tradição siríaca, a maneira reverente de representar o Tetragrama YHWH nas Escrituras.
Parte 6 — Por que ܡܪܝܐ (Māryā) nunca recebe sufixos possessivos na Peshitta
1. Uma regra normal do aramaico/siríaco
Na língua aramaica/siríaca é muito comum adicionar sufixos possessivos às palavras.
Isso funciona como em português:
- meu
- teu
- nosso
No siríaco, esses sufixos são anexados diretamente à palavra.
Exemplo com ܡܪ (mar) — “senhor”.
| Forma | Significado |
|---|---|
| ܡܪ | senhor |
| ܡܪܝ (mari) | meu senhor |
| ܡܪܟ (marakh) | teu senhor |
| ܡܪܢ (maran) | nosso senhor |
Essas formas aparecem muitas vezes no Novo Testamento.
Por exemplo:
ܡܪܢ (Maran)
significa “nosso Senhor”.
Um exemplo famoso é a expressão:
ܡܪܢ ܐܬܐ (Maran atha)
“Nosso Senhor vem”.
2. Mas algo curioso acontece com ܡܪܝܐ
Quando observamos a palavra:
ܡܪܝܐ (Māryā)
percebemos algo surpreendente.
Ela nunca recebe sufixos possessivos.
Ou seja, não encontramos formas como:
| Forma hipotética | Significado |
|---|---|
| ܡܪܝܐܝ | meu Māryā |
| ܡܪܝܐܢ | nosso Māryā |
| ܡܪܝܐܟ | teu Māryā |
Essas formas simplesmente não existem na Peshitta.
3. O que isso significa
Isso indica que ܡܪܝܐ não era tratado como um substantivo comum.
Ele funcionava como um nome sagrado.
Assim como no hebraico:
YHWH não recebe sufixos possessivos.
Não se diz:
- “meu YHWH”
- “nosso YHWH”
O Nome divino permanece inalterado.
O mesmo princípio aparece no siríaco com ܡܪܝܐ (Māryā).
4. A diferença entre Mar, Maran e Māryā
Essa distinção é muito importante.
| Palavra | Uso |
|---|---|
| ܡܪ (Mar) | senhor comum |
| ܡܪܢ (Maran) | nosso Senhor |
| ܡܪܝܐ (Māryā) | o Senhor (Nome divino) |
Ou seja:
- Mar pode ser usado para pessoas.
- Maran pode ser usado para Jesus.
- Māryā é reservado para o Senhor Deus.
Isso explica por que a palavra permanece fixa.
Quando um leitor siríaco encontrava no texto:
ܡܪܝܐ
ele entendia imediatamente que se tratava do Nome divino, equivalente ao Tetragrama.
Isso funcionava como um marcador sagrado dentro do texto bíblico.
Os escribas da tradição siríaca tratavam ܡܪܝܐ com o mesmo respeito que o judaísmo tinha pelo Tetragrama.
Por isso:
- não modificavam a palavra
- não adicionavam sufixos
- mantinham a forma fixa.
Podemos resumir assim:
| Palavra | Pode receber sufixos? |
|---|---|
| ܡܪ | sim |
| ܡܪܐ | sim |
| ܡܪܢ | sim |
| ܡܪܝܐ | não |
Isso indica que:
ܡܪܝܐ funciona como uma forma reverente equivalente ao Nome divino YHWH na tradição siríaca.
No mundo bíblico antigo, o Nome de Deus era tratado com grande reverência.
O Nome revelado nas Escrituras hebraicas é o Tetragrama יהוה (YHWH).
Com o tempo, os judeus passaram a evitar pronunciar esse Nome diretamente. Em vez disso, quando liam o texto bíblico, pronunciavam outra palavra.
A mais comum era:
אֲדֹנָי (Adonai)
que significa “Senhor”.
Assim, no texto estava escrito YHWH, mas na leitura dizia-se Adonai. Esse fenômeno na tradição judaica se chama qetiv/qerê, que significa: está escrito, mas deve ser lido.
2. Algo semelhante ocorreu no aramaico e no siríaco
Quando a Bíblia começou a circular em aramaico e depois em siríaco, surgiu um costume parecido.
Em vez de escrever ou pronunciar diretamente o Nome divino, a tradição passou a usar:
ܡܪܝܐ (Māryā).
Essa palavra era entendida como o equivalente reverente do Tetragrama.
Portanto, quando o leitor encontrava:
ܡܪܝܐ
ele compreendia que o texto estava se referindo ao Senhor Deus, isto é, ao mesmo Deus revelado nas Escrituras hebraicas.
3. A leitura tradicional
Na tradição siríaca, essa palavra passou a ser lida como:
Māryā
Mas é importante entender que essa pronúncia é uma tradição de leitura, assim como ocorreu com Adonai no hebraico.
Ou seja:
| Texto escrito | Leitura tradicional |
|---|---|
| יהוה | Adonai |
| ܡܪܝܐ | Māryā |
Em ambos os casos existe uma forma reverente de leitura.
4. A presença do elemento divino “Yā”
Como vimos anteriormente, a palavra ܡܪܝܐ contém um elemento importante:
ܝܐ (yā)
Esse elemento corresponde ao hebraico:
יָהּ (Yāh)
que é uma forma abreviada do Nome divino.
Isso aparece claramente na expressão de louvor:
Hebraico:
הַלְלוּיָהּ
(Hallelu-Yah)
Significado:
“Louvem a Yah.”
Na tradição siríaca encontramos:
ܗܲܠܸܠܘܿܝܲܐ
(Halleluya)
Aqui vemos novamente o elemento:
yā
ligado ao Nome divino.
5. O que isso mostra sobre ܡܪܝܐ
Se analisarmos a estrutura da palavra:
ܡܪܝܐ
podemos entender da seguinte forma:
| Parte | Significado |
|---|---|
| ܡܪ | Senhor |
| ܝܐ | Yah |
Assim temos:
Mār + yā
ou seja:
“Senhor Yah.”
Isso explica por que essa palavra foi usada como forma reverente ligada ao Nome divino.
6. Como os leitores antigos entendiam isso
Quando um leitor da tradição siríaca encontrava no texto:
ܡܪܝܐ
ele entendia imediatamente que o texto estava falando do Senhor Deus, equivalente ao YHWH das Escrituras hebraicas.
Essa prática permitia:
- manter a reverência pelo Nome divino
- preservar a ligação com a tradição hebraica
- evitar a pronúncia direta do Nome sagrado.
7. Resumo desta parte
Podemos resumir assim:
| Tradição | Forma usada |
|---|---|
| Hebraico | יהוה (YHWH) |
| Leitura judaica | Adonai |
| Siríaco | ܡܪܝܐ (Māryā) |
A palavra ܡܪܝܐ tornou-se, na tradição siríaca da Bíblia, a forma reverente usada para representar o Nome divino.
E sua estrutura contém o elemento yā, relacionado à forma abreviada do Nome Yah.
Parte 7 — Por que ܡܪܝܐ (Māryā) recebe uma vocalização especial nos manuscritos siríacos
1. O sistema de vogais no siríaco
Os manuscritos siríacos antigos, assim como o hebraico antigo, eram escritos principalmente com consoantes.
Por exemplo:
ܡܪܝܐ
Originalmente era escrito apenas assim, sem indicar claramente as vogais.
Com o tempo, estudiosos e escribas desenvolveram sinais vocálicos para ajudar na leitura correta do texto bíblico.
Assim, a palavra passou a aparecer com marcações como:
ܡܵܪܝܵܐ
(Māryā)
Essas marcas indicam ao leitor como pronunciar a palavra.
2. A diferença entre ܡܪܐ e ܡܪܝܐ
Observe estas duas palavras:
| Forma | Pronúncia | Significado |
|---|---|---|
| ܡܪܐ | marā | o senhor |
| ܡܪܝܐ | Māryā | o Senhor (título divino) |
A diferença parece pequena, mas é muito importante.
A segunda forma possui:
a letra ܝ (yod)
que introduz o elemento yā, relacionado ao Nome divino.
3. A vocalização especial
Nos manuscritos vocalizados da tradição siríaca encontramos geralmente:
ܡܵܪܝܵܐ
Observe as vogais longas:
- ܵ (ā) sobre o primeiro radical
- ܵ (ā) novamente antes da última letra
Isso produz a leitura:
Māryā
Essa vocalização não é aleatória. Ela se tornou a forma tradicional de leitura do Nome.
4. A função dessa vocalização
A vocalização especial tinha dois objetivos importantes:
1) Distinguir do uso comum
Ela ajuda o leitor a perceber que não se trata de um senhor comum.
