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sábado, 9 de maio de 2026

A Descida de Cristo ao Hades


Primeira Epístola de Pedro 3:18-19 — Sobre a Descida de Cristo ao Hades

  

🇬🇷 1. Texto Original em Grego 

  
¹⁸ ⲟⲧⲓ ⲭ̅ⲥ̅ ⲁⲡⲁⲝ ⲡⲉⲣⲓ ⲧⲱ̅ ⲁⲙⲁⲣⲧⲓⲱⲛ
ⲩⲡⲉⲣ ⲏⲙⲱⲛ ⲁⲡⲉⲑⲁⲛⲉⲛ ⲇⲓⲕⲁⲓⲟⲥ ⲩⲡⲉⲣ
ⲁⲇⲓⲕⲱⲛ ⲓⲛⲁ ⲡⲣⲟⲥⲁⲅⲁⲅⲏ ⲧⲱ ⲑ̅ⲱ̅ 
ⲑⲁⲛⲁⲧⲱⲑⲉⲓⲥ ⲙⲉⲛ ⲥⲁⲣⲕⲉⲓ ⲍⲱⲟⲡⲟⲓⲏⲑⲉⲓⲥ
ⲇⲉ ⲡ̅ⲛ̅ⲓ ¹⁹ ⲉⲛ ⲱ ⲕⲁⲓ ⲧⲟⲓⲥ ⲉⲛ ⲫⲩⲗⲁⲕⲏ
ⲡ̅ⲛ̅ⲁ̅ⲥ̅ⲓⲛ̅ ⲡⲟⲣⲉⲩⲑⲉⲓⲥ ⲉⲕⲏⲣⲩⲝⲉⲛ 
(Ⲡⲉⲧⲣⲟⲥ Ⲁ Ⲛ – 3:18-19 - Codex Sinaiticus)
  

Transcrição em letras minúsculas:

   
¹⁸ ὅτι χριστὸς ἅπαξ περὶ τῷ ἁμαρτιῶν
ὑπὲρ ημών ἀπέθανεν, δίκαιος ὑπὲρ
ἀδίκων, ἵνα προσαγάγῃ τῷ θεῷ,
θανατωθεὶς μὲν σαρκεὶ ζωοποιηθεὶς
δὲ πνεύματι· ¹⁹ ἐν ᾧ καὶ τοῖς ἐν φυλακῇ
πνεύμασιν πορευθεὶς ἐκήρυξεν”
(Επιστολή Πέτρου Α 3:18-19)


 

Transliteração

  
¹⁸
hóti  Christòs hápax perì tô hamartiôn
hyper hêmôn apéthanen, díkaios hypèr
adíkōn, hína prosagágē tō̂ theō̂,
thanatōtheìs mèn sarkeì zōopoiētheìs
dè pneumati; ¹⁹en hō̂ kaì toîs en phylakē̂
pneumasin poreutheìs ekḗryxen.
(Epístolê Pétru A - 3:18-19)
 

Tradução:

“¹⁸ Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito, ¹⁹ no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão”...
(1ª Epístola de Pedro 3:18-19)

 

Texto português-grego


“¹⁸ Pois ὅτι também καί Cristo Χριστός morreu πάσχω, uma única vez ἅπαξ, pelos περί pecados ἀμαρτία, o justo δίκαιος pelos ὑπέρ injustos ἄδικος, para ἵνα conduzir-vos προσάγω ἡμᾶς a Deus θεός; morto θανατόω, sim μέν, na carne σάρξ, mas δέ vivificado ζωοποιέω no espírito πνεῦμα, ¹⁹ no ἔν qual ὅς também καί foi πορεύομαι e pregou κηρύσσω aos espíritos πνεῦμα em ἔν prisão φυλακή,” (1Pedro 3:18-19)


 

Breve análise das principais palavras

Verso 18

ὅτι (hóti)

  • Conjunção.
  • Significa: “que”, “porque”, “pois”.
  • No texto introduz a explicação do sofrimento cristão com base no exemplo de Cristo.

Χριστός (Christós)

  • Substantivo masculino nominativo
  • “Cristo”, “Messias”, “Ungido”.
  • Equivale ao hebraico מָשִׁיחַ (Mashiaḥ – pronúncia: Mashíarr).

ἅπαξ (hápax)

  • Advérbio.
  • Significa: “uma vez”, “apenas uma vez”, “de uma vez por todas”.
  • Destaca o caráter único e definitivo da morte de Cristo.


περὶ ἁμαρτιῶν (perì hamartiôn)

  • Literalmente: “acerca dos pecados” ou “pelos pecados”.
  • ἁμαρτιῶν (hamartiôn) = genitivo plural de ἁμαρτία (hamartía) = “pecado”.
  • Expressão sacrificial muito comum na Septuaginta.

ἀπέθανεν (apéthanen)

  • Verbo.
  • Aoristo de πάσχω = páskhô (ἀποθνῄσκω?)
  • Significa: “padecer”, “morreu”.

