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sábado, 9 de maio de 2026

A Descida de Cristo ao Hades

Em construção... 


Primeira Epístola de Pedro 3:18-19 — Sobre a Descida de Cristo ao Hades

 

🇬🇷 Texto Original em Grego 

“¹⁸ ὅτι καὶ Χριστὸς ἅπαξ περὶ ἁμαρτιῶν ἀπέθανεν, δίκαιος ὑπὲρ ἀδίκων, ἵνα ὑμᾶς προσαγάγῃ τῷ θεῷ, θανατωθεὶς μὲν σαρκὶ ζωοποιηθεὶς δὲ πνεύματι· ¹⁹ ἐν ᾧ καὶ τοῖς ἐν φυλακῇ πνεύμασιν πορευθεὶς ἐκήρυξεν,” (Επιστολή Πέτρου Α 3:18-19)


 

Transliteração

“¹⁸ hóti kaì Christòs hápax perì hamartiôn apéthanen, díkaios hypèr adíkōn, hína hymâs prosagágē tō̂ theō̂, thanatōtheìs mèn sarkì zōopoiētheìs dè pneumati;
¹⁹ en hō̂ kaì toîs en phylakē̂ pneumasin poreutheìs ekḗryxen. (Epístola Pétru A 3:18-19)

 

Tradução:

“¹⁸ Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito,
¹⁹ no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão”... (1ª Epístola de Pedro 3:18-19)


 

Texto português-grego


“¹⁸ Pois ὅτι também καί Cristo Χριστός morreu πάσχω, uma única vez ἅπαξ, pelos περί pecados ἀμαρτία, o justo δίκαιος pelos ὑπέρ injustos ἄδικος, para ἵνα conduzir-vos προσάγω ἡμᾶς a Deus θεός; morto θανατόω, sim μέν, na carne σάρξ, mas δέ vivificado ζωοποιέω no espírito πνεῦμα, ¹⁹ no ἔν qual ὅς também καί foi πορεύομαι e pregou κηρύσσω aos espíritos πνεῦμα em ἔν prisão φυλακή,” (1Pedro 3:18-19)


 

Breve análise das principais palavras

Verso 18

ὅτι (hóti)

  • Conjunção.
  • Significa: “porque”, “pois”.
  • Introduz a explicação do sofrimento cristão com base no exemplo de Cristo.

Χριστός (Christós)

  • Substantivo masculino nominativo
  • “Cristo”, “Messias”, “Ungido”.
  • Equivale ao hebraico מָשִׁיחַ (Mashiaḥ – pronúncia: Mashíarr).

ἅπαξ (hápax)

  • Advérbio.
  • Significa: “uma vez”, “de uma vez por todas”.
  • Destaca o caráter único e definitivo da morte de Cristo.

περὶ ἁμαρτιῶν (perì hamartiôn)

  • Literalmente: “acerca dos pecados” ou “pelos pecados”.
  • ἁμαρτιῶν = genitivo plural de ἁμαρτία (“pecado”).
  • Expressão sacrificial muito comum na Septuaginta.

ἀπέθανεν (apéthanen)

  • Verbo.
  • Aoristo de ἀποθνῄσκω.
  • Significa: “morreu”.

δίκαιος (díkaios)

  • Adjetivo.
  • “Justo”, “reto”.
  • Refere-se à inocência moral de Cristo.

ὑπὲρ ἀδίκων (hypèr adíkōn)

  • Literalmente: “em favor dos injustos”.
  • ἀδίκων = “injustos”, “ímpios”.
  • A preposição ὑπέρ frequentemente possui sentido substitutivo ou representativo.

ἵνα (hína)

  • Conjunção final.
  • “Para que”.
  • Introduz propósito.

προσαγάγῃ (prosagágē)

  • Verbo no subjuntivo aoristo.
  • De προσάγω.
  • Significa: “conduzir”, “levar à presença”.
  • Ideia sacerdotal de acesso a Deus.

τῷ θεῷ (tō̂ theō̂)

  • “A Deus”.
  • Dativo singular.

θανατωθεὶς (thanatōtheìs)

  • Particípio aoristo passivo.
  • De θανατόω.
  • “Sendo morto”, “tendo sido morto”.

σαρκί (sarkì)

  • Dativo de σάρξ (sárks).
  • “Carne”.
  • Frequentemente refere-se à condição humana/corpórea.

ζωοποιηθεὶς (zōopoiētheìs)

  • Particípio aoristo passivo.
  • De ζῳοποιέω.
  • “Vivificado”, “feito vivo”.

πνεύματι (pneumati)

  • Dativo de πνεῦμα (pneuma).
  • “Espírito”.
  • Uma das expressões mais debatidas do texto:
    • “vivificado no espírito” (ARA) 
    • “pelo Espírito” (NVI'93)
    • “em esfera espiritual” (outros) 

Verso 19

ἐν ᾧ (en hō̂)

  • Literalmente: “no qual”.
  • Pode referir-se:
    • ao “espírito”
    • ao estado espiritual de Cristo
    • ou ao Espírito Santo (dependendo da interpretação).

πορευθεὶς (poreutheìs)

  • Particípio aoristo.
  • De πορεύομαι (poreúomai).
  • “Tendo ido”, “indo”.

ἐκήρυξεν (ekḗryxen)

  • Verbo aoristo.
  • De κηρύσσω (kêrýssô).
  • “Proclamou”, “pregou”.

Isso abre espaço para interpretações como:

  • proclamação de vitória,
  • anúncio de juízo

πνεύμασιν (pneúmasin)

  • Dativo plural de πνεῦμα (pneuma).
  • “Espíritos”.
  • Muito discutido:
    • espíritos humanos?
    • anjos caídos?
    • geração anteduluviana? 

φυλακῇ (fylakē̂ )

  • Substantivo feminino.
  • “Prisão”, “custódia”, “guarda”. 

  

Observação exegética importante

Para muitos intérpretes, esse é um dos textos mais difíceis do Novo Testamento. As principais interpretações históricas são:

  1. Cristo pregou por meio de Noé à geração antediluviana.
  2. Cristo desceu ao Hades e proclamou algo aos mortos.
  3. Cristo proclamou vitória aos anjos caídos (comparar com Gênesis 6 e 2 Pedro 2:4).

