Respondendo algumas perguntas de um tal religioso que coloca dúvidas sobre Gênesis 1 e 2 em um grupo do WhatsApp:
🤷🏻♂️ Os 6 dias da criação têm muitos problemas no próprio texto bíblico. Por exemplo:
(1) Gn 1.11-13 fala da criação das árvores, ervas, etc.. Mas, como poderia haver árvores, ervas, sementes, antes do sol? Afinal, não é o sol quem faz a fotossíntese?
👨🏻🏫 Minha resposta:
(1) Como havia plantas antes do sol?
O texto não diz que a Terra estava em trevas absolutas até o quarto dia. Desde o primeiro dia já existia luz:
| “Haja luz” (Gn 1.3)
O Sol aparece no quarto dia não necessariamente como criação da luz em si, mas como estabelecimento dos “luzeiros” para governarem os ciclos do tempo:
| “para sinais, estações, dias e anos” (Gn 1.14)
Ou seja, a luz já existia antes; no quarto dia Deus organiza os astros como reguladores do tempo terrestre.
Além disso, o texto bíblico não está preocupado em explicar processos bioquímicos modernos como fotossíntese. Ele descreve a criação do ponto de vista fenomenológico (como o homem percebe a realidade).
Outro detalhe importante: se Deus é capaz de criar a própria vida, certamente não estaria limitado ao funcionamento natural atual do universo durante os primeiros atos da criação. O milagre da criação precede as leis naturais como hoje as conhecemos.
🤷🏻♂️ (2) Se no terceiro dia já tinha ervas, plantas, etc.. (Gn 1.11-13), como no sexto dia, na criação do homem, Gn 2.5 diz que não havia ervas e tal, porque não havia chuva nem homem para lavrar a terra.. Ué, mas tudo isso não tinha sido criado no terceiro dia? Como que no sexto não havia nada disso por causa da ausência de chuva e do homem?
Minha resposta:
👨🏻🏫 (2) “Como Gn 2.5 diz que não havia ervas?”
Essa é uma das objeções mais comuns, mas ela depende de ignorar o tipo específico de vegetação mencionado em Gn 2.5.
O texto hebraico não fala genericamente de toda vegetação da Terra. Ele distingue tipos específicos ligados ao cultivo humano.
Em Gn 1.11 temos a vegetação criada em geral.
Já Gn 2.5 diz:
| “ainda nenhuma planta do campo havia brotado…”A expressão “planta do campo” e “erva do campo” está relacionada à vegetação agrícola, cultivável, dependente do trabalho humano.
O próprio texto explica:
|“porque o SENHOR Deus ainda não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para lavrar o solo.”
Ou seja:
Gn 1 fala da criação geral da vegetação.
Gn 2 fala da agricultura humana no contexto do Éden.
Não existe contradição; são assuntos diferentes.
Inclusive, depois da queda, a mesma expressão aparece ligada ao cultivo humano:
🤷🏻♂️ (3) Como poderia haver ''tarde e manhã'' nos 3 primeiros dias, se eram o sol e a lua responsáveis por essa contagem do dia (Gn 1.14-16)? Como poderia existir tarde e manhã sem existir o sol para fazer essa contagem?
Gn 1 fala da criação geral da vegetação.
Gn 2 fala da agricultura humana no contexto do Éden.
Não existe contradição; são assuntos diferentes.
Inclusive, depois da queda, a mesma expressão aparece ligada ao cultivo humano:
| “comerás a erva do campo” (Gn 3.18)Isso mostra que o contexto é agrícola.
🤷🏻♂️ (3) Como poderia haver ''tarde e manhã'' nos 3 primeiros dias, se eram o sol e a lua responsáveis por essa contagem do dia (Gn 1.14-16)? Como poderia existir tarde e manhã sem existir o sol para fazer essa contagem?
Minha resposta:
👨🏻🏫 (3) “Como havia tarde e manhã sem o Sol?”