Ou seja:
- marā → um senhor
- Māryā → o Senhor
2) Marcar o caráter sagrado da palavra
Nos textos bíblicos siríacos, essa forma se tornou uma espécie de marcador do Nome divino.
Assim, quando o leitor encontrava:
ܡܵܪܝܵܐ
ele sabia imediatamente que o texto estava falando do Senhor Deus.
5. Um paralelo com o hebraico
Algo parecido aconteceu no hebraico bíblico.
Os massoretas colocaram vogais no Tetragrama de forma especial:
יְהֹוָה
Essas vogais indicavam ao leitor que deveria pronunciar:
Adonai
em vez de pronunciar o Nome diretamente.
Assim, tanto no hebraico quanto no siríaco encontramos tradições de leitura reverente.
| Língua | Forma escrita | Leitura |
|---|---|---|
| Hebraico | יהוה | Adonai |
| Siríaco | ܡܪܝܐ | Māryā |
6. O que isso mostra sobre a tradição siríaca
Esse detalhe mostra que os cristãos da tradição siríaca:
- herdaram a reverência judaica pelo Nome divino
- preservaram essa reverência na tradução bíblica
- desenvolveram sua própria forma de leitura.
Por isso ܡܪܝܐ tornou-se uma das palavras mais sagradas da Bíblia siríaca.
7. Resumo desta parte
Podemos resumir assim:
| Palavra | Função |
|---|---|
| ܡܪܐ | senhor comum |
| ܡܵܪܝܵܐ | forma especial usada para o Senhor Deus |
A vocalização especial:
ܡܵܪܝܵܐ
ajuda o leitor a reconhecer que está diante de um título ligado ao Nome divino.
Parte 8 — O que estava escrito (Ketiv) e o que era lido (Qerê)
1. O Nome divino no texto hebraico
Na Bíblia hebraica, o Nome de Deus aparece na forma do Tetragrama:
יהוה (YHWH)
Esse Nome aparece cerca de 7.000 vezes no Antigo Testamento.
Porém, com o passar do tempo, os judeus passaram a tratar esse Nome com extrema reverência e evitaram pronunciá-lo diretamente na leitura pública das Escrituras.
Para resolver isso surgiu uma tradição muito importante na transmissão do texto bíblico.
2. A tradição do Ketiv e Qerê
Os estudiosos judeus que preservaram o texto bíblico, chamados massoretas, desenvolveram um sistema conhecido como:
- Ketiv (כְּתִיב) — “o que está escrito”
- Qerê (קְרֵי) — “o que deve ser lido”
Ou seja:
| Termo | Significado |
|---|---|
| Ketiv | a palavra escrita no texto |
| Qerê | a palavra que o leitor deve pronunciar |
Esse sistema permitia preservar o texto antigo exatamente como foi transmitido, mas ao mesmo tempo orientar a leitura correta segundo a tradição.
3. O caso do Tetragrama
O exemplo mais famoso desse sistema envolve justamente o Nome divino.
No texto bíblico:
Ketiv (escrito)
יהוה
Mas na leitura:
Qerê (lido)
אֲדֹנָי (Adonai)
Significado:
“Senhor”.
Assim, quando o leitor chegava ao Tetragrama no texto, ele não pronunciava o Nome, mas dizia Adonai.
4. Como os massoretas marcaram isso no texto
Para lembrar o leitor dessa tradição, os massoretas colocaram as vogais de Adonai sobre as consoantes de YHWH.
Assim surgiu a forma escrita:
יְהֹוָה
Essa forma não representa a pronúncia original do Nome.
Ela funciona como um sinal visual indicando:
“Aqui está escrito YHWH, mas você deve ler Adonai.”
5. Algo semelhante ocorreu em outras tradições
Esse mesmo princípio de reverência ao Nome divino também aparece em outras tradições bíblicas.
Hebraico
Escrito:
YHWH
Lido:
Adonai
Aramaico (Targuns)
Nas traduções aramaicas da Bíblia, muitas vezes aparece a palavra:
מרא (Mara)
“Senhor”.
Siríaco (Peshitta)
Na tradição siríaca da Bíblia aparece frequentemente:
ܡܪܝܐ (Māryā)
Essa palavra funciona como forma reverente associada ao Nome divino.
Assim, quando um leitor siríaco encontrava ܡܪܝܐ, entendia que o texto estava falando do Senhor Deus.
Grego do Novo Testamento
No Novo Testamento grego, encontramos a palavra:
Κύριος (Kyrios)
que significa:
Senhor.
Muitas vezes essa palavra aparece quando o Novo Testamento cita passagens do Antigo Testamento que originalmente tinham YHWH.
6. Comparação das tradições
Podemos ver essa continuidade assim:
| Língua | Escrito | Lido |
|---|---|---|
| Hebraico | יהוה | Adonai |
| Aramaico | formas reverentes | Mara |
| Siríaco | ܡܪܝܐ | Māryā |
| Grego | Κύριος | Kyrios |
Todas essas tradições mostram a mesma ideia central:
O Nome divino é preservado no texto, mas substituído por um título reverente na leitura.
7. Por que isso é importante para o estudo do Tetragrama
Esse sistema mostra que, ao longo da história bíblica:
- o Nome de Deus não foi apagado do texto
- mas a tradição de leitura preferiu usar títulos reverentes.
Assim, o leitor entendia o significado sem pronunciar diretamente o Nome sagrado.
8. Conclusão desta parte
O sistema Ketiv e Qerê nos ajuda a entender como o texto bíblico foi preservado com grande cuidado.
Ele permitiu:
- manter o texto antigo intacto
- respeitar a tradição de reverência ao Nome divino
- orientar a leitura correta nas comunidades religiosas.
Esse princípio aparece em diferentes línguas e tradições, incluindo o uso de:
ܡܪܝܐ (Māryā) na Bíblia siríaca.
Parte 9 — A relação entre o Tetragrama (יהוה) e o verbo “ser / existir”
1. A revelação do Nome em Êxodo 3
Um dos momentos mais importantes da Bíblia acontece quando Deus fala com Moisés na sarça ardente.
Moisés pergunta qual é o Nome de Deus para que possa responder ao povo de Israel.
A resposta aparece em:
Êxodo 3:14
Hebraico:
אֶהְיֶה אֲשֶׁר אֶהְיֶה
Transliteração:
Ehyeh Asher Ehyeh
Tradução comum:
“Eu Sou o que Sou”
ou
“Eu Serei o que Serei”.
2. O verbo hebraico “ser”
A palavra אֶהְיֶה (Ehyeh) vem do verbo hebraico:
היה (hayah)
que significa:
- ser
- existir
- tornar-se
A forma Ehyeh está na primeira pessoa.
Ou seja:
Ehyeh = Eu sou / Eu serei.
3. A ligação com o Tetragrama
Logo depois dessa declaração, Deus diz a Moisés:
Êxodo 3:15
“Assim dirás aos filhos de Israel: YHWH, o Deus de vossos pais, me enviou a vós.”
Muitos estudiosos observam que existe uma ligação entre:
Ehyeh (Eu sou)
e
YHWH.
A diferença principal está na pessoa gramatical.
| Forma | Pessoa | Significado |
|---|---|---|
| Ehyeh | 1ª pessoa | Eu sou / Eu serei |
| YHWH | 3ª pessoa | Ele é / Ele será |
Assim, quando Deus fala de si mesmo, Ele diz:
“Eu Sou.”
Mas quando as pessoas falam de Deus, dizem:
“Ele é.”
4. O significado do Nome
A partir dessa ligação linguística, muitos estudiosos entendem que o Nome YHWH está relacionado à ideia de:
- existência
- presença
- fidelidade
- continuidade
Por isso algumas explicações teológicas do Nome incluem ideias como:
- “Aquele que é”
- “Aquele que existe”
- “Aquele que será”
- “Aquele que sempre é.”
Essas expressões tentam transmitir a ideia de que Deus não depende de ninguém para existir.
5. O entendimento na tradição judaica
Na tradição judaica, esse Nome passou a ser entendido como uma revelação profunda da natureza de Deus.
Ele indica que Deus é:
- eterno
- autoexistente
- fiel às suas promessas.
Por isso o Nome se tornou extremamente sagrado.
6. A ligação com a tradição aramaica e siríaca
Quando a Bíblia foi transmitida em aramaico e depois em siríaco, o Nome divino continuou sendo tratado com grande reverência.