O ponto central do contexto, porém, parece ser:

  • sofrimento injusto,
  • vindicação,
  • vitória final de Cristo.

Interpretações divergentes


Sem analisar todas as palavra e frases desses dois versos, gostaria de me deter primeiramente na expressão: “Morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito, no qual foi e pregou aos espíritos em prisão”

Essa passagem bíblica tem sido, de longa data, de difícil interpretação para os expositores da Bíblia.

Principais interpretações 

  
  1. Literal: Cristo estava morto na carne, mas vivo espiritualmente, e em espírito foi ao Hades e pregou aos espíritos aprisionados;
  2. Outra posição é que Cristo, depois da sua morte e ressurreição, foi até os anjos aprisionados, que pecaram nos dias de Noé e lhes proclamou a sua vitória sobre a morte e Satanás. 
  3. Outra posição é que Cristo, pelo Espírito Santo, proclamou através da pregação de Noé a mensagem de arrependimento aos seus contemporâneos. 

Essas duas últimas interpretações são daqueles que não acreditam que Jesus foi ao Inferno (Hades) ao morreu na cruz. 

Para mim essa terceira é a pior: que o Senhor Jesus foi pelo Espírito Santo e, por meio de Noé, pregou o arrependimento àquela sua geração anteduluviana (que confusão!). 

Na minha opinião isso é forçar o texto a dizer algo que ele não diz, pois está claro, inclusive em português (principalmente para quem aprendeu análise de texto nas aulas de português, na escola), e repito destacando: "morto, sim, na carne, MAS vivificado no espírito, NO QUAL FOI e pregou aos espíritos em prisão". Nesse texto Pedro está usando uma antítese deliberada, ou seja, Cristo estava morto fisicamente, mas vivo espiritualmente, e em espírito foi e pregou aos espíritos em prisão. Ou seja, as expressões “na carne” e “no espírito” formam um contraste proposital e antitético. Pedro não está apenas dizendo que Cristo morreu fisicamente — algo óbvio a qualquer ser humano — mas que, embora morto quanto à esfera da carne, continuava vivo quanto ao espírito. É só acreditar no que está escrito! 

As palavras "na carne" são claramente designadas para denotar algo que foi único em sua morte. Quão singular seria dizer de Tiago, Pedro ou Paulo foram mortos na carne! Quão óbvio seria perguntar: De que outra forma as pessoas geralmente são mortas? Então é óbvio que o texto realmente diz: "Ele estava morte na carne, mas não no espírito". E continua: “no qual (em espírito) também foi e pregou aos espíritos em prisão”. Ver Isaías 42:7.

Outra coisa: para quem Jesus pregou está claro no verso seguinte 20 (e seguintes):

“²⁰ os quais, noutro tempo, foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé,. enquanto se preparava a arca, na qual poucos, a saber, oito pessoas, foram salvos, através da água” (1Pedro 3:20). 


O texto diz claramente que Cristo estava morto, sim, na carne, mas vivificado (vivo) em espírito, e no qual (em espírito) foi e pregou aos espíritos em prisão que outrora (antigamente) foram desobediente no tempo de Noé. O texto é bem claro. Sou da mesma fé evangélica do pastor Nicodemus, mas não concordo com ele nesses tópicos.>>


O que muitos ignoram é que no tempo de Cristo o Paraíso ainda estava no Hades (em grego) / Seol (Sheol em hebraico), conforme Ezequiel 31:15-18ss e 32:18-21.

E logo depois, no capítulo 4:6, de 1ª Pedro, está escrito que o Evangelho foi pregado a mortos e que estes foram salvos! Não todos, mas os que foram desobedientes do tempo de Noé, segundo o verso 20 do capítulo anterior. É um texto difícil, mas se está escrito, eu creio. 

E alguns rebatem: mortos em seus delitos e pecados! Muito pelo contrário, pois o texto é claro ao dizer que estes mortos, “mesmo julgados na carne segundo os homens, vivam no espírito segundo Deus”.

Ora, os mortos em seus delitos e pecados estão vivos para os homens, mas mortos para Deus. O texto bíblico fala dos mortos na carne e não os mortos espirituais.

Há algo interessante a observar:

  • em 3:19 ➙ proclamação aos espíritos em prisão;
  • em 4:6 ➙ evangelização dos mortos.



Testemunhos antigos 

Muitos pais da igreja primitiva criam numa descida de Cristo ao Hades:

  • Irineu de Lião
  • Clemente de Alexandria
  • Orígenes

E isso acabou entrando inclusive no:
Credo Apostólico na famosa expressão:
“desceu ao Hades” / “desceu aos infernos” / desceu à mansão dos mortos — corforme cada versão. 

Ou seja, minha interpretação literal não é moderna nem isolada historicamente.

  

  

O Testemunho da Peshitta 

Peshitta — Primeira Epístola de Pedro 3:18-19

”¹⁸ ܡܸܛܼܠ ܕ݁ܵܐܦ݂ ܡܫܝܼܚܵܐ ܚܕ݂ܵܐ ܙܒ݂ܲܢ ܡܝܼܬ݂ ܚܠܵܦ݂ ܚܛܵܗܲܝܢ ܙܲܕ݁ܝܼܩܵܐ ܚܠܵܦ݂ ܚܲܛܵܝܹܐ ܕ݁ܲܢܩܲܪܸܒ݂ܟ݂ܘܿܢ ܠܐܲܠܵܗܵܐ ܘܡܝܼܬ݂ ܒ݁ܲܦ݂ܓ݂ܲܪ ܘܲܚܝܵܐ ܒ݁ܪܘܿܚ ¹⁹ ܘܲܐܟ݂ܪܸܙ ܠܢܲܦ݂ܫܵܬ݂ܵܐ ܐܲܝܠܹܝܢ ܕ݁ܲܐܚܝܼܕ݂ܵܢ ܗ݈ܘܲܝ ܒ݁ܲܫܝܘܿܠ“ (1 Petros 3:18-19)

 

“¹⁸ Porque também o Messias uma vez morreu por causa dos pecados, o Justo em lugar dos pecadores, para vos aproximar de Deus; e morreu na carne, mas viveu no espírito.

¹⁹ E proclamou às almas daquelas que estavam presas no Sheol.”


Análise rápida de algumas expressões

ܡܫܝܼܚܵܐ (Mshīḥā)

  • “Messias”, “Cristo”, “Ungido”.