δίκαιος (díkaios)

  • Adjetivo.
  • “Justo”, “reto”.
  • Refere-se à inocência moral de Cristo.

ὑπὲρ ἀδίκων (hypèr adíkōn)

  • Literalmente: “em favor dos injustos”.
  • ἀδίκων (adíkōn) = “injustos”, “ímpios”.
  • A preposição ὑπέρ (hypér) frequentemente possui sentido substitutivo ou representativo.

ἵνα (hína)

  • Conjunção final.
  • “Para que”.
  • Introduz propósito.

προσαγάγῃ (prosagágē)

  • Verbo no subjuntivo aoristo.
  • De προσάγω (proságô) .
  • Significa: “conduzir”, “levar à presença”.
  • Ideia sacerdotal de acesso a Deus.

τῷ θεῷ (tō̂ theō̂)

  • “A Deus”.
  • Dativo singular de θεός (Theós).

θανατωθεὶς (thanatōtheìs)

  • Particípio aoristo passivo.
  • De θανατόω (thanatóô).
  • “Sendo morto”, “tendo sido morto”.

σαρκί (sarkì)

  • Dativo de σάρξ (sárks).
  • “Carne”, “corpo”.
  • Frequentemente refere-se à condição humana/corpórea.

ζωοποιηθεὶς (zōopoiētheìs)

  • Particípio aoristo passivo.
  • De ζῳοποιέω (zôopoiéô).
  • “Vivificado”, “feito vivo”.

πνεύματι (pneumati)

  • Dativo de πνεῦμα (pneuma).
  • “Espírito”.
  • Uma das expressões mais debatidas do texto:
    • “vivificado no espírito” (ARA) 
    • “pelo Espírito” (NVI'93)
    • “em esfera espiritual” (outros) 

   

Verso 19

ἐν ᾧ (en hō̂)

  • Literalmente: “no qual”.
  • Referir-se:
    • ao “espírito”
    • ao estado espiritual de Cristo

πορευθεὶς (poreutheìs)

  • Particípio aoristo.
  • De πορεύομαι (poreúomai).
  • “Tendo ido”, “indo”.

ἐκήρυξεν (ekḗryxen)

  • Verbo aoristo.
  • De κηρύσσω (kêrýssô).
  • “Proclamou”, “pregou”.

Algumas interpretações:

  • proclamação de vitória,
  • pregação do Evangelho
  • anúncio de juízo

πνεύμασιν (pneúmasin)

  • Dativo plural de πνεῦμα (pneuma).
  • “Espíritos”.
  • Algumas interpretações:
    • espíritos humanos
    • anjos caídos
    • geração antediluviana

φυλακῇ (fylakē̂ )

  • Substantivo feminino.
  • “Prisão”, “custódia”, “guarda”:
    • refere-se à prisão dos espíritos humanos (Hades) 

  

Observação exegética importante

Para muitos intérpretes, esse é um dos textos mais difíceis do Novo Testamento. As principais interpretações históricas são:

  1. Cristo desceu ao Hades e proclamou algo aos mortos;
  2. Cristo pregou através do Espírito Santo por meio de Noé à geração antediluviana;
  3. Cristo proclamou vitória aos anjos caídos. 

O ponto central do contexto, porém, indica:

  • sofrimento injusto,
  • vindicação,
  • vitória final de Cristo.

  

Interpretações divergentes


Sem analisar todas as palavra e frases desses dois versos, gostaria de me deter primeiramente na expressão: “Morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito, no qual foi e pregou aos espíritos em prisão”

Essa passagem bíblica tem sido, de longa data, de difícil interpretação para os expositores da Bíblia.

Principais interpretações 

  
  1. Literal: Cristo estava morto na carne, mas vivo espiritualmente, e em espírito foi ao Hades e pregou aos espíritos aprisionados;
  2. Outra posição é que Cristo, depois da sua morte e ressurreição, foi até os anjos aprisionados, que pecaram nos dias de Noé e lhes proclamou a sua vitória sobre a morte e Satanás. 
  3. Outra posição é que Cristo, pelo Espírito Santo, proclamou através da pregação de Noé a mensagem de arrependimento aos seus contemporâneos. 

Essas duas últimas interpretações são daqueles que não acreditam que Jesus foi ao Inferno (Hades) ao morreu na cruz. 

Para mim essa terceira é a pior: que o Senhor Jesus foi pelo Espírito Santo e, por meio de Noé, pregou o arrependimento àquela sua geração anteduluviana (que confusão!). 

Na minha opinião isso é forçar o texto a dizer algo que ele não diz, pois está claro, inclusive em português (principalmente para quem aprendeu análise de texto nas aulas de português, na escola), e repito destacando: "morto, sim, na carne, MAS vivificado no espírito, NO QUAL FOI e pregou aos espíritos em prisão". Nesse texto Pedro está usando uma antítese deliberada, ou seja, Cristo estava morto fisicamente, mas vivo espiritualmente, e em espírito foi e pregou aos espíritos em prisão. Ou seja, as expressões “na carne” e “no espírito” formam um contraste proposital e antitético. Pedro não está apenas dizendo que Cristo morreu fisicamente — algo óbvio a qualquer ser humano — mas que, embora morto quanto à esfera da carne, continuava vivo quanto ao espírito. É só acreditar no que está escrito! 