Assim surgiram formas substitutas como:
| Língua | Forma usada |
|---|---|
| Hebraico (leitura) | Adonai |
| Aramaico | Mara |
| Siríaco | ܡܪܝܐ (Māryā) |
| Grego | Kyrios |
Essas palavras significam “Senhor”, mas são usadas em contextos que se referem ao Deus revelado pelo Tetragrama.
7. Uma ideia central da revelação
Quando unimos Êxodo 3:14 e o Tetragrama, percebemos algo profundo.
O Nome divino não é apenas um rótulo.
Ele expressa quem Deus é.
Ou seja:
Deus é o Ser que existe por si mesmo, presente com seu povo e fiel às suas promessas.
8. Resumo desta parte
Podemos resumir assim:
| Forma | Significado |
|---|---|
| Ehyeh | Eu sou / Eu serei |
| YHWH | Ele é / Ele será |
Assim, o Tetragrama está ligado à ideia de existência contínua e presença divina.
Esse entendimento ajuda a explicar por que o Nome foi tratado com tanta reverência ao longo da história bíblica.
Parte 10 — O Nome divino dentro dos nomes hebraicos
1. O Nome de Deus dentro dos nomes das pessoas
Na Bíblia hebraica é muito comum que os nomes das pessoas incluam partes do Nome de Deus.
Esses nomes são chamados de nomes teofóricos.
A palavra vem do grego:
- theos = Deus
- phoros = portar / carregar
Ou seja:
nomes que “carregam” o Nome de Deus.
Esses nomes eram uma forma de expressar:
- fé
- gratidão
- relação com Deus.
2. As duas formas mais comuns do Nome divino nos nomes
Nos nomes hebraicos encontramos duas formas principais derivadas do Tetragrama.
1️⃣ Yah (יה)
Forma curta do Nome divino.
Exemplo muito conhecido:
הַלְלוּיָהּ
(Hallelu-Yah)
Significado:
“Louvem a Yah.”
2️⃣ Yahu / Yahû (יהו)
Forma um pouco mais longa que aparece principalmente no final de muitos nomes bíblicos.
3. Exemplos de nomes com “Yah”
Alguns nomes preservam a forma Yah no final.
| Nome | Hebraico | Significado |
|---|---|---|
| Isaías | יְשַׁעְיָה | Salvação de Yah |
| Jeremias | יִרְמְיָה | Yah exalta |
| Sofonias | צְפַנְיָה | Yah esconde / protege |
Esses nomes mostram que Yah era reconhecido como forma do Nome divino.
4. Exemplos de nomes com “Yahu”
Outros nomes usam a forma Yahu.
| Nome | Hebraico | Significado |
|---|---|---|
| Elias | אֵלִיָּהוּ | Meu Deus é Yah |
| Isaías (forma longa) | יְשַׁעְיָהוּ | Yah salva |
| Jeremias (forma longa) | יִרְמְיָהוּ | Yah exalta |
Essas formas mostram que o Nome divino também era usado em composição dentro de nomes pessoais.
5. Quando o Nome aparece no início do nome
Em alguns nomes o elemento divino aparece no começo.
Nesses casos a forma costuma aparecer como:
Yeho- (יהו)
Exemplos:
| Nome | Hebraico | Significado |
|---|---|---|
| Josué | יְהוֹשֻׁעַ | YHWH é salvação |
| Jeosafá | יְהוֹשָׁפָט | YHWH julga |
| Jeoiaquim | יְהוֹיָקִים | YHWH levanta |
6. O que esses nomes mostram
Esses nomes são muito importantes para os estudiosos porque eles preservam ecos antigos da pronúncia do Nome divino.
A presença das formas:
- Yah
- Yahu
- Yeho
indica que o Tetragrama provavelmente era pronunciado com um som inicial semelhante a “Ya-”.
7. Ligação com outras tradições bíblicas
Essas formas abreviadas também aparecem em outras partes da Bíblia.
Por exemplo:
Hallelu-Yah
(Hallelujah)
Hebraico:
הַלְלוּיָהּ
Significado:
“Louvem a Yah.”
Essa expressão foi preservada em muitas línguas, inclusive no grego e no cristianismo.
8. Conclusão desta parte
Os nomes hebraicos mostram que o Nome divino estava profundamente presente na vida e na fé do povo de Israel.
Esses nomes preservam formas como:
| Forma | Origem |
|---|---|
| Yah | 11 |
| Yahu | forma expandida |
| Yeho | forma usada no início de nomes |
Essas formas ajudam os estudiosos a entender melhor como o Nome de Deus era usado na antiguidade.
Parte 11 — O Nome divino dentro dos nomes hebraicos
1. O Nome de Deus dentro dos nomes das pessoas
Na Bíblia hebraica é muito comum que os nomes das pessoas incluam partes do Nome de Deus.
Esses nomes são chamados de nomes teofóricos.
A palavra vem do grego:
- theos = Deus
- phoros = portar / carregar
Ou seja:
nomes que “carregam” o Nome de Deus.
Esses nomes eram uma forma de expressar:
- fé
- gratidão
- relação com Deus.
2. As duas formas mais comuns do Nome divino nos nomes
Nos nomes hebraicos encontramos duas formas principais derivadas do Tetragrama.
1️⃣ Yah (יה)
Forma curta do Nome divino.
Exemplo muito conhecido:
הַלְלוּיָהּ
(Hallelu-Yah)
Significado:
“Louvem a Yah.”
2️⃣ Yahu / Yahû (יהו)
Forma um pouco mais longa que aparece principalmente no final de muitos nomes bíblicos.
3. Exemplos de nomes com “Yah”
Alguns nomes preservam a forma Yah no final.
| Nome | Hebraico | Significado |
|---|---|---|
| Isaías | יְשַׁעְיָה | Salvação de Yah |
| Jeremias | יִרְמְיָה | Yah exalta |
| Sofonias | צְפַנְיָה | Yah esconde / protege |
Esses nomes mostram que Yah era reconhecido como forma do Nome divino.
4. Exemplos de nomes com “Yahu”
Outros nomes usam a forma Yahu.
| Nome | Hebraico | Significado |
|---|---|---|
| Elias | אֵלִיָּהוּ | Meu Deus é Yah |
| Isaías (forma longa) | יְשַׁעְיָהוּ | Yah salva |
| Jeremias (forma longa) | יִרְמְיָהוּ | Yah exalta |
Essas formas mostram que o Nome divino também era usado em composição dentro de nomes pessoais.
5. Quando o Nome aparece no início do nome
Em alguns nomes o elemento divino aparece no começo.
Nesses casos a forma costuma aparecer como:
Yeho- (יהו)
Exemplos:
| Nome | Hebraico | Significado |
|---|---|---|
| Josué | יְהוֹשֻׁעַ | YHWH é salvação |
| Jeosafá | יְהוֹשָׁפָט | YHWH julga |
| Jeoiaquim | יְהוֹיָקִים | YHWH levanta |
6. O que esses nomes mostram
Esses nomes são muito importantes para os estudiosos porque eles preservam ecos antigos da pronúncia do Nome divino.
A presença das formas:
- Yah
- Yahu
- Yeho
indica que o Tetragrama provavelmente era pronunciado com um som inicial semelhante a “Ya-”.
7. Ligação com outras tradições bíblicas
Essas formas abreviadas também aparecem em outras partes da Bíblia.
Por exemplo:
Hallelu-Yah
(Hallelujah)
Hebraico:
הַלְלוּיָהּ
Significado:
“Louvem a Yah.”
Essa expressão foi preservada em muitas línguas, inclusive no grego e no cristianismo.
8. Conclusão desta parte
Os nomes hebraicos mostram que o Nome divino estava profundamente presente na vida e na fé do povo de Israel.
Esses nomes preservam formas como:
| Forma | Origem |
|---|---|
| Yah | forma curta do Nome |
| Yahu | forma expandida |
| Yeho | forma usada no início de nomes |
Essas formas ajudam os estudiosos a entender melhor como o Nome de Deus era usado na antiguidade.
Parte 12 — O Tetragrama nos manuscritos antigos da Bíblia
1. O Nome divino nos manuscritos hebraicos
Nos manuscritos hebraicos mais antigos da Bíblia, o Nome de Deus aparece claramente como:
יהוה (YHWH)
Esse Nome era escrito com quatro letras, por isso é chamado de:
Tetragrama
(do grego tetra = quatro, gramma = letras).
Esses manuscritos mostram que o Nome divino não foi originalmente removido do texto bíblico. Pelo contrário, ele aparece milhares de vezes.
2. O Nome divino nos manuscritos do Mar Morto
Entre os manuscritos descobertos em Qumran, conhecidos como Manuscritos do Mar Morto, encontramos algo muito interessante.