Equivalente ao hebraico:

  • מָשִׁיחַ (Mashiaḥ – pronúncia: Mashíarr).

ܚܕ݂ܵܐ ܙܒ݂ܲܢ (ḥdā zban)

  • “uma vez”,
  • “uma única vez”.

ܙܲܕ݁ܝܼܩܵܐ (zaddīqā)

  • “o Justo”.

Relacionado ao hebraico:

  • צַדִּיק (tsaddīq).

ܚܲܛܵܝܹܐ (ḥaṭṭāyē)

  • “pecadores”.

ܒ݁ܲܦ݂ܓ݂ܲܪ (b-paghrā)

  • “na carne”,
  • literalmente “no corpo”.

ܒ݁ܪܘܿܚ (b-rūḥ)

  • “no espírito”.

Relacionado ao hebraico:

  • רוּחַ (rúaḥ = rúarr).

ܐܟ݂ܪܸܙ (akhrez)

  • “proclamou”,
  • “pregou”.

Mesmo conceito do grego:

  • ἐκήρυξεν (ekḗryxen).

ܠܢܲܦ݂ܫܵܬ݂ܵܐ (l-nafshāthā)

  • “às almas”.

Relacionado ao hebraico:

  • נֶפֶשׁ (néfesh).

ܕ݁ܲܐܚܝܼܕ݂ܵܢ (da’aḥīdān)

  • “que estavam presas”,
  • “detidas”.

ܒ݁ܲܫܝܘܿܠ (Ba-Sheol )

  • “no Sheol”.

Equivalente hebraico do:

  • Hades grego,
  • Infernus latino, 
  • mundo dos mortos,
  • região invisível dos falecidos.

Na Peshitta, o final de Primeira Epístola de Pedro 3:19 traz:

ܒ݁ܲܫܝܘܿܠ (ba-Sheol) = “no Sheol”.

Ou seja, a tradição siríaca não apenas fala de “prisão”, mas explicitamente associa o local ao Sheol/Hades.

Isso é muito significativo porque o siríaco:

  • é uma língua semítica,
  • muito próxima do aramaico,
  • preserva diversas concepções judaicas antigas,
  • e frequentemente traduz conceitos gregos para categorias semíticas tradicionais.

  

O detalhe mais interessante

No texto grego temos:

ἐν φυλακῇ (en phylakē) = “em prisão”.

Mas a Peshitta verte a ideia de modo mais interpretativo:

“as almas que estavam presas no Sheol”.

Observe os termos:

ܢܲܦ݂ܫܵܬ݂ܵܐ (nafshāthā)

  • “almas”.

E não apenas “espíritos”.


ܐܲܚܝܼܕ݂ܵܢ (aḥīdān)

  • “presas”,
  • “detidas”.

ܫܝܘܿܠ (Sheol)

O próprio Sheol hebraico:

  • עולם (Olam) dos mortos,
  • equivalente funcional do Hades grego.

Isso mostra que os tradutores siríacos antigos entenderam o texto como uma referência ao mundo dos mortos.


Isso é importante historicamente

Porque demonstra que essa interpretação:

  • não é invenção medieval,
  • nem católica posterior,
  • nem espiritista moderna,
  • mas possui raízes muito antigas na tradição oriental semítica cristã.

Outro detalhe fortíssimo

Podemos notar que a Peshitta usa:

ܢܲܦ݂ܫܵܬ݂ܵܐ (nafshāthā) = “almas”.

Isso é impressionante porque:

  • o grego possui πνεύμασιν (“espíritos”),
  • mas o siríaco interpretou como “almas”.

Isso sugere que os tradutores entenderam tratar-se de seres humanos mortos — os antediluvianos — e não anjos caídos.


Conexão fortíssima com 1 Pedro 4:6

Agora nosso argumento ganha ainda mais força:

1 Pedro 3:19

Cristo proclamou às almas presas no Sheol.

1 Pedro 4:6

O evangelho foi pregado aos mortos.

Dentro da tradição siríaca antiga, esses textos ficam ainda mais conectados.


Isso também explica o antigo tema da “Descida de Cristo ao Hades”

Muito difundido no cristianismo oriental:

  • Cristo desce ao Sheol/Hades,
  • quebra as portas da morte,
  • proclama vitória,
  • e liberta os justos antigos.

Tema extremamente presente:

  • na patrística oriental,
  • na liturgia siríaca,
  • nos ícones orientais da Anastasis.

Um pequeno detalhe filológico

A preposição:

ܒ݁ (b-) em: ܒ݁ܲܫܝܘܿܠ significa:

  • “em”,
  • “no”.

Literalmente:

“no Sheol”.

Muito explícito.


Essa observação da Peshitta ficou excelente para enriquecer o nosso estudo porque:

  • traz uma testemunha textual oriental antiga,
  • semítica,
  • muito próxima do ambiente judaico-cristão primitivo,
  • corroborando uma leitura mais literal do texto de Pedro.


  

Primeira Epístola de Pedro 3:18-19 em Copta


Tanto o copta boáirico quanto o saídico preservam uma leitura extremamente próxima do grego e, mais uma vez, reforçam o contraste:
  • morto na carne,
  • vivo no espírito,
  • e então indo proclamar aos espíritos em prisão.

E note algo importante: diferentemente da Peshitta, os textos coptas preservam mais literalmente a expressão grega “espíritos em prisão”.


  

Tradução literal do Copta Boáirico

18 “Porque também Cristo morreu uma vez pelos pecados, o Justo pelos injustos, para vos conduzir para dentro de Deus; tendo morrido na carne, mas vivendo no espírito.
19** Neste, também aos outros espíritos que estavam na prisão, foi e proclamou a eles.”


Análise de pontos importantes do Boáirico

⳿ϥⲟⲛϧ ⲇⲉ ϧⲉⲛ ⲡⲓⲡ͞ⲛⲁ̅

  • “mas vive no espírito”.

O copta não suaviza a ideia. Cristo:

  • morreu quanto à carne,
  • mas estava vivo no espírito.

ϧⲉⲛ ⲫⲁⲓ

  • “neste”,
  • “nele”.

Equivalente do grego:

ἐν ᾧ (“no qual”).

Ou seja:

  • “nesse espírito”,
  • “nessa condição espiritual”.