As palavras "na carne" são claramente designadas para denotar algo que foi único em sua morte. Quão singular seria dizer de Tiago, Pedro ou Paulo foram mortos na carne! Quão óbvio seria perguntar: De que outra forma as pessoas geralmente morrem? Então é óbvio que o texto realmente diz: "Ele estava morte na carne, mas não no espírito". E continua: “no qual (em espírito) também foi e pregou aos espíritos em prisão”. Ver Isaías 42:7.

Outra coisa: para quem Jesus pregou está claro na continuação do verso 19 com o verso 20 (e contínuos)

... “¹⁹ no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão,”
“²⁰ os quais, noutro tempo, foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca, na qual poucos, a saber, oito pessoas, foram salvos, através da água”... 


O texto diz claramente para quem Cristo foi pregar: aos espíritos em prisão que outrora (antigamente) foram desobediente no tempo de Noé.

Eu já ouvi homens de Deus da minha mesma fé evangélica ensinando em suas igrejas e em vídeos postados em canais da Internet dizendo que Cristo, quando morreu, foi para junto de seu Pai e ficou aguardando o dia da sua ressurreição! Com esse ensino negam o que o Senhor Jesus falou para Maria Madalena logo após a sua ressurreição, quando diz: 

“¹⁷ Recomendou-lhe Jesus: Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai, mas vai ter com os meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus. (João 20:17)

Podemos ver por esse texto que o próprio Cristo explica sua condição pós-morte, e isso dialoga naturalmente com Primeira Epístola de Pedro 3:19.

Mas algum contra-argumentam: 

“Quando Jesus estava na cruz disse ao malfeitor arrependido: 'Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.ʼ” (Lucas 23:43) Logo, quando ele morreu levou o malfeitor arrependido para o Paraíso que está no Céu.”

Resposta: O que muitos ignoram é que no tempo de Cristo o Paraíso ainda estava no Hades (em grego) / Seol (Sheol em hebraico), conforme Ezequiel 31:15-18ss e 32:18-21.

Na literatura judaica do período o Sheol/Hades:

  • possuía divisões;
  • havia separação entre justos e ímpios;
  • “estar com Abraão” era frequentemente entendido dentro desse mundo inferior.*
______________________________________
(*) O Novo Testamento confirma esse conceito na "história do rico e do Lázaro", contada por Jesus (Lc. 16:19-31):
  
  • todos os mortos iam para o Hades (vs. 22 e 23;
  • havia divisão entre justos e ímpios: os justos em cima e os ímpios na parte inferior (infernus) separados por um grande abismo (μέγας χάσμα [mégas khásma] - v. 26)
  • os justos eram recebidos por Abraão (v. 22). 
Assim, “estar com Abraão” era entendido dentro da concepção judaica antiga do mundo dos mortos.

Isso fortalece a compreensão de que, no tempo de Cristo, o Paraíso ainda estava associado ao Hades/Sheol.

Portanto, Cristo foi ao Paraíso que estava no Hades, cumprindo sua palavra ao malfeitor arrependido.

Então, isso confirma a leitura:

  • Cristo foi ao Paraíso que estava no Hades
  • possui base histórica judaica antiga.

E foi aí que Ele pregou aos espíritos em prisão.

E, logo depois, no capítulo 4:6, de 1ª Pedro, está escrito:

“⁶ pois, para este fim, ufoi o evangelho pregado também a mortos, para que, mesmo julgados na carne segundo os homens, vivam no espírito segundo Deus.”

Embora muitos não creem no que está escrito nesse texto, aí está escrito literalmente que o Evangelho foi pregado a mortos e que estes foram salvos! Não todos, mas os que foram desobedientes do tempo de Noé, segundo o verso 20 do capítulo anterior. Porque foram salvos? Porque o Salvador estava lá! É um texto difícil, mas se está escrito, eu creio. 

E alguns rebatem: "Mortos em seus delitos e pecados, não na carne." Muito pelo contrário, pois o texto é claro ao dizer que estes mortos, “mesmo julgados na carne segundo os homens, vivam no espírito segundo Deus”.

Ora, os mortos em seus delitos e pecados estão vivos para os homens, mas mortos para Deus. O texto bíblico fala dos mortos na carne e não os mortos espirituais.

Há algo interessante a observar:
  • em 3:19 ➙ Pedro usa κηρύσσω (kêrýssō) – proclamação aos espíritos em prisão;
  • em 4:6 ➙ usa εὐαγγελίζω (euangelízō) evangelização dos mortos.
Esse é um desenvolvimento lógico no próprio texto.