Qumran
Nesses manuscritos, os escribas frequentemente escreviam o Tetragrama de forma especial, diferente do restante do texto.
Algumas práticas observadas incluem:
- escrever o Nome divino em letras hebraicas antigas (paleo-hebraico)
- usar tinta diferente
- deixar espaços especiais no texto.
Isso mostra que o Nome era tratado com grande reverência.
3. O Tetragrama na Septuaginta antiga
A Septuaginta é a antiga tradução da Bíblia hebraica para o grego.
Septuagint
Durante muito tempo pensou-se que os tradutores simplesmente substituíram o Nome divino pela palavra grega:
Κύριος (Kyrios)
que significa “Senhor”.
Porém, descobertas de manuscritos antigos mostraram algo surpreendente.
4. Manuscritos gregos que preservam o Tetragrama
Alguns manuscritos antigos da Septuaginta não substituem o Nome divino.
Em vez disso, eles mantêm o Tetragrama hebraico dentro do texto grego.
Um exemplo famoso é o manuscrito:
Papyrus Fouad 266
Nesse manuscrito:
- o texto está em grego
- mas o Nome divino aparece como יהוה em letras hebraicas.
Isso mostra que, em algumas tradições antigas, o Nome de Deus ainda era preservado visualmente, mesmo em traduções para outra língua.
5. A mudança posterior para “Kyrios”
Com o passar do tempo, muitos manuscritos gregos começaram a substituir o Tetragrama por:
Κύριος (Kyrios)
“Senhor”.
Essa prática acabou se tornando comum na maioria dos manuscritos gregos posteriores.
Assim surgiu a tradição que encontramos hoje na maior parte do Novo Testamento e das cópias da Septuaginta.
6. Ligação com a tradição siríaca
A tradição siríaca da Bíblia seguiu um caminho semelhante.
Em vez de escrever o Tetragrama hebraico, a Peshitta usa a forma:
ܡܪܝܐ (Māryā)
Essa palavra funciona como equivalente reverente do Nome divino, assim como:
- Adonai no hebraico
- Kyrios no grego.
7. O que esses manuscritos revelam
Quando observamos os manuscritos mais antigos, percebemos algo muito importante:
O Nome divino foi tratado de várias maneiras diferentes ao longo da história, mas sempre com grande respeito.
Algumas tradições:
| Tradição | Forma usada |
|---|---|
| Hebraico | יהוה |
| Septuaginta antiga | יהוה dentro do texto grego |
| Grego posterior | Kyrios |
| Siríaco | ܡܪܝܐ |
8. Conclusão desta parte
Os manuscritos antigos mostram que:
- o Nome divino era conhecido e preservado nas Escrituras
- diferentes tradições desenvolveram formas reverentes de representá-lo
- o respeito pelo Nome de Deus atravessou séculos e diferentes línguas.
Esse estudo ajuda a entender melhor como o Tetragrama foi transmitido ao longo da história bíblica.
13. O fato observado nos manuscritos
Nos manuscritos gregos mais antigos do Novo Testamento que possuímos hoje, o Tetragrama (יהוה) não aparece.
Em vez disso, encontramos quase sempre a palavra grega:
Κύριος (Kyrios)
Significado:
Senhor.
Essa palavra aparece em muitos lugares onde o Novo Testamento cita passagens do Antigo Testamento que originalmente tinham YHWH.
2. Um exemplo claro
Veja um exemplo famoso.
Antigo Testamento:
Salmo 110:1
“Disse YHWH ao meu Senhor…”
No Novo Testamento, quando essa passagem é citada, aparece:
Mateus 22:44
“Disse o Senhor ao meu Senhor…”
Em grego:
Κύριος
Ou seja, o Tetragrama é representado pelo título Senhor.
3. O uso de “Kyrios” no cristianismo primitivo
No mundo grego, a palavra Kyrios já significava:
- senhor
- mestre
- autoridade
Mas no contexto bíblico ela passou a ser usada como título reverente para Deus.
Por isso os cristãos também aplicaram esse título a Jesus Cristo.
Assim encontramos declarações como:
“Jesus Cristo é Senhor.”
Em grego:
Κύριος Ἰησοῦς Χριστός
Essa confissão tornou-se uma das mais importantes da fé cristã primitiva.
4. Uma possível explicação histórica
Alguns estudiosos sugerem o seguinte cenário:
1️⃣ As primeiras comunidades cristãs usavam a Septuaginta (tradução grega do Antigo Testamento).
2️⃣ Em algumas versões antigas dessa tradução o Tetragrama ainda aparecia.
3️⃣ Com o tempo, copistas passaram a substituir o Nome por Kyrios, seguindo a tradição de leitura reverente.
Assim, quando os manuscritos do Novo Testamento foram copiados, já era comum usar Kyrios.
5. A ligação com a tradição siríaca
A tradição siríaca seguiu um caminho semelhante.
Na Peshitta, em vez do Tetragrama aparece:
ܡܪܝܐ (Māryā)
Assim como Kyrios no grego, essa palavra significa:
Senhor.
Mas ela é usada em contextos que indicam o Senhor Deus.
6. Um ponto teológico importante
Algo muito significativo acontece no Novo Testamento.
O título “Senhor”, que nas Escrituras hebraicas estava ligado ao Nome divino, passa a ser aplicado também a Jesus Cristo.
Isso aparece em muitas passagens.
Por exemplo:
Filipenses 2:11
“Toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor.”
Essa declaração tem grande peso teológico, pois conecta Jesus com o título que nas Escrituras estava ligado ao Senhor Deus.
7. Resumo desta parte
Podemos resumir assim:
| Tradição | Forma usada |
|---|---|
| Hebraico | יהוה |
| Leitura judaica | Adonai |
| Grego do NT | Kyrios |
| Siríaco | ܡܪܝܐ |
Cada tradição preservou a ideia central:
Deus é o Senhor.
8. Conclusão do estudo de hoje
Hoje avançamos bastante no estudo e vimos:
- o sistema Ketiv e Qerê
- o significado do Tetragrama
- a ligação com Êxodo 3:14
- o Nome divino dentro de nomes hebraicos
- o tratamento do Nome em manuscritos antigos
- e o uso de Kyrios e Māryā nas tradições bíblicas.
Tudo isso ajuda a entender como o Nome de Deus foi preservado e respeitado ao longo da história bíblica.
Parte 14 — Como os cristãos siríacos entendiam a relação entre ܡܪܝܐ (Māryā) e Jesus Cristo
1. O uso de ܡܪܝܐ na tradição siríaca
Na tradição bíblica siríaca, especialmente na Peshitta, a palavra ܡܪܝܐ (Māryā) é usada principalmente para se referir ao Senhor Deus, correspondendo ao Nome divino que aparece como יהוה (YHWH) no texto hebraico.
Mas quando chegamos ao Novo Testamento siríaco, encontramos algo muito interessante.
O título Senhor, que nas Escrituras hebraicas estava ligado ao Nome divino, passa a ser aplicado também a Jesus Cristo.
2. A confissão central da fé cristã
Nos primeiros séculos do cristianismo, uma das confissões mais importantes era:
“Jesus Cristo é Senhor.”
Essa afirmação aparece em vários textos do Novo Testamento.
Um exemplo forte está em Filipenses 2:11:
“E toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus Pai.”
Na tradição siríaca, esse tipo de declaração ganhou um significado ainda mais profundo, porque o título Senhor estava ligado ao termo:
ܡܪ (Mar)
ou
ܡܪܝܐ (Māryā).
3. A diferença entre Mar e Māryā
Os escritores siríacos distinguiam duas formas principais:
| Forma | Significado |
|---|---|
| ܡܪ (Mar) | senhor, mestre |
| ܡܪܢ (Maran) | nosso Senhor |
| ܡܪܝܐ (Māryā) | O Senhor (título divino) |
Jesus é frequentemente chamado de:
ܡܪܢ (Maran)
“nosso Senhor”.
Mas em certos contextos o título usado para Deus também é aplicado a Cristo, mostrando sua autoridade divina.
4. A interpretação dos teólogos siríacos
Alguns grandes escritores da tradição siríaca refletiram profundamente sobre esse tema.
Entre eles estão:
- Ephrem o Sírio
- Aphrahat
- Jacob de Serugh (Mar Jacó)
Esses autores frequentemente falavam de Cristo como:
- o Senhor enviado por Deus
- o Filho que revela o Pai
- aquele que participa da autoridade divina.
Nos seus hinos e sermões, o título Senhor aplicado a Cristo aparece repetidamente.
5. A teologia do “Senhor”
Na tradição siríaca, o título Senhor não era apenas um título de respeito.