ⲡⲓ⳿ϣⲧⲉⲕⲟ

  • prisão”,
  • “cárcere”.

Equivalente direto do grego:

φυλακή (phylakē).


ⲁϥϩⲓϣⲉⲛⲛⲟⲩϥⲓ

  • “proclamou boas notícias”,
  • “anunciou”.

Aqui o copta parece interpretar a proclamação de modo mais positivo.


Tradução literal do Copta Saídico (v.18)

“Porque Cristo morreu uma vez por nossos pecados, o Justo pelos transgressores, para que vos levasse para dentro de Deus; tendo morrido na carne, mas vivendo no Espírito.”


O que os textos coptas mostram?

Os dois dialetos:

  • preservam claramente a antítese:
    • carne × espírito;
  • mantêm a sequência narrativa natural;
  • não introduzem Noé como pregador;
  • não sugerem uma pregação “através de Noé”;
  • apontam para uma ação do próprio Cristo após a morte corporal.

Comparação muito interessante

Grego

“aos espíritos em prisão”

Peshitta

“às almas presas no Sheol”

Copta

“aos espíritos que estavam na prisão”

Ou seja:

  • o siríaco interpreta o local explicitamente como Sheol;
  • o copta preserva mais literalmente a imagem do cárcere espiritual do grego.

Mas todos mantêm:

  1. Cristo vivo em espírito;
  2. uma ida/proclamação;
  3. destinatários aprisionados após a morte.

Isso é importante textualmente

Porque mostra que tradições cristãs muito antigas:

  • siríaca,
  • egípcia copta,
  • grega,

não pareciam desconfortáveis com a leitura de uma descida de Cristo ao mundo dos mortos.

A resistência maior a essa interpretação aparece posteriormente em alguns setores da teologia ocidental reformada.


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Em 9 de Maio de 2026 

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45 — Hebreus 1:6 e as falsas Testemunhas de Jeová (IA)
https://cacerege.blogspot.com/2026/04/hebreus-16-e-as-falsas-testemunhas-de.html

46 — O Batismo Trinitário de Mateus 28:19
https://cacerege.blogspot.com/2025/06/o-batismo-trinitario-de-mateus-2819.html

47 — O Nome JESUS nos Idiomas Bíblicos
https://cacerege.blogspot.com/2025/06/o-nome-jesus-nos-idiomas-biblicos.html

48 — O Nome JESUS e os neojudaizantes
https://cacerege.blogspot.com/2025/06/o-nome-jesus-e-os-neojudaizantes.html

49 — A Verdadeira Origem da Árvore de Natal
https://cacerege.blogspot.com/2025/12/a-verdadeira-origem-da-arvore-de-natal.html

50 — Batismo: Mergulho ou Aspersão? — Parte 1 (Debate com o ChatGPT)
https://cacerege.blogspot.com/2026/02/debate-com-o-chatgpt-batismo-mergulho.html

51 — Batismo: Mergulho ou Aspersão? — Parte 2 (Debate com o ChatGPT)
https://cacerege.blogspot.com/2026/04/debate-com-o-chatgpt-batismo-mergulho.html

52 — Batismo: Mergulho ou Aspersão? — Parte 3 (Debate com o ChatGPT)
https://cacerege.blogspot.com/2026/03/debate-com-o-chatgpt-batismo-mergulho_2.html

53 — Batismo: Mergulho ou Aspersão? — Parte 4 (Batismo Infantil) - ChatGPT 
https://cacerege.blogspot.com/2026/03/debate-com-o-chatgpt-batismo-mergulho_5.html

54 — O Tetragrama YHWH e sua relação com o siríaco Mar-Yah
https://cacerege.blogspot.com/2026/03/o-tetragrama-yhwh-e-o-siriaco-mar-yah.html

55 — O Lógos/Memra — A Palavra de Deus no Antigo Testamento
https://cacerege.blogspot.com/2026/03/o-logos-palavra-de-deus-no-antigo.html

56 — Nəshāmāh — O Sopro Divino da Vida no Hebraico Bíblico
https://cacerege.blogspot.com/2026/04/nshamah-o-sopro-divino-da-vida-no.html

57 — Jesus teve origem na antiguidade?
https://cacerege.blogspot.com/2026/04/jesus-nao-teve-origem-na-antiguidade.html

58 — O Dilúvio Universal confirmado em diversas culturas (IA)
https://cacerege.blogspot.com/2026/04/o-diluvio-universal-confirmado-em.html

59 — Por que Jeorão morreu e não deixou saudades? (IA)
https://cacerege.blogspot.com/2026/04/por-que-jeorao-morreu-e-nao-deixou.html

60 — A Bíblia Fala de Unicórnios?
https://cacerege.blogspot.com/2026/04/a-biblia-fala-de-unicornios.html

61 — Tannin: Chacal, Serpente ou Monstro Marinho?
https://cacerege.blogspot.com/2026/04/tannin-chacal-serpente-ou-monstro.html

62 — Tannin: Chacal, Serpente ou Monstro Marinho? (IA)
https://cacerege.blogspot.com/2026/04/ia-tannin-chacal-serpente-ou-monstro.html

63 — Leviatã, o Monstro Marinho
https://cacerege.blogspot.com/2026/04/leviata-o-monstro-marinho.html


Obs.: É permitido a cópia para republicações, desde que cite o autor e as respectivas fontes principais e intermediária.



Luís - ܠܘܝܣ- לואיס - 𐤋𐤅𐤀𐤉𐤎 - Ⲗⲟⲩⲓⲥ - Λουίς✍🏼 


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sexta-feira, 8 de maio de 2026

MEMRA/DAVAR nos Targuns Aramaicos - 3

YESHUA é A Palavra (Memra), o Deus Creador nos Targuns Aramaicos (3)

Continuação de:


Memra/Davar nos Targuns Aramaicos – parte-2

https://cacerege.blogspot.com/2022/11/memradavar-nos-targuns-aramaicos-2.html



Os antigos judeus não cristãos, de fala aramaica, tiveram a revelação do Filho de Deus ao traduzirem a Torá e posteriormente as demais Escrituras Sagradas para o aramaico. 