  

Onde Jesus estava após sua morte

  
Após a morte do Senhor Jesus, embora seu corpo estivesse no sepulcro aberto em rocha, que foi doado por José de Arimatéia (Mt. 27:57-60), a sua alma não estava nesse sepulcro. 
O próprio Jesus onde estaria após sua morte:
“⁴⁰ Porque assim como esteve Jonas três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra.” (Mateus 12:40)
Por essas palavras do Senhor Jesus, sabemos que ele não estava se referindo ao seu corpo ainda mortal, mas à sua alma. E disso nos dá testemunho Lucas em Atos dos 27 e 31, citando o Salmo 16.10:
“²⁷ Pois não deixarás a minha alma no Hades, nem permitirás que o teu Santo veja a corrupção;
³¹ Nesta previsão, disse da ressurreição de Cristo: que a sua alma não foi deixada no Hades, nem a sua carne viu a corrupção.” (Atos 2:27,31 - Almeida Revista e Corrigida - Portugal )
Pedro distingue:
  • alma ➙ Hades;
  • carne ➙ corrupção (decomposição)
E disso também nos dá testemunho o apóstolo Paulo:
“⁸ Por isso, diz: Quando ele subiu às alturas, levou cativo o cativeiro e concedeu dons aos homens. ⁹ Ora, que quer dizer subiu, senão que também havia descido às regiões inferiores da terra? ¹⁰ Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas.” (Efésios 4:8-10 - ARA)
Interessante como na "Nova Tradução na Linguagem de Hoje" esse texto está  interpretado:
“⁸ Como dizem as Escrituras Sagradas: “Quando ele subiu aos lugares mais altos, levou consigo muitos prisioneiros e deu dons às pessoas.”
⁹ O que quer dizer “ele subiu”? Quer dizer que ele também desceu até os lugares mais baixos da terra, isto é, até o mundo dos mortos.
¹⁰ Assim, quem desceu é o mesmo que subiu, acima e além dos céus, para encher todo o Universo com a sua PRESENÇA. (Efésios 4:8-10 - NTLH) 

Historicamente, muitos pais da Igreja entenderam isso como:

  • descida ao Hades;
  • não mera encarnação.

Mais detalhes sobre a visão dos "Pais" logo mais abaixo. 

Por esses textos podemos compreender melhor o significado de 1Pedro 3:18-20ss e 4.6: Cristo foi ao Hades proclamar sua vitória e pregar as Boas Novas aos espíritos em prisão. Tanto é que após a Sua ressurreição e dito:
 “⁵² abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos, que dormiam, ressuscitaram; ⁵³ e, saindo dos sepulcros depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos.” (O Evangelho segundo Mateus 27:52-53)
“E, quando subiu às alturas, levou cativo o cativeiro”, expressão que muitos intérpretes antigos entenderam como referência à libertação dos santos do Antigo Testamento.

Em Apocalipse 1:18, Cristo diz:
“Tenho as chaves da morte e do Hades.”
Isso encaixa muito bem na linha argumentativa:
  • descida ao Hades,
  • vitória,
  • autoridade sobre a morte.

Note: Somente a alma vai para o Seol/Hades: Sal. 16:10; 30:3; 49:15; Pr. 23:14; At.2:27, 31, etc.

  

Testemunhos antigos 

Muitos pais da igreja primitiva criam numa descida de Cristo ao Hades:
  
  • Irineu de Lião
  • Clemente de Alexandria
  • Orígenes

Esses três pais da Igreja criam, em diferentes formas, na descida de Cristo ao Hades/Sheol após sua morte. Mas cada um desenvolveu isso de maneira distinta.


Irineu de Lião (século II)

Irineu defendia claramente que Cristo:

  • desceu às regiões inferiores da terra,
  • anunciou sua vinda,
  • e libertou os justos antigos.

Ele via isso como cumprimento da obra redentora universal de Cristo.

Em sua obra “Contra as Heresias”, Irineu escreveu:

“O Senhor desceu às regiões inferiores da terra, anunciando também ali sua vinda e a remissão dos pecados aos que creem nele.”

Outro trecho:

“Assim como o Senhor permaneceu no meio da sombra da morte, onde estavam as almas dos mortos...”

Para Irineu:

  • Cristo realmente esteve entre os mortos;
  • não apenas simbolicamente;
  • e isso fazia parte de sua verdadeira humanidade.

Clemente de Alexandria (século II–III)

Clemente foi ainda mais explícito.

Ele cria que Cristo pregou no Hades aos mortos.

Em sua obra Stromata” ele escreve:

“O Senhor pregou o Evangelho aos que estavam no Hades.”

Clemente relaciona isso diretamente com:

  • Primeira Epístola de Pedro 3:19
  • e 4:6.
Mas também Clemente cria que os apóstolos também continuaram pregando ali, o que é uma conjectura sem base bíblica, pois agora os santos vão direto ao Reino dos Céus. (Jo. 14:2 e 3; Atos 7:59; Fp. 1:23, etc.)