Ele indicava:
- autoridade
- soberania
- relação com Deus.
Assim, quando os cristãos diziam “Jesus é Senhor”, estavam fazendo uma declaração teológica muito forte.
Eles reconheciam que Jesus tinha autoridade divina e participava da obra de Deus.
6. Ligação com as Escrituras do Antigo Testamento
Os escritores cristãos também observavam que muitas passagens do Antigo Testamento que falavam do Senhor eram aplicadas a Cristo no Novo Testamento.
Isso reforçava a ideia de que:
- o Deus que se revelou nas Escrituras
- é o mesmo que age na obra de Cristo.
7. Conclusão desta parte
Na tradição siríaca, o título Senhor tem grande importância.
Ele conecta:
- o Deus revelado no Antigo Testamento
- a fé cristã no Novo Testamento
- e a confissão de que Jesus Cristo é Senhor.
Por isso, palavras como:
ܡܪ (Mar)
ܡܪܢ (Maran)
ܡܪܝܐ (Māryā)
ocupam um lugar central na teologia e na espiritualidade das igrejas de língua siríaca.
Parte 15 — A antiguidade da composição ܡܪܝܐ (Māryā): Mar + Yā
Como já foi dito anteriormente, a forma siríaca ܡܪܝܐ (Māryā) é particularmente interessante do ponto de vista linguístico porque pode ser analisada como uma composição de dois elementos semíticos:
ܡܪ (Mār) + ܝܐ (Yā)
1. O elemento ܡܪ (Mār)
Em aramaico e siríaco:
- ܡܪ (Mār) significa senhor, mestre, dono.
Ele é amplamente usado:
- como título de respeito
- para autoridades
- para mestres espirituais
- para bispos e santos na tradição siríaca.
Exemplos:
- Mar Ephrem (Efrém, o Sírio)
- Mar Isaac
- Mar Addai
Aqui Mar significa literalmente “Senhor” ou “Venerável mestre”.
2. O elemento ܝܐ (Yā)
O segundo elemento ܝܐ (Yā) é muito significativo.
Ele corresponde à forma abreviada do Nome divino hebraico:
יָהּ (Yāh)
O nome יה (יָהּ = Yāh) = Jah, não como abreviação do Tetragrama יהוה, mas como um dos nomes de Deus (Êxodo 15:2; Sl. 68:19; 77:11 [12]; 94:7, 12; 115:18; 118:5 2x, etc.; junto com o Tetragrama (Êx. 17:16; 89:8 [9]; יָהּ יְהוָה (Yah YaHWeH): Is. 12:2 e 26:4.
Essa forma aparece várias vezes no Antigo Testamento, por exemplo no louvor:
הַלְלוּיָהּ
Transliteração:
Hallelu-Yāh
Significado:
“Louvai a Yah.”
Na tradição siríaca a mesma doxologia aparece como:
ܗܲܠܸܠܘܿܝܲܐ
Hallelu-Yā
Portanto, a equivalência é clara:
| Hebraico | Siríaco |
|---|---|
| יָהּ | ܝܐ |
| Yāh | Yā |
3. A composição Mar + Yā
Se juntarmos os dois elementos:
ܡܪ + ܝܐ
temos:
ܡܪܝܐ (Māryā)
como uma estrutura semítica:
“Senhor Yā”
ou
“Senhor que é Yā”
Isto ajuda a explicar por que ܡܪܝܐ foi usado pelos tradutores siríacos como equivalente funcional do Tetragrama יהוה.
Ou seja:
| Hebraico | Grego | Siríaco |
|---|---|---|
| יהוה | Κύριος | ܡܪܝܐ |
4. Diferença entre ܡܪܝܐ e ܡܪ
Como também já dissemos, a tradição siríaca faz uma distinção importante:
| Forma | Significado |
|---|---|
| ܡܪ (Mar) | senhor humano |
| ܡܪܝܐ (Māryā) | o Senhor divino |
Ou seja:
- ܡܪܝܐ é reservado exclusivamente para Deus.
Esse detalhe mostra que os tradutores não escolheram essa forma por acaso.
Parte 16 — Como os cristãos siríacos entendiam ܡܪܝܐ aplicado a Jesus
Este ponto é extremamente rico na teologia da Igreja siríaca.
Para os cristãos siríacos, quando o Novo Testamento aplica ܡܪܝܐ a Jesus, isso tem um significado profundo.
Não é apenas um título de respeito.
É uma identificação teológica com o Senhor do Antigo Testamento.
1. A leitura da Peshitta
Na Peshitta, quando o texto do Antigo Testamento cita YHWH, ele usa:
ܡܪܝܐ
Quando o Novo Testamento aplica esse título a Cristo, o leitor siríaco percebe imediatamente a conexão.
Por exemplo:
Lucas 2:11
“Hoje vos nasceu o Salvador, que é o Messias, o Senhor.”
Em siríaco:
ܡܫܝܚܐ ܡܪܝܐ
Mshīḥā Māryā
Literalmente:
“Messias, o Senhor-Yah.”
Para um cristão siríaco antigo, isso ecoava diretamente o Nome divino.
2. Os comentários de Efrém, o Sírio
Ephrem the Syrian (séc. IV) escreveu muitos hinos e comentários bíblicos.
Ele afirma repetidamente que:
- o Senhor que falou no Antigo Testamento
- é o Cristo revelado no Novo Testamento.
Em seus hinos ele usa muitas vezes:
ܡܪܝܐ ܕܐܬܓܠܝ ܒܒܣܪ
Tradução:
“Mar-Yáh que se revelou na carne.”
Isso mostra que para Efrém:
Māryā → tornou-se visível em Cristo.
3. A teologia da Igreja do Oriente
Na tradição da Igreja do Oriente, Cristo é frequentemente chamado:
ܡܪܢ (Maran)
Significa:
“Nosso Senhor”
Exemplo famoso:
ܡܪܢ ܐܬܐ
Maran atha
“Nosso Senhor vem.”
Essa expressão aparece também em grego no Novo Testamento:
1 Coríntios 16:22
Μαράνα θά
4. O efeito teológico dessa linguagem
Para os cristãos siríacos antigos, havia uma lógica clara:
- YHWH no Antigo Testamento
- traduzido como ܡܪܝܐ
- Cristo chamado ܡܪܝܐ no Novo Testamento
Conclusão teológica:
Jesus participa da identidade do Senhor revelado nas Escrituras.
Isso aparece de forma forte na liturgia siríaca.
✅ Portanto, na tradição siríaca:
ܡܪܝܐ não é apenas tradução.
Ele se torna um título cristológico que conecta:
- o Deus de Israel
- o Senhor revelado nas Escrituras
- e Jesus Cristo.
Parte 17 — Como os manuscritos siríacos distinguiam ܡܪ (Mar) de ܡܪܝܐ (Māryā)
Nos manuscritos bíblicos siríacos antigos, especialmente da Peshitta, os escribas frequentemente faziam distinções gráficas quando escreviam o Nome divino.
Isso mostra que ܡܪܝܐ era tratado de forma semelhante ao tratamento reverente dado ao Tetragrama יהוה na tradição judaica.
1. A distinção textual básica
Primeiro, a distinção lexical normal:
| Forma | Escrita | Significado |
|---|---|---|
| Mar | ܡܪ | senhor (humano ou título de respeito) |
| Māryā | ܡܪܝܐ | o Senhor divino |
Mas em vários manuscritos essa distinção não era apenas lexical — ela também era visual.
2. Espaçamento especial para ܡܪܝܐ
Em alguns manuscritos antigos da Peshitta, os escribas:
- deixavam um pequeno espaço antes e depois de ܡܪܝܐ
- ou escreviam a palavra de forma ligeiramente destacada.
Isso funcionava como um marcador reverencial.
Algo semelhante ocorre em manuscritos hebraicos onde:
- יהוה recebe tratamento especial
- ou às vezes aparece com grafia diferenciada.
3. Uso de pontos ou marcas
Alguns manuscritos também apresentam:
- pontos diacríticos adicionais
- pequenas marcas acima da palavra
para indicar que o termo é o Nome divino.
Essas marcas funcionam como uma espécie de:
“alerta reverencial ao leitor”.
4. Ligação com a tradição de leitura
Isso está ligado à tradição de leitura litúrgica.
Quando o leitor via: ܡܪܝܐ ele sabia que estava diante de uma referência ao Senhor divino, equivalente ao יהוה das Escrituras hebraicas.
Assim, a leitura era feita com solenidade.
5. Paralelo com a tradição judaica
Existe um paralelo muito interessante.