TARGUM (plural hebraico: targumim) é o nome dado às traduções, paráfrases e comentários em aramaico da Bíblia hebraica (Tanakh) escritas e compiladas em Israel e Babilônia, da época do Segundo Templo até o início da Idade Média, utilizadas para facilitar o entendimento aos judeus que não falavam o hebraico como língua mãe, e sim o aramaico. Os dois targumim mais conhecidos são o Targum Onkelos sobre a Torá e o Targum Jonatã ben Uziel sobre os Nevi'im (profetas).

Apresentaremos alguns textos dos Targumim onde os rabinos antigos que traduziram as Escrituras Hebraicas para o Aramaico, identificaram o MEMRA (hebraico: DAVAR = o Verbo, a Palavra) como a imagem visível do Deus invisível, a sua Expressão Viva manifesta aos homens. Este é o METATRON dos escritos rabínicos.

<<De fato, a semelhança entre Deus e Metatron está tão próxima que o rabino Avuyya exclamou: "Há duas autoridades no Céu.": Há o próprio Deus e Sua "Palavra" - o Príncipe da Face, sua imagem expressa e  portador da mensagem de Deus.>>

Quando o povo judeu deixou de falar o hebraico após o cativeiro babilônico e começou a falar o aramaico, houve a necessidade de que o Antigo Testamento fosse traduzido para o aramaico. No início a tradução era feita oralmente onde o texto hebraico era lido e depois interpretado na língua aramaica para o povo entender. Isso é chamado de TARGUM (interpretação) após o primeiro século d.C. traduções da  Torá foram postas por escrito em aramaico e depois quase todo o Antigo Testamento, mais a maior parte dessas traduções eram interpretativas, por isso foram chamadas de Targumim (Targuns).

Muitas das histórias e contos judaicos foram acrescentados aos textos aramaicos, inclusive sobre Abraão numa fornalha de fogo.

Há muitas passagens bíblicas que revelam a Palavra, o Verbo de Deus como o agente que creou todas as coisas e muitas delas Este é apresentado como sendo o próprio Deus (o Filho). Em aramaico é chamado de Memar (Palavra, Verbo), Memra (a Palavra, o Verbo) e Memar-Yah (Yah, abreviação de YaHWeH). Já traduzi mais de 50 passagens bíblicas sobre o Memra nos targuns e estou postando uma a uma num de meus álbuns no Facebook. Ainda faltam outras tantas a traduzir. Agora estou disponibilizando 30 dessas figuras aqui e posteriormente as demais. 

É impressionante como judeus não cristãos tiveram essa revelação do Filho de Deus que estava oculto nos textos bíblicos do A.T.!

Esta é a terceira parte com mais 26 figuras (52 a... ).


Ainda por concluir...


ܞ

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Em 𝕮𝖗𝖎𝖘𝖙𝖔: Luís Antônio Lima dos Remédios 

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Outros estudos já postados

01 — O Novo Testamento NÃO Foi Escrito em Hebraico e/ou Aramaico
http://cacerege.blogspot.com.br/2011/09/o-novo-testamento-nao-foi-escrito-em.html

02 — O espiritismo segundo [alguns] “evangélicos”
http://cacerege.blogspot.com.br/2011/09/o-espiritismo-segundo-alguns.html

03 — Adultério do Coração
http://cacerege.blogspot.com.br/2011/09/adulterio-do-coracao.html

04 — Santa Ceia: vinho ou suco de uva?
http://cacerege.blogspot.com.br/2011/09/santa-ceia-vinho-ou-suco-de-uva.html

05 — O Inferno
http://cacerege.blogspot.com.br/2011/09/o-inferno.html

06 — O Que a Bíblia Diz Sobre a Idolatria
http://cacerege.blogspot.com.br/2011/09/o-que-biblia-diz-sobre-idolatria.html

07 — Deuterocanônicos ou Apócrifos?
http://cacerege.blogspot.com.br/2011/10/deuterocanonicos-ou-apocrifos.html

08 — A divisão das horas do dia nos tempos bíblicos
http://cacerege.blogspot.com.br/2011/10/divisao-das-horas-do-dia-nos-tempos.html

09 — O dia do Senhor: Sábado ou Domingo?
http://cacerege.blogspot.com/2011/11/o-verdadeiro-dia-do-senhor.html

10 — 30 Razões Porque Não Guardo o Sábado
http://cacerege.blogspot.com.br/2012/08/30-razoes-porque-nao-guardo-o-sabado.html

11 — Deus e deuses
http://cacerege.blogspot.com.br/2012/09/deus-e-deuses_9.html

12 — O Nome JESUS
http://cacerege.blogspot.com.br/2012/10/o-nome-jesus.html

13 — O Verbo era um deus?
http://cacerege.blogspot.com.br/2012/11/o-verbo-era-um-deus.html

14 — A Divindade de Cristo negada entre colchetes
http://cacerege.blogspot.com.br/2012/11/a-de-cristo-negada-entre-as-testemunhas.html

15 — Cruz ou estaca de tortura?
http://cacerege.blogspot.com.br/2012/11/cruz-ou-estaca-de-tortura.html

16 — YHWH – Um Nome que será esquecido para sempre
http://cacerege.blogspot.com.br/2014/04/yhwh-um-nome-que-sera-esquecido-para.html

17 — Alma, corpo e espírito
http://cacerege.blogspot.com.br/2014/10/alma-corpo-e-espirito.html

18 — A Peshitta confirma o Novo Testamento grego – 01: CAMELO ou CORDA?
http://cacerege.blogspot.com/2015/03/camelo-peshitta-confirma-o-nt-grego.html

19 — A Peshitta confirma o Novo Testamento grego – 02: LEPROSO ou FAZEDOR DE JARROS?
http://cacerege.blogspot.com.br/2015/03/leproso-peshitta-confirma-o-nt-grego.html

20 — PARAÍSO: HOJE ou UM DIA? (Lucas 23:43)
http://cacerege.blogspot.com.br/2015/08/paraiso-hoje-ou-um-dia-lucas-2343.html

21 — Adultério Virtual
http://cacerege.blogspot.com.br/2017/02/adulterio-virtual_23.html

22 — KeNUMÁ e os modalistas nazarenos
http://cacerege.blogspot.com.br/2017/03/kenuma-e-os-modalistas-nazarenos.html

23 — A Virgem Que Concebeu
http://cacerege.blogspot.com.br/2017/04/a-virgem-que-concebeu.html

24 — A História do Universo (O Livro de Melquisedeque)
http://cacerege.blogspot.com/2017/04/a-historia-do-universo-o-livro-de.html