  

Orígenes (século III)

Orígenes desenvolveu a ideia ainda mais profundamente.

Para ele:

  • Cristo desceu ao Hades,
  • pregou às almas,
  • e sua obra alcançava até o mundo invisível.

Em sua obra De Principiis” e em suas homilias, Orígenes afirma que:

  • Cristo evangelizou os mortos,
  • derrotou os poderes infernais,
  • e abriu caminho para libertação espiritual.

Orígenes também conectava isso a:

  • Salmos 24 (“Levantai, ó portas…”),
  • e à vitória de Cristo sobre a morte.

Diferenças entre eles

Irineu

  • mais histórico e concreto;
  • Cristo desce e anuncia vitória/libertação.

Clemente

  • enfatiza evangelização dos mortos.

Orígenes

  • desenvolve uma teologia cósmica da redenção no Hades.

Importante: isso era muito antigo

A crença na descida de Cristo ao Hades:

  • era amplamente difundida na Igreja antiga;
  • especialmente no Oriente;
  • muito antes das controvérsias medievais.

  

Algo muito interessante 

Os pais antigos frequentemente relacionavam:

  • Primeira Epístola de Pedro 3:19
  • com 4:6.

Ou seja:

  • Cristo pregou aos espíritos em prisão;
  • e o evangelho foi anunciado aos mortos.

Essa associação é patrística antiga — não uma leitura moderna isolada.


  

Mas atenção histórica

Nem todos os pais entendiam que:

  • os condenados receberam “segunda chance”.

Muitos entendiam a descida de Cristo como:

  • proclamação de vitória,
  • libertação dos justos antigos,
  • derrota da morte,
  • cumprimento messiânico.

Então havia diversidade já nos primeiros séculos. 

E isso acabou entrando inclusive no Credo Apostólico e no Credo de Atanásio na famosa expressão: desceu à mansão dos mortos” “desceu ao Hades” / “desceu aos infernos” (Latim: descendit ad inferos)  — corforme cada versão. 

Ou seja, minha interpretação literal não é moderna nem isolada historicamente.

  

  

🇸🇾 2. Texto em Aramaico-siríaco

   

O Testemunho da Peshitta 

  

Primeira Epístola de Pedro 3:18-19

”¹⁸ ܡܸܛܼܠ ܕ݁ܵܐܦ݂ ܡܫܝܼܚܵܐ ܚܕ݂ܵܐ ܙܒ݂ܲܢ ܡܝܼܬ݂ ܚܠܵܦ݂ ܚܛܵܗܲܝܢ ܙܲܕ݁ܝܼܩܵܐ ܚܠܵܦ݂ ܚܲܛܵܝܹܐ ܕ݁ܲܢܩܲܪܸܒ݂ܟ݂ܘܿܢ ܠܐܲܠܵܗܵܐ ܘܡܝܼܬ݂ ܒ݁ܲܦ݂ܓ݂ܲܪ ܘܲܚܝܵܐ ܒ݁ܪܘܿܚ ¹⁹ ܘܲܐܟ݂ܪܸܙ ܠܢܲܦ݂ܫܵܬ݂ܵܐ ܐܲܝܠܹܝܢ ܕ݁ܲܐܚܝܼܕ݂ܵܢ ܗ݈ܘܲܝ ܒ݁ܲܫܝܘܿܠ“
(1Petros 3:18-19)

Transliteração:

“¹⁸ meṭṭul dāf Məshīḥā ḥəḏā zəvan mīth ḥəlāf ḥəṭāhayn zaddīqā ḥəlāf ḥaṭāye danqarev·khōn lălāhā wəmīth bafgar wa·ḥyā bə·rūḥ ¹⁹ waḵrez lə·nafshāthā ᵓaylēn daḥīḏān way ba·Shəyōl.”

  
Tradução:
  
“¹⁸ Porque também o Messias morreu uma só vez por causa dos nossos pecados, o Justo pelos pecadores, para vos aproximar de Deus; e morto no corpo, mas vivo em espírito ¹⁹ e pregou às almas daqueles que estavam presos no Sheol.” 

   
Análise rápida de algumas expressões
  

ܡܫܝܼܚܵܐ (Məshīḥā)

  • “Messias”, “Cristo”, “Ungido”.

Equivalente ao hebraico:

  • מָשִׁיחַ (Mashiaḥ – pronúncia: Mashíarr).

ܚܕ݂ܵܐ ܙܒ݂ܲܢ (ḥdā zban)

  • “uma vez”,
  • “uma única vez”.

ܙܲܕ݁ܝܼܩܵܐ (zaddīqā)

  • “o Justo”.

Relacionado ao hebraico:

  • צַדִּיק (tsaddīq).

ܚܲܛܵܝܹܐ (ḥaṭṭāyē)

  • “pecadores”.

ܒ݁ܲܦ݂ܓ݂ܲܪ (ba-fghrā)

  • “na carne”,
  • literalmente “no corpo”.