Na tradição judaica:
- Ketiv: יהוה (o que está escrito)
- Qerê: אדני (o que é lido)
Nos manuscritos siríacos ocorre algo funcionalmente semelhante:
- o texto traz ܡܪܝܐ (Māryā)
- o leitor entende que se trata do Nome do Senhor.
Ou seja, ܡܪܝܐ tornou-se o equivalente aramaico reverencial do Tetragrama.
6. Consciência teológica dos escribas
Essas práticas mostram que os escribas siríacos sabiam que:
ܡܪܝܐ não era apenas uma palavra comum.
Ela funcionava como:
- substituto reverente do Nome divino
- marcador teológico da identidade de Deus nas Escrituras.
7. Um detalhe muito interessante
Em alguns manuscritos do Novo Testamento siríaco ocorre algo impressionante: quando uma passagem do Antigo Testamento sobre YHWH é aplicada a Cristo, o manuscrito mantém: ܡܪܝܐ.
Isso significa que, visualmente, o leitor vê:
o mesmo título usado para o Deus do Antigo Testamento.
Esse detalhe reforça a cristologia muito alta da tradição siríaca.
✅ Portanto, os manuscritos siríacos mostram que:
- ܡܪܝܐ era tratado com reverência especial
- os escribas o distinguiam graficamente
- e ele funcionava como equivalente litúrgico do Nome divino.
Parte 18 — Uma tradição aramaica antiga por trás de ܡܪܝܐ
Quando os tradutores da Peshitta fizeram a versão siríaca do Antigo Testamento, eles tinham um problema semelhante ao dos tradutores gregos da Septuaginta:
👉 Como traduzir o Tetragrama יהוה (YHWH)?
A solução da tradição siríaca foi usar:
ܡܪܝܐ (Māryā)
Esse termo aparece sistematicamente no lugar do Tetragrama.
1. O sistema de equivalências da Peshitta
Os tradutores siríacos criaram um sistema bastante consistente:
| Hebraico | Siríaco |
|---|---|
| יהוה | ܡܪܝܐ (Māryā) |
| אדני | ܡܪ (Mar) |
| אלהים | ܐܠܗܐ (Alāhā) |
Esse sistema aparece em toda a Peshitta.
Um exemplo clássico é:
Salmo 110:1
Hebraico:
נְאֻם יְהוָה לַאדֹנִי
Nəᵓum YHWH laᵓdônî
"Disse Yahweh ao meu Senhor"
Siríaco:
ܐܸܡܲܪ ܡܵܪܝܵܐ ܠܡܵܪܝ
ᵓēmar Māryāᵓ l'Māry
Ou seja:
“Māryā disse ao meu Senhor.”
Isso mostra que os tradutores estavam conscientes da diferença entre YHWH e Adon.
2. Relação com tradições judaicas aramaicas
Alguns estudiosos veem ligação entre:
- a prática da Peshitta
- e as tradições aramaicas judaicas.
Especialmente:
- Targumim
- leitura litúrgica nas sinagogas.
Nos Targumim (traduções parafraseadas do Antigo Testamento para o aramaico), o Nome divino frequentemente é substituído por expressões reverenciais como:
- מימרא (Memra) — “A Palavra”
- יקרא (Yeqara) — “A Glória”.
Isso mostra que já existia uma tradição de evitar pronunciar o Nome divino.
A solução siríaca ܡܪܝܐ (Māryā) pode refletir esse mesmo ambiente religioso.
3. “Mar + Yā”
Alguns estudiosos e tradições interpretam:
ܡܪܝܐ
como composição:
ܡܪ (Mar) + ܝܐ (Yā)
ou seja:
“Senhor Yah”
Essa ideia aparece em vários estudos e discussões teológicas.
Alguns autores afirmam que:
- Yā representa a forma abreviada do Nome divino
- semelhante ao hebraico יָהּ (Yah).
Mas aqui é importante ser honesto academicamente:
⚠️ Nem todos os linguistas aceitam essa etimologia.
Outra interpretação comum diz que:
ܝܐ é apenas o sufixo enfático aramaico.
Ou seja:
ܡܪܝܐ = “o Senhor” (forma enfática).
Portanto existem duas interpretações principais:
| interpretação | explicação |
|---|---|
| morfológica | sufixo enfático aramaico |
| teofórica | Mar + Yah |
Ao colocar o texto deste estudo para o ChatGPT revisar e corrigir erros de digitação e concordância, esta IA discordou sobre o nome ܡܪܝܐ (Māryā) ser composto de dois termos: Mar + Yah, assumindo a interpretação de algunsq linguistas de que o termo ܝܐ seja apenas o sufixo enfático aramaico. Isso gerou um bom debate, mas consegui provar-lhe (vê se pode?) que o sufixo ܝܐ JAMAIS foi e é usado para o modo enfático tanto em aramaico, quanto em siríaco, o que ela finalmente concordou, pois não achou nenhum outro contexto onde o sufixo ܝܐ fosse usado no modo enfático em algum outro substantivo, mas sempre o ܐ (alap) sozinho.
4. Distinção importante na tradição siríaca
Mesmo que a origem etimológica seja debatida, uma coisa é clara:
Na tradição siríaca clássica:
- ܡܪܝܐ → Deus (YHWH)
- ܡܪ / ܡܪܢ → senhor humano
Essa distinção aparece claramente nos textos.
5. Aplicação a Cristo
Também já observamos anteriormente um detalhe teológico muito importante:
Na Peshitta do Novo Testamento, ܡܪܝܐ (Māryā) também aparece aplicado a Jesus.
Isso cria uma conexão forte entre:
- O SENHOR (YHWH) do Antigo Testamento
- e Cristo.
Alguns estudos contam dezenas de ocorrências desse uso.
Esse fenômeno é um dos pontos importantes da cristologia siríaca antiga.
Parte 19 — Por que ܡܪܝܐ (Māryā) nunca recebe sufixos pronominais
Nas línguas semíticas, é extremamente comum que substantivos recebam sufixos pronominais para indicar posse.
Por exemplo, em siríaco:
| Forma | Significado |
|---|---|
| ܡܪܝ (mārī) | meu senhor |
| ܡܪܟ (mārāḵ) | teu senhor |
| ܡܪܗ (māreh) | seu senhor |
Isso acontece normalmente com ܡܪ (Mar).
Exemplo no Novo Testamento siríaco:
ܡܪܝ
“meu Senhor”.
1. O caso especial de ܡܪܝܐ
Mas algo curioso acontece com ܡܪܝܐ.
Ele não recebe sufixos pronominais.
Ou seja, não encontramos formas como:
- “meu Māryā”
- “teu Māryā”
- “nosso Māryā”
Isso simplesmente não ocorre na gramática da Peshitta.
2. O que aparece no lugar
Quando o texto quer dizer “nosso Senhor”, usa-se outra forma:
ܡܪܢ (Maran)
Exemplo famoso:
1 Coríntios 16:22
ܡܪܢ ܐܬܐ
Maran atha
“Nosso Senhor vem.”
Aqui vemos claramente:
- ܡܪܢ (Maran) = nosso Senhor
- não ܡܪܝܐܢ (Maryan)
3. Consequência linguística
Isso mostra que ܡܪܝܐ (Māryā) se comporta quase como um nome próprio.
Ele funciona mais como:
- YHWH
- ou O Senhor absoluto
do que como um substantivo comum.
Assim:
| Palavra | Tipo |
|---|---|
| ܡܪ | substantivo comum |
| ܡܪܝܐ | título divino fixo |
4. Paralelo com o hebraico
Isso lembra muito o comportamento do Tetragrama.
No hebraico bíblico o nome יהוה (YHWH) também não recebe sufixos pronominais.
Por exemplo, não existe:
“meu YHWH”.
Em vez disso aparecem construções como:
- יהוה אלהי
“YHWH meu Deus”
ou
- אדני יהוה
“Senhor YHWH”.
Isso mostra um respeito estrutural pelo Nome divino.
5. O que isso sugere
Esse fenômeno levou alguns estudiosos a sugerirem que ܡܪܝܐ era percebido como equivalente funcional do Nome divino.
Ou seja, não apenas “o Senhor”, mas “O SENHOR”.
Assim:
| Hebraico | Siríaco |
|---|---|
| יהוה | ܡܪܝܐ |
6. Um detalhe litúrgico interessante
Na liturgia siríaca, a palavra ܡܪܝܐ frequentemente aparece em contextos de oração como:
ܡܵܪܝܵܐ ܪܵܚܹ̇ܡ ܥܠܲܝܢ
Māryā rāḥem ᶜlayn
“Māryā, tem misericórdia de nós.”