25 — O Tetragrama na Septuaginta Grega (LXX)
http://cacerege.blogspot.com.br/2017/05/o-tetragrama-na-septuaginta-grega-lxx.html

26 — Os sabatistas e judaizantes “pira” — Parte 1
http://cacerege.blogspot.com/2018/07/os-sabatistas-e-judaizantes-pira-parte-1.html

27 — A transição da escrita páleo-hebraica para a aramaica-assíria nas Escrituras
http://cacerege.blogspot.com/2018/10/a-transicao-da-escrita-paleo-hebraica_22.html

28 — Qual o dia da morte de Jesus?
https://cacerege.blogspot.com/2019/04/qual-o-dia-da-morte-de-jesus.html

29 — Os sabatistas e judaizantes “pira” — Parte 2
https://cacerege.blogspot.com/2019/10/os-sabatistas-e-judaizantes-pira-parte-2.html

30 — As Três Testemunhas da Aspersão
https://cacerege.blogspot.com/2020/02/as-tres-testemunhas-da-aspersao.html

31 — Os sabatistas e judaizantes “pira” — Parte 3
http://cacerege.blogspot.com/2020/02/os-sabatistas-e-judaizantes-pira-parte-3.html

32 — Matar e Assassinar em Hebraico
https://cacerege.blogspot.com/2022/07/matar-e-assassinar-em-hebraico.html

33 — Memra/Davar nos Targuns Aramaicos — Parte 1
https://cacerege.blogspot.com/2022/09/memradavar-nos-targuns-aramaico-1.html

34 — Memra/Davar nos Targuns Aramaicos — Parte 2
https://cacerege.blogspot.com/2022/11/memradavar-nos-targuns-aramaicos-2.html

35 — Memra/Davar nos Targuns Aramaicos — Parte 3
https://cacerege.blogspot.com/2022/11/memradavar-nos-targuns-aramaicos-2.html

36 — Casamento: Instituição Divina (Ideologia de Gênesis)
http://cacerege.blogspot.com/2023/01/divina-ideologia-de-genesis-casamento.html

37 — O Servo Sofredor de Isaías 53 na visão judaica, antiga e moderna
http://cacerege.blogspot.com/2023/02/o-servo-sofredor-de-isaias-53-na-visao.html

38 — Chamar o arco celeste de “arco-íris” é reverenciar uma entidade pagã?
http://cacerege.blogspot.com/2023/03/chamar-o-arco-celeste-de-arco-iris-e.html

39 — E todos os anjos de Deus o adorem
http://cacerege.blogspot.com/2024/01/e-adorem-no-todos-os-anjos-de-deus.html

40 — O Grande Deus e Salvador Jesus Cristo
https://cacerege.blogspot.com/2024/08/o-grande-deus-e-salvador-jesus-cristo.html

41 — Os Gigantes da Antiguidade
https://cacerege.blogspot.com/2024/09/os-gigantes-da-antiguidade.html

42 — A Síndrome da Serpente — Parte 1
https://cacerege.blogspot.com/2024/09/a-sindrome-da-serpente.html

43 — A Síndrome da Serpente — Parte 2
https://cacerege.blogspot.com/2026/04/a-sindrome-da-serpente-2.html

44 — Textos Bíblicos Alterados — Deuteronômio 32:43
https://cacerege.blogspot.com/2025/04/textos-biblicos-alterados-hebreus-16.html

45 — Hebreus 1:6 e as falsas Testemunhas de Jeová (IA)
https://cacerege.blogspot.com/2026/04/hebreus-16-e-as-falsas-testemunhas-de.html

46 — O Batismo Trinitário de Mateus 28:19
https://cacerege.blogspot.com/2025/06/o-batismo-trinitario-de-mateus-2819.html

47 — O Nome JESUS nos Idiomas Bíblicos
https://cacerege.blogspot.com/2025/06/o-nome-jesus-nos-idiomas-biblicos.html

48 — O Nome JESUS e os neojudaizantes
https://cacerege.blogspot.com/2025/06/o-nome-jesus-e-os-neojudaizantes.html

49 — A Verdadeira Origem da Árvore de Natal
https://cacerege.blogspot.com/2025/12/a-verdadeira-origem-da-arvore-de-natal.html

50 — Batismo: Mergulho ou Aspersão? — Parte 1 (Debate com o ChatGPT)
https://cacerege.blogspot.com/2026/02/debate-com-o-chatgpt-batismo-mergulho.html

51 — Batismo: Mergulho ou Aspersão? — Parte 2 (Debate com o ChatGPT)
https://cacerege.blogspot.com/2026/04/debate-com-o-chatgpt-batismo-mergulho.html

52 — Batismo: Mergulho ou Aspersão? — Parte 3 (Debate com o ChatGPT)
https://cacerege.blogspot.com/2026/03/debate-com-o-chatgpt-batismo-mergulho_2.html

53 — Batismo: Mergulho ou Aspersão? — Parte 4 (Batismo Infantil) - ChatGPT 
https://cacerege.blogspot.com/2026/03/debate-com-o-chatgpt-batismo-mergulho_5.html

54 — O Tetragrama YHWH e sua relação com o siríaco Mar-Yah
https://cacerege.blogspot.com/2026/03/o-tetragrama-yhwh-e-o-siriaco-mar-yah.html

55 — O Lógos/Memra — A Palavra de Deus no Antigo Testamento
https://cacerege.blogspot.com/2026/03/o-logos-palavra-de-deus-no-antigo.html

56 — Nəshāmāh — O Sopro Divino da Vida no Hebraico Bíblico
https://cacerege.blogspot.com/2026/04/nshamah-o-sopro-divino-da-vida-no.html

57 — Jesus teve origem na antiguidade?
https://cacerege.blogspot.com/2026/04/jesus-nao-teve-origem-na-antiguidade.html

58 — O Dilúvio Universal confirmado em diversas culturas (IA)
https://cacerege.blogspot.com/2026/04/o-diluvio-universal-confirmado-em.html

59 — Por que Jeorão morreu e não deixou saudades? (IA)
https://cacerege.blogspot.com/2026/04/por-que-jeorao-morreu-e-nao-deixou.html

60 — A Bíblia Fala de Unicórnios?
https://cacerege.blogspot.com/2026/04/a-biblia-fala-de-unicornios.html