ܒ݁ܪܘܿܚ (bᵊ-rūḥ)

  • “no espírito”.

Relacionado ao hebraico:

  • רוּחַ (rúaḥ = rúarr).

ܐܟ݂ܪܸܙ (akhrez)

  • “proclamou”,
  • “pregou”.

Mesmo conceito do grego:

  • ἐκήρυξεν (ekḗryxen).

ܠܢܲܦ݂ܫܵܬ݂ܵܐ (l-nafshāthā)

  • “às almas”.

Relacionado ao hebraico:

  • נֶפֶשׁ (néfesh).

ܕ݁ܲܐܚܝܼܕ݂ܵܢ (da’aḥīdān)

  • “que estavam presas”,
  • “detidas”.

ܒ݁ܲܫܝܘܿܠ (Ba-Sheol )

  • “no Sheol”.

Equivalente hebraico do:

  • Hades grego,
  • Infernus latino, 
  • mundo dos mortos,
  • região invisível dos falecidos.

Na Peshitta, o final de Primeira Epístola de Pedro 3:19 traz:

ܒ݁ܲܫܝܘܿܠ (ba-Sheol) = “no Sheol”.

Ou seja, a tradição siríaca não apenas fala de “prisão”, mas explicitamente associa o local ao Sheol/Hades.

Isso é muito significativo porque o siríaco:

  • é uma língua semítica,
  • muito próxima do aramaico,
  • preserva diversas concepções judaicas antigas,
  • e frequentemente traduz conceitos gregos para categorias semíticas tradicionais.

   

Um detalhe interessante

No texto grego temos:

ἐν φυλακῇ (en phylakē) = “em prisão”.

Mas a Peshitta verte a ideia de modo mais interpretativo:

“as almas que estavam presas no Sheol”.

Observe os termos:

ܢܲܦ݂ܫܵܬ݂ܵܐ (nafshāthā)

  • “almas”.

E não apenas “espíritos”.


ܐܲܚܝܼܕ݂ܵܢ (aḥīdān)

  • “presas”,
  • “detidas”.

ܫܝܘܿܠ (Sheol)

O próprio Sheol hebraico:

  • עולם (Olam) "mundo" dos mortos,
  • equivalente funcional do Hades grego.

Isso mostra que os tradutores siríacos antigos entenderam o texto como uma referência ao mundo dos mortos.


Isso é importante historicamente

Porque demonstra que essa interpretação:

  • não é invenção medieval,
  • nem católica posterior,
  • nem espiritista moderna,
  • mas possui raízes muito antigas na tradição oriental semítica cristã.

Outro detalhe fortíssimo

Podemos notar que a Peshitta usa:

ܢܲܦ݂ܫܵܬ݂ܵܐ (nafshāthā) = “almas”.

Isso é impressionante porque:

  • o grego possui πνεύμασιν (“espíritos”),
  • mas o siríaco interpretou como “almas”.

Isso sugere que os tradutores entenderam tratar-se de seres humanos mortos — os antediluvianos — e não anjos caídos.


Conexão fortíssima com 1 Pedro 4:6

Agora nosso argumento ganha ainda mais força:

1 Pedro 3:19

Cristo proclamou às almas presas no Sheol.

1 Pedro 4:6

O evangelho foi pregado aos mortos.

Dentro da tradição siríaca antiga, esses textos ficam ainda mais conectados.


Isso também explica o antigo tema da “Descida de Cristo ao Hades”

Muito difundido no cristianismo oriental:

  • Cristo desce ao Sheol/Hades,
  • quebra as portas da morte,
  • proclama vitória,
  • e liberta os justos antigos.

Tema extremamente presente:

  • na patrística oriental,
  • na liturgia siríaca,
  • nos ícones orientais da Anastasis.

Um pequeno detalhe filológico

A preposição:

ܒ݁ (b-) em: ܒ݁ܲܫܝܘܿܠ significa:

  • “em”,
  • “no”.

Literalmente:

“no Sheol”.

Muito explícito, pois indica um lugar (preposição locativa).


Essa observação da Peshitta ficou excelente para enriquecer o nosso estudo porque:

  • traz uma testemunha textual oriental antiga,
  • semítica,
  • muito próxima do ambiente judaico-cristão primitivo,
  • corroborando uma leitura mais literal do texto de Pedro.