Resposta:
A objeção parte da ideia moderna de que “dia” só pode existir com o Sol visível.
Mas, no texto bíblico, a sequência de luz e trevas já existia desde o primeiro dia:
Além disso, o Sol não cria o tempo, ele apenas o marca para nós.
Mesmo hoje, tecnicamente, um “dia” é definido pela rotação da Terra, não pela existência do Sol em si.
O texto bíblico está mostrando ordem progressiva:
1. Primeiro: luz e trevas.
2. Depois: os corpos celestes para governarem e sinalizarem os ciclos.
Portanto, o quarto dia não cria o conceito de dia e noite; apenas estabelece os governantes desses ciclos.
Outro ponto importante é que muitas dificuldades surgem ao tentar ler Gênesis como se fosse um tratado científico moderno. O objetivo principal do texto é teológico:
Deus criou todas as coisas e a narração de Gênesis é para a realidade do tempo em que foi escrito até os nossos dias:
O texto foi escrito numa época em que povos vizinhos adoravam o Sol, a Lua e as estrelas. Gênesis desmonta isso mostrando que os astros são apenas “luzeiros” criados por Deus.
Primeira réplica
Mas, no texto bíblico, a sequência de luz e trevas já existia desde o primeiro dia:
|“Deus separou a luz das trevas” (Gn 1.4)Assim, “tarde e manhã” indicam alternância entre período iluminado e período escuro, mesmo antes da designação formal dos luzeiros celestes no quarto dia.
Além disso, o Sol não cria o tempo, ele apenas o marca para nós.
Mesmo hoje, tecnicamente, um “dia” é definido pela rotação da Terra, não pela existência do Sol em si.
O texto bíblico está mostrando ordem progressiva:
1. Primeiro: luz e trevas.
2. Depois: os corpos celestes para governarem e sinalizarem os ciclos.
Portanto, o quarto dia não cria o conceito de dia e noite; apenas estabelece os governantes desses ciclos.
Outro ponto importante é que muitas dificuldades surgem ao tentar ler Gênesis como se fosse um tratado científico moderno. O objetivo principal do texto é teológico:
Deus criou todas as coisas e a narração de Gênesis é para a realidade do tempo em que foi escrito até os nossos dias:
- a criação possui ordem;
- o homem não surgiu por acaso;
- os astros não são deuses (como era crença comum na época em que foi escrito);
- tudo depende do Criador.
O texto foi escrito numa época em que povos vizinhos adoravam o Sol, a Lua e as estrelas. Gênesis desmonta isso mostrando que os astros são apenas “luzeiros” criados por Deus.
* * *
Primeira réplica
Depois que eu postei esse texto, o cabra me marcou e escreveu:
🤷🏻♂️ Não vou discutir com IA né?
Se quiser, a gente debate com argumento ponto a ponto. Esse negócio de copiar e colar, é de quem não domina o assunto para debater.
Eu respondi:
👨🏻🏫 A "inteligência artificial" que eu uso é a que está no teclado do meu celular: eu falo e ele digita, depois formato o texto colocando:
- Pontos.
- vírgulas,
- negrito,
- itálicos, etc.
E o debate continuou intercalado.
O que o opositor já deveria saber (pois faz parte de alguns grupos de estudos que eu participo) é que eu componho textos de estudos e refutações e os posto em vários grupos. E faço isso há anos, onde formato, inclusive com tópicos, antes mesmo de haver "inteligência artificial" à disposição de qualquer um.
Mais tarde escrevi:
👨🏻🏫 A maioria dos ateus que gostam de um debate, e também alguns que se dizem cristãos, mas ficam procurando "contradições" na Bíblia, dizem haver contradição entre Gênesis 1 e 2 sobre a criação do homem e da mulher.
O que estes não entendem (ou não querem entender) é que não há contradição entre Gênesis 1 e 2, não somente sobre o assunto descrito acima, mas também sobre a criação do homem.