Isso reforça que o termo funciona quase como invocação direta do Nome divino.
Conclusão
Esse detalhe linguístico revela algo muito importante:
✔ ܡܪܝܐ não se comporta como substantivo comum
✔ não aceita sufixos pronominais
✔ funciona quase como nome divino fixo
✔ cumpre na Peshitta o papel do Tetragrama יהוה.
Parte 20 — Abreviações reverenciais de ܡܪܝܐ (Māryā) nos manuscritos siríacos
Assim como nos manuscritos gregos do Novo Testamento existem os chamados Nomina Sacra (nomes sagrados abreviados), alguns manuscritos siríacos apresentam formas abreviadas ou marcadas de ܡܵܪܝܵܐ (Māryā).
Isso revela que os escribas tratavam essa palavra com status especial.
1. O que são Nomina Sacra
Nos manuscritos gregos cristãos antigos, certas palavras sagradas eram abreviadas:
| Palavra | Forma abreviada |
|---|---|
| Θεός (Deus) | Ⲑ̅Ⲥ̅ (ΘΣ) |
| Κύριος (Senhor) | Ⲕ̅Ⲥ̅ (ΚΣ) |
| Ἰησοῦς (Jesus) | ΙⲤ̅ (ΙΣ) |
| Χριστός (Cristo) | Ⲭ̅Ⲥ̅ (ΧΣ) |
Normalmente:
- as letras iniciais e finais eram usadas, mas algumas vezes também a principal do meio
- uma linha horizontal acima indicava abreviação sagrada.
Esse sistema aparece já nos manuscritos do século II.
Pelo que lembro, há pelo menos 15 nomina sacra
2. Fenômeno semelhante em manuscritos siríacos
Embora a tradição siríaca seja diferente da grega, alguns manuscritos mostram:
- redução gráfica
- marcas especiais
- ou forma abreviada reverencial para ܡܪܝܐ.
Isso não é tão sistemático quanto no grego, mas ocorre.
Os escribas podiam:
- escrever a palavra de forma compacta
- colocar marcas acima
- destacar o termo.
3. Abreviações ocasionais
Em alguns manuscritos aparecem formas reduzidas como:
ܡܪ
ou
ܡܪܝ
ܞ
onde o contexto deixa claro que se refere a ܡܪܝܐ.
Isso acontece principalmente:
- em citações
- em contextos litúrgicos
- ou por economia de espaço.
Mas o leitor sabia imediatamente que se tratava do Nome divino.
4. Marcas scribais
Outra prática encontrada em manuscritos:
- pequenos pontos
- traços
- ou linhas sobre a palavra
indicando reverência.
Isso é semelhante ao que ocorre em alguns manuscritos hebraicos onde:
- יהוה recebe marcações especiais.
5. Relação com a tradição judaica
Essas práticas mostram algo importante.
Os cristãos siríacos herdaram uma mentalidade semelhante à tradição judaica:
- o Nome divino é tratado com cuidado especial
- ele recebe marcação gráfica diferenciada.
Mesmo traduzindo o texto hebraico, os escribas continuaram demonstrando reverência textual.
6. Diferença importante
Apesar dessas semelhanças, há uma diferença:
Nos manuscritos gregos:
👉 os Nomina Sacra são sistemáticos.
Nos manuscritos siríacos:
👉 as marcações são menos padronizadas e variam entre escolas de escribas.
7. O que isso revela
Esses detalhes mostram que ܡܪܝܐ possuía status muito especial na tradição bíblica siríaca.
Ele era:
- equivalente funcional do Tetragrama
- tratado com reverência scribal
- e usado na liturgia como invocação divina.
Conclusão
A tradição textual siríaca revela três coisas importantes:
1️⃣ ܡܪܝܐ substitui o Tetragrama יהוה na Peshitta
2️⃣ os escribas o tratavam com marcas e distinções especiais
3️⃣ ele tinha status quase de Nome próprio divino.
ais intrigantes da filologia bíblica.
Perfeito. Então vamos fechar nosso estudo de hoje com este último ponto, que é realmente muito interessante para entender a história do texto bíblico siríaco.
Parte 21 — Por que os manuscritos em aramaico-siríacos antigos usam ܡܪܝܐ (Māryā) mesmo Jesus falando outra forma de aramaico?
Os manuscritos mais antigos do Evangelho em siríaco que possuímos — como os Evangelhos Curetonianos e o Sináitico Palimpsesto — já utilizam ܡܪܝܐ (Māryā) em vários lugares.
Isso levanta uma pergunta histórica importante:
Se Jesus falava aramaico, será que ele realmente pronunciava Māryā?
A maioria dos estudiosos pensa que não exatamente. Eu também.
1. O aramaico da Galileia no tempo de Jesus
Jesus provavelmente falava uma forma de aramaico galileu, que era diferente do siríaco literário posterior (o que é usado nos referidos Evangelhos acima e na Peshitta).
Nessa língua, a palavra comum para “senhor” era algo como:
מרי (marī)
ou
מר (mar)
Por exemplo:
- marī → “meu senhor” ou "senhor de" (este último quando é o caso construto)
- mar → “senhor”.
Isso aparece também em textos judaicos aramaicos do mesmo período.
Ex. José foi chamado de "sonhador" por seus irmãos (Gênesis 37:19). Literalmente o termo hebraico é בַּ֛עַל הַחֲלֹמ֥וֹת (báᶜal haḥălômōth) que significa literalmente: "senhor dos senhos". Os textos aramaicos dão essa mesma ideia, mas usam o termo מרי com a mesma ideia:
1. Targuns: de Onkelos, Pseudo-Jonathan e Neofiti: מָרֵי חֶלְמַיָּא (mārê ḥelmayyāᵓ ) = Senhor dos sonhos
No aramaico imperial o plural de "sonhos": חֶלְמִין (ḥelmin), onde senhor/mestre dos sonhos seria: : מָרֵי חֶלְמִין (mārê ḥelmin).
Abrindo um "parênteses": quando os irmãos de José disseram:
הנה בעל החלומות הלזה בא
literalmente:
“Eis que este senhor dos sonhos está vindo.”
o tom provavelmente é irônico, algo como:
“Lá vem o especialista em sonhos!”
Mas ironicamente isso se torna profético, porque José realmente se torna o intérprete oficial de sonhos do Egito.
2. A influência da tradição judaica sobre o Nome divino
No judaísmo do Segundo Templo já existia a prática de evitar pronunciar o Tetragrama יהוה.
Em vez disso, eram usados substitutos como:
- אדני (Adonai)
- השם (HaShem)
- outras expressões reverenciais.
Quando o texto hebraico era lido em aramaico nas sinagogas (nos Targumim), o Nome divino frequentemente era substituído.
3. O trabalho dos tradutores siríacos
Quando os cristãos siríacos começaram a traduzir as Escrituras para o siríaco literário (séculos II–IV), eles precisaram padronizar uma forma para o Nome divino.
A solução escolhida foi:
ܡܪܝܐ (Māryā)
Essa forma tinha vantagens:
- era aramaica
- era reverencial
- distinguia-se de ܡܪ (Mar).
Assim nasceu a convenção:
| Termo | Uso |
|---|---|
| ܡܪ | senhor humano |
| ܡܪܢ | nosso Senhor |
| ܡܪܝܐ | O Senhor divino |
4. O efeito na leitura do Novo Testamento
Quando os Evangelhos foram traduzidos para o siríaco, algo teologicamente significativo aconteceu.
Sempre que o texto grego tinha:
Κύριος (Kyrios)
o tradutor frequentemente usava:
ܡܪܝܐ
Isso criava uma conexão forte entre:
- o Senhor do Antigo Testamento
- e Jesus.
Ou seja, para o leitor siríaco:
o título usado para YHWH também podia aparecer aplicado a Cristo.
Esse detalhe influenciou profundamente a cristologia da tradição siríaca.
5. Continuidade com a liturgia
Com o tempo, ܡܪܝܐ tornou-se uma palavra central na liturgia das igrejas siríacas.
Expressões comuns incluem:
ܡܪܝܐ ܐܬܪܚܡ ܥܠܝܢ
“Senhor, tem misericórdia de nós.”ܡܪܝܐ ܐܬܐ
“O Senhor vem.”
Essas fórmulas litúrgicas mostram que Māryā passou a funcionar praticamente como um Nome divino.
Conclusão geral do nosso estudo
Podemos resumir tudo que vimos nestas partes:
1️⃣ O Tetragrama יהוה foi tratado com grande reverência no judaísmo.