  

🇪🇬 3. Traduções Coptas

  

a) Primeira Epístola de Pedro 3:18-19 em Copta Boáirico 

  
“¹⁸ ϫⲉ ⲟⲩⲏⲓ ϩⲱϥ Ⲡⲭ̅ⲥ̅ ⲁϥⲙⲟⲩ ⳿ⲛⲟⲩⲥⲟⲡ ⲉⲑⲃⲉ ⳿ⲫⲛⲟⲃⲓ ⳿ⲉ⳿ϩⲣⲏⲓ ⳿ⲉϫⲱⲛ ⲡⲓ⳿ⲑⲙⲏⲓ ⲇⲉ ⳿ⲉϫⲉⲛ ⲛⲓⲟϫⲓ ϩⲓⲛⲁ ⳿ⲛⲧⲉϥⲉⲛⲧⲉⲛ ⳿ⲉϧⲟⲩⲛ ⳿ⲙⲫϯ ⳿ⲉⲁϥⲙⲟⲩ ⲙⲉⲛ ϧⲉⲛ ⳿ⲧⲥⲁⲣⲝ ⳿ϥⲟⲛϧ ⲇⲉ ϧⲉⲛ ⲡⲓⲡⲡ̅ⲁ̅.” 
“¹⁹ ϧⲉⲛ ⲫⲁⲓ ⲛⲓⲕⲉⲡⲛ̅ⲁ̅ ⲉⲧϧⲉⲛ ⲡⲓ⳿ϣⲧⲉⲕⲟ ⲁϥϣⲉ ⲛⲁϥ ⲁϥϩⲓϣⲉⲛⲛⲟⲩϥⲓ ⲛⲱⲟⲩ.” (1 Petros 3:18-19)

  

Transliteração

“¹⁸ Je ouēi hōf Pkhs afmou enousop ethve ephnovi e-ehrēi ejōn pi-thmēi de ejen ni-oji hina entefenten eqoun emphi; eafmou men khen tsarx, fonkh de khen pipneuma.”
“¹⁹ Khen phai ni-ke-pneuma et-khen pi-shteko afshe naf afhishennoufi nōou.

  

Tradução literal do Copta Boáirico

“¹⁸ Porque também Cristo morreu uma vez pelos pecados, o Justo pelos injustos, para vos conduzir para dentro de Deus; tendo morrido na carne, mas vivendo no espírito.
“¹⁹ Neste, foi também aos outros espíritos que estavam na prisão, e proclamou a eles.”


  

Análise dos pontos mais importantes 

⳿ϥⲟⲛϧ ⲇⲉ ϧⲉⲛ ⲡⲓⲡⲡ̅ⲁ̅ (fonkh de khen pi·pneuma

  • “mas vivo no espírito”.

O copta não suaviza a ideia. Cristo:

  • morreu quanto à carne,
  • mas estava vivo no espírito.

ϧⲉⲛ ⲫⲁⲓ (khen fai)

  • “neste”,
  • “nele”.

Equivalente do grego:

ἐν ᾧ (en hô) “no qual”.

Ou seja:

  • “nesse espírito”,
  • “nessa condição espiritual”.

ⲡⲓ⳿ϣⲧⲉⲕⲟ (pi-shteko

  • prisão”,
  • “cárcere”.

Equivalente direto do grego:

φυλακή (phylakē).


ⲁϥϩⲓϣⲉⲛⲛⲟⲩϥⲓ (afhishennoufi

  • “proclamou boas notícias”,
  • “anunciou”.

Aqui o copta parece interpretar a proclamação de modo mais positivo.


  

b) Primeira Epístola de Pedro 3:18-19 em Copta Saídico 

  
“¹⁸ ϪⲈ ⲠⲈⲬⲢⲒⲤⲦⲞⲤ ⲀϤⲘⲞⲨ ⲚⲞⲨⲤⲞⲠ ϨⲀ ⲚⲈⲚⲚⲞⲂⲈ ⲠⲆⲒⲔⲀⲒⲞⲤ ϨⲀⲚⲢⲈϤϪⲒ ⲚϬⲞⲚⲤ ϪⲈⲔⲀⲀⲤ ⲈϤⲦⲈⲢⲈⲦⲚϨⲰⲚ ⲈϨⲞⲨⲚ ⲈⲠⲚⲞⲨⲦⲈ ⲈⲀϤⲘⲞⲨ ⲘⲚ ϨⲚ ⲦⲤⲀⲢⲜ ⲀϤⲰⲚϨ ⲆⲈ ϨⲘ ⲠⲈⲠⲚⲈⲨⲘⲀ ¹⁹ ϨⲘ ⲠⲀⲒ ⲈⲀϤⲂⲰⲔ ⲀϤⲦⲀϢⲈⲞⲈⲒϢ ⲚⲚⲈⲠⲚⲈⲨⲘⲀ ⲈⲦϨⲘ ⲠⲈϢⲦⲈⲔⲞ” (1 Petros 3:18-19)


  

Transliteração

“¹⁸ Je PeKhristos afmou nousop ha nennobe; pdikaios hanrefji nčons, jekaas efteretn-hōn ehoun epNouti; eafmou men hn tsarx, afōnh de hm pe-pneuma.
“¹⁹ Hm pai eafbōk aftasheoeish n-ne-pneuma ethm peshteko.” 

  

Tradução literal do Copta Saídico

  
“¹⁸ Porque Cristo morreu uma vez por nossos pecados, o Justo pelos transgressores, para que vos levasse para dentro de Deus; tendo morrido na carne, mas vivendo no espírito.”
¹⁹ Neste, também aos outros espíritos que estavam na prisão, foi a eles e proclamou-lhes boas notícias.”