61 — Tannin: Chacal, Serpente ou Monstro Marinho?
https://cacerege.blogspot.com/2026/04/tannin-chacal-serpente-ou-monstro.html

62 — Tannin: Chacal, Serpente ou Monstro Marinho? (IA)
https://cacerege.blogspot.com/2026/04/ia-tannin-chacal-serpente-ou-monstro.html

63 — Leviatã, o Monstro Marinho
https://cacerege.blogspot.com/2026/04/leviata-o-monstro-marinho.html

64- Satanás na Bíblia: origem, atuação e destino final

65- Resposta a algumas dúvidas sobre Satanás



👉🏼 Outros estudos postadas que não estão nesta lista, a partir do estudo de nº 66:



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quinta-feira, 7 de maio de 2026

Resposta a algumas dúvidas sobre Satanás


Resposta a algumas dúvidas sobre Satanás 
 

Após minha publicação sobre a "Linha do Tempo de Satanás" (Satanás na Bíblia: origem, atuação e destino final: Linha do Tempo Completa da “Antiga Serpente”) 👉🏼 https://cacerege.blogspot.com/2026/04/satanas-origem-queda-atuacao-e-destino.html?m=1 ), a pedido do meu filho, este me escreveu no WhatsApp:

[04/05, 23:52] André Luis: 
Uma dúvida que ficou na linha do tempo é sobre a queda, qual se tornou o verdadeiro local de repouso e atuação de Satanás após ela, ou não há um único como é popularmente enfatizado (inferno)? Pois ao que indica ele transita livremente da Terra para o Céu (mesmo expulso/rebaixado) e da Terra para o reino dos mortos (o abismo). Qual seria o papel dele frequentando cada um desses lugares, especificamente, e por que isso muda, como muda?

Outra, a influência dele como tentador, acusador e explorador das fraquezas dos homens parece ter um contexto quase semi-onipresente, em que, ainda que não presente fisicamente, está atuando e se perpetuando, sendo assim, qual é então o papel dos demônios/espíritos malignos? São eles anjos caídos ou outrem? Têm eles morada/prisão ou o mesmo poder de transitar na Terra e entre os reinos? Existe alguma hierarquia estabelecida nessas forças malignas durante a atuação de Satanás?

O que também gerou dúvida é quando exatamente Satanás adquire seus anjos, pois a queda inicial sugere ele como único caído, e durante a batalha no céu há a menção dele arrastar um terço das estrelas (anjos) pouco antes da batalha com Miguel, e após serem derrotados, são aprisionados até aguardar o julgamento final, ao que indica, parece que ainda acontecerá ao invés de já ter acontecido antes da formação do mundo ou nos primórdios, sendo assim, se for acontecimento futuro, este tipo de demônio (anjo de Satanás) não existiria ainda. — Mas o apócrifo de Enoque demonstra estrelas já aprisionadas desde a antiguidade aguardando o dia do julgamento, também ditos como lançados no abismo, no qual Semyaza no céu também liderou anjos para ir contra Deus, mas para ir à Terra pelo contexto que é ligado a origem dos nefilins. Caso o apócrifo seja levado em consideração, a prisão que aguarda Satanás e seus anjos já existiria e teria prisioneiros, e ao que entendi, o próprio Satanás parece ter caído nesta prisão no início, mas depois saiu e começou a atuar no mundo, sendo assim, se a batalha for futura, então ainda não haveria anjos caídos atuando ao lado dele, por enquanto. O que novamente me leva a questão do que seria os demônios/espíritos malignos na bíblia, seria somente os espíritos dos nefilins vagando na Terra? E tendo em vista que outros seres celestiais além de Satanás também se rebelaram contra Deus independentemente, esses demônios/espíritos são necessariamente subordinados à ele? Ou apenas a existência e atuação deles é levada em vantagem por satanás?

[04/05, 23:56] André Luis: Eu tenho essas dúvidas pois quero saber o quanto do Diabo midiático está realmente de acordo com o que está escrito. Tanto a linha do tempo, quanto a função, hierarquia e atuação.

[05/05, 00:11] André Luis: Como o Diabo midiático é apresentado:

A guerra no céu já aconteceu antes da criação

Satanás se chama Lúcifer e os seus anjos corrompidos são os demônios

Satanás é como rei do inferno, seus demônios subordinados e o inferno já seria o lago de fogo, que está punindo eles e os condenados desde o princípio

Ele não teria acesso ao Céu

Em apocalipse ele e anticristo seriam a mesma entidade.

Ele somente voltaria ao lago de fogo no final, não mudando seu estado inicial, ou seja, não seria destruído, ficaria eternamente lá.

É somente um resumo, mas é basicamente assim que ele é apresentado em várias obras.


terça-feira, 5 de maio de 2026

Estrela da Manhã em Isaías 14-12

 


A EXPRESSÃO “ESTRELA DA MANHÔ EM ISAÍAS 14:12:

ANÁLISE FILOLÓGICA, CONTEXTO HISTÓRICO E RECEPÇÃO TEOLÓGICA

 


1. Introdução

O texto de Isaías 14:12 constitui uma das passagens mais debatidas da literatura profética, especialmente no que diz respeito à identificação da figura descrita como “estrela da manhã”. Tradicionalmente associada à queda de Satanás, essa interpretação tem sido revisada à luz da análise histórico-crítica e filológica.

O presente estudo propõe examinar o texto em três níveis:

  1. Filológico (hebraico, grego e latim)
  2. Histórico-literário (contexto do Livro de Isaías)
  3. Teológico-recepcional (tradição interpretativa cristã)

2. Texto e análise filológica

2.1 Texto hebraico

”¹² אֵ֛יךְ נָפַ֥לְתָּ מִשָּׁמַ֖יִם הֵילֵ֣ל בֶּן־שָׁ֑חַר נִגְדַּ֣עְתָּ לָאָ֔רֶץ חוֹלֵ֖שׁ עַל־גּוֹיִֽם׃“ (יְשַׁעְיָהוּ 14:12)

Transliteração com pronúncia das guturais:

’Êykh  (Êirh) nāfaltā mishāmáyim Hêlēl ben‑Shāḥar (Xar-rar) nigda‘tā lā’āretz ḥolēsh (Rrholêsh) ‘al‑gōyim.