Em Gênesis 1:26-31, principalmente nos versos 26 e 27, temos uma descrição resumida da criação do homem e da mulher. Depois, em Gênesis 2:7, vemos a formação do homem (Adam) do pó da terra (adamah), e somente mais adiante, nos versos 21 e 22, a formação da mulher.
Em Gênesis 1:26-31, principalmente nos versos 26 e 27, temos uma descrição resumida da criação do homem e da mulher. Depois, em Gênesis 2:7, vemos a formação do homem (Adam) do pó da terra (adamah), e somente mais adiante, nos versos 21 e 22, a formação da mulher.
Por causa disso, teólogos modernistas da chamada “alta crítica” alegam que esses capítulos teriam sido escritos por autores diferentes e desconhecidos. Eles chamam o suposto autor de Gênesis 1 de "S" ou “P” (fonte Sacerdotal — Priestly Source, este na língua inglesa, principalmente) e outras fontes sacerdotais que identifica como P1 e P2, e o tais escriba de Gênesis 2 de “J” (fonte Javista), por causa do uso do nome YHWH (Javé/SENHOR Deus).
Além dessas tais fontes, esses críticos, alegam que existiriam outras “fontes” (de escribas) espalhadas pela Torá: Eloísta (E), Deuteronomista (D), além de subdivisões como D1, D2, D3, etc., chegando ao ponto de afirmarem que até um único texto seria resultado da mistura de vários autores e editores ao longo dos séculos.
Eu mesmo tenho uma Bíblia católica (Bíblia - Mensagem de Deus, Edições Loyola), aliás, muitos boa na tradução, mas que identifica esse tipo de divisão redacional.
Na prática, transformam a Torá numa verdadeira “colcha de retalhos literária”, construída hipoteticamente por redatores anônimos.
Mas a explicação é muito mais simples e natural:
• Gênesis 1 apresenta a criação de forma panorâmica e resumida;
• Gênesis 2 volta ao sexto dia e detalha especificamente a criação do homem, da mulher e o ambiente do Éden.
Ou seja, Gênesis 1 descreve a criação do homem e da mulher de forma geral, enquanto Gênesis 2 explica detalhadamente como isso aconteceu. Simples.
A maioria dos ateus que gostam de um debate, e também alguns que se dizem cristãos, mas ficam procurando "contradições" na Bíblia, dizem haver contradição entre Gênesis 1 e 2 sobre a criação do homem e da mulher.
O que estes não entendem (ou nem querem entender) é que não há contradição entre Gênesis 1 e 2, não somente sobre o assunto descrito acima, mas também sobre a criação do homem.
O problema é que muitas dessas teorias são altamente subjetivas e frequentemente contraditórias entre os próprios estudiosos. Um crítico divide o texto de uma forma; outro já propõe divisões completamente diferentes. Não existe consenso real.
Além disso, diversidade de estilo, repetição, paralelismo, mudança de nomes divinos e recapitulações são características normais da literatura hebraica antiga, especialmente em textos teológicos e narrativos. Isso não prova múltiplos autores.
O uso de diferentes nomes de Deus, por exemplo, possui frequentemente função teológica e contextual:
• Elohim enfatiza Deus como Criador universal e soberano;
• YHWH (Javé/SENHOR) destaca Seu relacionamento pactual e pessoal com o homem.
Assim, Gênesis 1 usa predominantemente Elohim no contexto da criação cósmica, enquanto Gênesis 2 utiliza YHWH Elohim ao focalizar o homem e o Éden.
Muitos críticos partem do pressuposto filosófico de que profecia inspirada e revelação divina não existem. A partir dessa premissa naturalista, procuram explicar a Torá apenas como produto de evolução religiosa humana.
Por isso, o debate não é apenas literário ou histórico, mas também filosófico e teológico.