2️⃣ A tradição judaica desenvolveu substitutos de leitura (Adonai etc.).
3️⃣ Os tradutores siríacos escolheram ܡܪܝܐ (Māryā) como equivalente reverencial.
4️⃣ Essa palavra tornou-se marcador textual do Nome divino na Peshitta.
5️⃣ Nos manuscritos ela recebe tratamento especial.
6️⃣ Na teologia siríaca, ela também foi aplicada a Cristo.
Assim, ܡܪܝܐ tornou-se uma das expressões mais importantes da tradição bíblica siríaca.
📚 Para melhor pesquisa sobre o que foi tratado nesse nosso estudo, deixo três obras fundamentais que tratam desses temas:
- Sebastian Brock — The Bible in the Syriac Tradition ( https://share.google/7BJ1CPTPmqVdl2Zpz)
- George Anton Kiraz — Comparative Edition of the Syriac Gospels (https://share.google/QwPBA66t3iy9mJVc4)
- Michael Sokoloff — A Syriac Lexicon (https://share.google/bNFgsstE9UonxBL1d)
Parte 21 — A forma especial ܞ relacionada a ܝܗ
Na tradição manuscrita siríaca existe um sinal abreviado usado por escribas para representar o Nome divino abreviado, especialmente relacionado à sequência:
ܝܗ (Yāh)
ou formas ligadas ao Nome de Deus.
Esse sinal aparece como:
ܞ
Ele é chamado por alguns estudiosos de abreviação scribal sagrada.
1. Origem da abreviação
A sequência: ܝܗ corresponde ao hebraico: יָהּ (Yāh) a forma curta do Nome divino.
Exemplo bíblico famoso:
הַלְלוּיָהּ
(Hallelu-Yāh)
Em siríaco:
ܗܲܠܸܠܘܿܝܲܐ
(Hallelū-Yā)
2. O que os escribas fizeram
Para evitar escrever completamente a sequência associada ao Nome divino, alguns escribas criaram um sinal abreviado.
Assim:
| Forma plena | Forma abreviada |
|---|---|
| ܝܗ | ܞ |
Esse símbolo funcionava como marcador reverencial.
Algo parecido com:
- Nomina Sacra no grego
- abreviações do Tetragrama em manuscritos hebraicos.
3. Onde esse sinal aparece
Ele pode ocorrer:
- em manuscritos bíblicos
- em textos litúrgicos
- em comentários teológicos
especialmente quando o texto envolve:
- o Nome divino
- fórmulas de louvor.
4. Relação com ܡܪܝܐ
Alguns estudiosos observam que a presença da forma ܞ reforça uma ideia interessante: a tradição siríaca reconhecia ܝܐ / ܝܗ como elemento associado ao Nome divino.
Assim sendo, ܡܪܝܐ reflete: Mar + Yāh = Senhor Yah”
5. Um paralelo interessante
Compare estas tradições:
| Tradição | Forma reverencial |
|---|---|
| Hebraica | יהוה |
| Grega | Nomina Sacra (ΚΣ) |
| Siríaca | ܡܪܝܐ / abreviações como ܞ |
Cada tradição desenvolveu estratégias gráficas para tratar o Nome divino com reverência.
6. Importância paleográfica
Para os estudiosos de manuscritos, esse sinal é importante porque ajuda a:
- identificar tradições scribais
- reconhecer abreviações sagradas
- entender como os escribas tratavam o Nome divino.
Em alguns escritos devocionais da tradição siríaca posterior, foi sugerido que o sinal
ܞ
com:
- três pontos acima
- um ponto abaixo
simbolizam:
| Elemento | Interpretação |
|---|---|
| três pontos acima | Pai, Filho e Espírito Santo |
| ponto abaixo | a unidade de Deus |
Assim, o símbolo expressa visualmente:
Trindade na unidade divina.
Essa leitura aparece em explicações espirituais usadas por alguns autores e professores de tradição siríaca.
4) Algo semelhante acontece em outras tradições
Esse tipo de interpretação teológica posterior é comum na história da escrita religiosa.
Por exemplo:
| Tradição | Sinal | Interpretação posterior |
|---|---|---|
| Grega | linha sobre Nomina Sacra | sinal da santidade |
| Hebraica | pontos massoréticos | significado místico em alguns textos |
| Siríaca | pontos do ܞ | simbolismo trinitário em interpretações devocionais |
Ou seja, a teologia às vezes interpreta símbolos que originalmente tinham função técnica.
5) O que podemos dizer com segurança
Historicamente:
✔ o sinal ܞ indica abreviação reverencial
✔ está ligado ao tratamento do Nome divino
✔ aparece em manuscritos siríacos.
✔ três pontos → Trindade
✔ ponto inferior → unidade divina.
Vamos analisar isso com cuidado.
1. Os sistemas de pontos normais do siríaco
Na escrita siríaca existem vários sistemas de pontos, mas todos têm funções específicas.
Por exemplo:
Siyāmē (plural)
Dois pontos acima da palavra:
ܡܠܟܐ̈
“reis”
Pontos de vogal
Introduzidos posteriormente:
| ponto | função |
|---|---|
| acima | vogais altas |
| abaixo | vogais baixas |
Pontuação textual
Grupos de pontos usados como:
- vírgula
- pausa
- divisão de frase.
2. O caso especial de ܞ
A marca ܞ é diferente porque:
- não faz parte da gramática normal
- não marca plural
- não marca vogal
- não marca pontuação.
Ela funciona como sinal independente.
Hoje ela é conhecida tecnicamente como:
SYRIAC ABBREVIATION MARK
no padrão Unicode.
3. Por que ela é única
Quem conhece a escrita siríaca pode perceber que essa combinação não aparece em outras palavras.
Isso acontece porque o sinal foi usado principalmente para:
✔ indicar abreviação especial
✔ marcar palavras sagradas
✔ indica a crença na Santíssima Trindade e a Unidade de Deus.
✔ alertar o leitor sobre termo reverencial.
Por isso ele aparece muito raramente.
Esse comportamento lembra muito o sistema dos Nomina Sacra dos manuscritos gregos.
✅ Resumo
O sinal ܞ:
- é uma abreviação scribal siríaca
- representa a sequência ܝܗ (Yāh)
- está ligado ao tratamento reverente do Nome divino
- os três pontos acima e um ponto abaixo representam a Santíssima Trindade e a Unidade Divina, respectivamente
- aparece em alguns manuscritos e textos litúrgicos.
Parte 22 — Bibliografia acadêmica sobre ܡܪܝܐ
Aqui estão referências muito respeitadas no campo da siríacologia:
Sebastian P. Brock
Livro essencial:
The Bible in the Syriac Tradition
(1988)
Nesse livro ele explica:
- tradução da Peshitta
- uso de ܡܪܝܐ para o Tetragrama
- tradição textual siríaca.
2. George A. Kiraz
George Anton Kiraz
Livro muito útil:
Comparative Edition of the Syriac Gospels (Edição Comparativa dos Evangelhos Siríacos)
Ele discute:
- variantes manuscritas
- uso de Marya
- tradição textual siríaca.
3. The Syriac World
Editores:
- Daniel King
Livro:
The Syriac World (O Mundo Siríaco), Routledge, 2019
Excelente para entender:
- teologia siríaca
- liturgia
- tradição bíblica.
4. A. Mingana
Alphonse Mingana
Livro clássico:
An Introduction to Syriac Literatura (Uma Introdução à Literatura Siríaca)
Contém discussões sobre:
- manuscritos bíblicos
- terminologia divina.
5. Payne Smith
Livro clássico de léxico:
A Compendious Syriac Dictionary (Um Dicionário Siríaco Completo)
Verbete: ܡܪܝܐ
Esse dicionário é um dos mais usados no mundo acadêmico.
6. Michael Sokoloff
Livro moderno:
A Syriac Lexicon (Um Léxico Siríaco)
Talvez o melhor léxico siríaco atual.
Conclusão
Podemos resumir tudo o que tratamos acima assim:
✔ ܡܪܝܐ substitui o Tetragrama יהוה na Peshitta
✔ os escribas siríacos o tratavam com reverência especial
✔ há debate sobre a etimologia (sufixo enfático vs. Mar + Yah)
✔ a palavra teve grande importância na cristologia siríaca.
Por: Luís Antônio Lima dos Remédios
𝓛𝓾𝓲𝓼 𝓐𝓷𝓽𝓸𝓷𝓲𝓸 𝓒𝓪𝓬𝓮𝓻𝓮𝓰𝓮✍️ܠܘܝܣ
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Manaus - Amazonas - Brasil
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