Transliteração fonética simplificada

Êir ná-fal-tá mi-xa-mái-im Rê-lél ben-Xár-rar nig-dá-tá la-á-retz Rro-lêsh al-gô-yim

Tradução:

“¹² Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações!” (Isaías 14:12)

Isaías 14:12 apresenta a expressão:

הֵילֵל בֶּן־שָׁחַר (hêlêl ben-šaḥar)

O termo הֵילֵל (hêlêl) ocorre apenas neste texto (hapax legomenon) e é geralmente relacionado à raiz הלל (brilhar), sendo compreendido como:

  • “astro brilhante”
  • “estrela resplandecente”

A expressão completa pode ser traduzida como:

“astro brilhante, filho da alvorada”

Embora trata-se de uma metáfora poética, mas nesse texto há um fundo espiritual revelador: a queda de Satanás


2.2 Tradução grega (Septuaginta)

Na Septuaginta, o termo é traduzido por:

ἑωσφόρος (heōsphoros) — “portador da aurora”

Esse termo é usado na literatura grega para designar o planeta Vênus em sua manifestação matutina.


2.3 Tradução latina (Vulgata)

Na Vulgata, produzida por Jerônimo, encontramos:

Lucifer

Do ponto de vista etimológico:

  • lux = luz
  • ferre = portar

Logo, lucifer significa:

“portador da luz”

Importante observar que, no latim clássico e cristão primitivo, o termo não possuía conotação negativa nem era um nome próprio.


3. Ocorrências de “lucifer” na Vulgata

A palavra lucifer aparece em diversos contextos na Vulgata, incluindo usos claramente positivos:

  • Jó 11:17
  • Salmo 109:3
  • 2 Pedro 1:19

Neste último caso, o termo traduz o grego φωσφόρος (phōsphoros), sendo aplicado metaforicamente à iluminação espiritual.

Esse dado demonstra que:

“Lúcifer” não era originalmente um nome próprio, mas um substantivo comum de caráter descritivo.


4. Contexto histórico-literário de Isaías 14

O contexto imediato da passagem é explicitado em Isaías 14:4:

“Proferirás este provérbio contra o rei da Babilônia”

O capítulo apresenta um mashal (provérbio satírico) que ridiculariza a queda de um governante arrogante.

A imagem da “estrela da manhã” deve ser entendida, nesse nível, como:

  • símbolo de exaltação ilusória
  • metáfora de ascensão seguida de queda

A referência ao planeta Vênus é particularmente apropriada, pois:

  • é extremamente brilhante antes do amanhecer
  • desaparece rapidamente com o nascer do sol

5. Interpretação teológica tradicional

Apesar do contexto histórico apontar para um rei humano, a tradição cristã desenvolveu uma leitura secundária (tipológica) da passagem.

Teólogos como:

  • Orígenes
  • Agostinho de Hipona

interpretaram Isaías 14:12 como uma descrição da queda de Satanás.

Essa interpretação baseia-se em paralelos temáticos:

  • orgulho e exaltação (Is 14:13–14)
  • queda e humilhação (Is 14:15)

e em conexões com outros textos, como:

  • Ezequiel 28:12–17
  • Lucas 10:18
  

  
🧠 Meu parecer:

Creio que esses versos, embora dirigidos ao rei da Babilônia, também apontam para uma realidade espiritual mais profunda, associada à queda de Satanás.

Observe:

  • “Como caíste do céu, ó estrela da manhã…” (v. 12)
    👉🏼 Indica uma queda de origem celestial. Isso encontra eco nas palavras de Jesus:

 “Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago.” (Lucas 10:18)

  • “Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus…” (v. 13)
    👉🏼 Expressa ambição por posição celestial, algo além da realidade humana comum.

  • “Subirei acima das mais altas nuvens” (v. 14a)
    👉🏼 Linguagem que aponta para exaltação extrema — não apenas geográfica, mas simbólica e espiritual.

  • “Serei semelhante ao Altíssimo.” (v. 14b)
    👉🏼 Uma pretensão de igualdade com EL Elyon (o Deus Altíssimo) — característica clássica da rebelião espiritual.


6. A linguagem simbólica de “estrelas”

Na literatura bíblica, “estrelas” frequentemente representam seres espirituais:

  • Jó 38:7 → anjos
  • Apocalipse 12:9 → anjos caídos
  • Apocalipse 9:1 → entidade associada ao abismo

Essa simbologia fornece base para a leitura teológica que associa Isaías 14 à queda de Satanás, embora tal leitura não seja exigida pelo contexto original.


7. A declaração de Jesus em Lucas 10:18

O texto:

“Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago”

utiliza o termo grego ἀστραπή (astrapē), que indica:

  • brilho súbito
  • rapidez

Embora não haja conexão lexical direta com “estrela”, há convergência imagética:

  • queda visível
  • manifestação luminosa

8. Contraste cristológico: a verdadeira “estrela da manhã”

Em Apocalipse 22:16, Cristo declara:

“Eu sou... a brilhante estrela da manhã”

No grego:

ὁ ἀστὴρ ὁ λαμπρὸς ὁ πρωϊνός

Esse uso revela um contraste teológico significativo:

  • a “estrela” de Isaías → símbolo de queda
  • Cristo → símbolo de luz permanente e soberana

9. Conclusão

A análise permite distinguir três níveis interpretativos:

9.1 Filológico

A expressão refere-se originalmente a um astro luminoso, provavelmente o planeta Vênus.

9.2 Histórico

O texto é uma sátira contra o rei da Babilônia, dentro de um contexto profético específico.

9.3 Teológico

A tradição cristã reinterpretou a passagem como uma descrição da queda de Satanás, em chave tipológica.


10. Considerações finais

A identificação de “Lúcifer” como nome próprio de Satanás:

  • não encontra base no texto hebraico
  • deriva da tradição latina
  • foi consolidada posteriormente na teologia cristã

Contudo, a leitura teológica permanece relevante dentro da tradição interpretativa, desde que distinguida do sentido histórico original.


19/Outubro/2021

Em Cristo: Luís Antônio Lima dos Remédios - 𝓛𝓾𝓲𝓼𝓐𝓷𝓽𝓸𝓷𝓲𝓸𝓒𝓪𝓬𝓮𝓻𝓮𝓰𝓮✍🏼ܠܘܝܣ