A cabra fez várias postagens explicando que a vegetação no terceiro dia não poderia ter brotado (negando o que está escrito que brotou) porque ainda não havia a luz do sol para que houvesse fotossíntese (pois sem esse escopo seria impossível), e, para justificar isso, ele escreveu:
🤷🏻♂️ (A) Deus fez uma criação ajustada, tudo que existe, todo ser que respira foi criado dentro de um escopo ajustado. Nada existe fora desse escopo.
(B) se você tirar qualquer traço da criação ela acaba por completo. Não vai existir nada.
Etc.
Então eu respondi:
👨🏻🏫 Embora Deus tenha feito uma criação ajustada, onde tudo que existe, todo ser que respira e que foi criado dentro de um escopo ajustado e que, depois de morto, jamais volta à vida; mas quando Ele quis, vários voltaram a viver, mesmo um que, depois de quatro dias depois que morreu e já cheirando mal, voltou a viver porque o Senhor de toda a vida assim ordenou: "Lázaro, vem para fora!" ✍🏼
Ele fez a tréplica depois de concordar que se Deus quiser pode fazer um morto viver, mas que passará por todo processo natural: terá sangue nas veias circulando, respirará o oxigênio como todo mundo, etc., e depois ainda escreveu:
🤷🏻♂️ As plantas, ervas, sementes foram criadas no terceiro dia (Gn 1.11-13), mas não existiam nem mesmo no dia da criação do homem (Gn 2.5), pois precisava de chuva e o próprio homem.
Os dias da criação parece ser um paralelismo dos assuntos da criação.
Veja que o primeiro e o quarto dia, estão ligados à luz.
O primeiro dia Deus cria a luz, e no quarto os luzeiros que transmitem luz..
Ou seja, parece mais uma narrativa paralela dividida em partes.
O mesmo acontece no segundo e quinto dia, e também no terceiro e sexto dia.
Parece uma combinação.
Eu respondi:
👨🏻🏫 Mais um argumento fraco de quem não conhece inclusive a composição da luz. A luz é uma radiação eletromagnética composta por partículas energéticas chamadas fótons. Ou seja, Deus, em seu poder criou primeiramente essa radiação eletromagnética, os fótons, no primeiro dia. No quarto dia criou corpos celestes capazes de produzirem esse tipo de radiação. Simples (para Deus).
Depois de ele afirmar que sabia sobre a composição da luz e que não estava tratando disso, etc, eu escrevi:
Como eu disse, esse é um argumento fraco, de quem não conhece o poder de Deus e duvida do que está escrito na Bíblia, pois se Deus, que é o princípio de toda luz, estava no momento da criação e criou as ervas que já produziam sementes, mesmo sem a luz do sol para fazer a fotossíntese, assim também criou o homem já adulto sem precisar da fecundação de espermatozoide + óvulo.
Assim sendo, eu prefiro acreditar no que está escrito na Bíblia, do que em homens desviados da verdade bíblica.
Ele:
Você leu o que você escreveu? Parece que você fala as coisas de forma aleatória sem perceber as bizarrices que escreve.
Etc.
Eu respondi finalizando:
👨🏻🏫 Eu escrevi pela tua conclusão bizarra, pois primeiro duvidaste da capacidade de Deus de fazer crescer as plantas no 3º dia sem a presença do sol que ainda nem havia sido criado. Agora algo mais bizarro esse paralelismo da criação da luz no primeiro dia com a criação dos luminares do 4º como se fosse uma mesma narrativa, mas dividida em partes, isso para sustentares que a vegetação criada no 3º dia já recebia a luz solar para fazer a fotossíntese como se Deus não tivesse capacidade de fazer isso sem a presença do sol, por isso tu negas a veracidade da sequência do que está escrito.
Eu creio no que está escrito: 1º dia, a luz, 3º dia, Deus fez brotar a vegetação mesmo sem a presença do sol, e no 4º dia os luminares.
Mas vou parar por aqui, pois não vou ficar "chivendo no molhado". Shalom.
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