     

O que os textos coptas mostram?

Tanto o copta boáirico quanto o saídico preservam uma leitura extremamente próxima do grego e, mais uma vez, reforçam o contraste:

  • morto na carne,
  • vivo no espírito,
  • e então indo proclamar aos espíritos em prisão.

E note algo importante: diferentemente da Peshitta, os textos coptas preservam mais literalmente a expressão grega “espíritos em prisão”. 

  

Os dois dialetos:

  • preservam claramente a antítese:
    • carne × espírito;
  • mantêm a sequência narrativa natural;
  • não introduzem Noé como pregador;
  • não sugerem uma pregação de Cristo “através de Noé”;
  • apontam para uma ação do próprio Cristo após a morte corporal.

Comparação muito interessante

Grego

“aos espíritos em prisão”

Peshitta

“às almas presas no Sheol”

Copta

“aos espíritos que estavam na prisão”

Ou seja:

  • o siríaco interpreta o local explicitamente como Sheol;
  • o copta preserva mais literalmente a imagem do cárcere espiritual do grego.

Mas todos mantêm:

  1. Cristo vivo em espírito;
  2. uma ida/proclamação;
  3. destinatários aprisionados após a morte.

Isso é importante textualmente

Porque mostra que tradições cristãs muito antigas:

  • siríaca,
  • egípcia copta,
  • grega,

não pareciam desconfortáveis com a leitura de uma descida de Cristo ao mundo dos mortos.

A resistência maior a essa interpretação aparece posteriormente em alguns setores da teologia ocidental reformada. 


  

Apêndice 

O Inferno não é a "SEPULTURA comum da humanidade" (como enganam os testemunhas-de-jeová e os adventistas), pois na Bíblia hebraica existem palavras específicas para "TÚMULO", "SEPULCRO", "SEPULTURA, COVA FUNERÁRIA:

1. קֶבֶר (kéver) – Gen 23:4, 6, 9, 20; 49:30; 50:13; 2Sm. 3:32; 19:37; Jó 3:22; 5:26; Sal. 5:9; Is. 22:16; 53:9; Ez 32:25, etc.;

2. קְבוּרָה (kəvuráh), forma feminina derivada da anterior – Gn. 35:20; 47:30; Deut. 34:6; 1Sam. 10:2; 2Rs. 9:28; 21:26; 23:30; 2Cr. 26:23; Ec. 6:3; Is. 14:20; Jr. 22:19 e Ez 32:23, 24;

3. שַׁחַת (shaḥath) - Jó 17:14; 33:18, 24, 30; Sl. 30:9; 35:7; 55:23; 94:13; Pv. 26:27. Essa palavra também tem outros sentidos: cova, abismo, corrupção, destruição;

4. גָּדִישׁ (gādish) – Jó 21:32 - túmulo, montão). 

E , para o grego neotestamentário, há, pelo menos, três delas:

1- Τάφος (táfos) - Mat. 23:27,29; 27:61,64,66; 28:1; Rom. 3:13, só;

2- Μνῆμα (mnêma) - Luc. 8:27; 23:53; 24: At. 2:29;

3- μνημεῖον (mneméion) - Mat. 5:3; 23:29; 27:52ss; Mar. 5:2ss; 6:29, etc.


Portanto, quando a Bíblia fala de:
  • Sheol (hebraico),
  • ou Hades (grego),
não está se referindo meramente ao túmulo físico, mas ao mundo invisível dos mortos.
  

   

  
Fontes:

1. Alguns textos baseados em uma publicação em ⁠meu Blog: "Estudos Bíblicos e Linguísticos do Cacerege" – 05- O Inferno http://cacerege.blogspot.com.br/2011/09/o-inferno.html

2. ⁠"MyBible", aplicativo de celular com Bíblias em vários idiomas com consultas nos textos em hebraico, grego, siríaco e copta; dicionários integrados: Strong PT Dicionários BDB  Thayer-TVM /  Aramaic-English Peshitta NT Lexicon /  Syriac-English Peshitta NT Lexicon_ / Brawm-Driver-Brigg's Hebrew Definitions + Trayer's Greek Definitions;

3. Revisão ortográfica pela IA ChatGPT que fez correções e sugestões sobre melhoria em minha forma de me expressar em alguns parágrafos.

4. ⁠Dicionário Grego-Português e Português-Grego, por A. Freire, 6ª edição - Livraria Apostolado da Imprensa, Porto, Portugal.

5. Os Pais Apostólicos - traduzido por Almiro Pisetta, Editora Mundo Cristão - 2012;

6. Patrística - Padres Apostólicos, Editora Paulus, 2ª edição;

7. Patrística - Contra as Heresias (Irineu de Lião), Editora Paulus. 



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Obs.: É permitido a cópia para republicações, desde que cite o autor e as respectivas fontes principais e intermediária.



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