ALFABETOS SEMITAS
Introdução
O termo “semítico” pode se referir a uma família linguística, mas, neste estudo, o nosso foco não são propriamente as línguas semíticas, e sim os sistemas de escrita empregados para registrá-las. É importante, portanto, distinguir três conceitos: Língua semítica → refere-se à língua pertencente à família semítica, como hebraico, aramaico, fenício, árabe, ugarítico, acádio, geʿez, entre outras.Sistema de escrita → refere-se ao conjunto de sinais e às regras utilizadas para representar uma língua por escrito.
Alfabeto → é um tipo específico de sistema de escrita no qual os sinais representam, predominantemente, unidades consonantais e/ou vocálicas da língua. Assim, uma língua semítica não possui necessariamente um único sistema de escrita, e um mesmo sistema de escrita pode ser utilizado para registrar línguas diferentes. Este estudo concentra-se principalmente na história e na comparação das escritas semíticas, observando suas formas gráficas, a ordem das letras, seus nomes tradicionais e suas correspondências fonéticas. Entre as tradições aqui apresentadas estão o Ugarítico, Fenício, Paleo-hebraico, Samaritano, Aramaico Imperial, Hebraico Quadrado, Siríaco, Nabateu, Árabe, Mandaico e Geʿez, entre outras. Também será necessário distinguir descendência linguística de descendência gráfica. Duas línguas podem ser parentes linguísticas sem utilizar a mesma escrita, enquanto duas escritas podem apresentar relações históricas mesmo quando utilizadas para línguas diferentes. Por essa razão, a sequência apresentada neste estudo não deve ser entendida como uma única linha evolutiva na qual cada alfabeto simplesmente se transforma no seguinte. Em muitos casos, estamos diante de ramificações, influências, adaptações e desenvolvimentos paralelos. Um exemplo particularmente importante é a tradição aramaica. A escrita aramaica desenvolveu diversas ramificações gráficas, entre elas as tradições que deram origem ou contribuíram para o desenvolvimento de formas como o hebraico quadrado, o siríaco e o nabateu. A tradição nabateia, por sua vez, possui papel importante na história da formação da escrita árabe. Da mesma maneira, o Ugarítico deve ser tratado separadamente: embora seja uma escrita alfabética utilizada para uma língua semítica, seus sinais são cuneiformes e não constituem simplesmente uma etapa gráfica da escrita fenícia. O Geʿez, por sua vez, pertence à história das escritas semíticas do Chifre da África e apresenta uma característica diferente: desenvolveu-se em direção a um sistema abugida, no qual os sinais consonantais são modificados para representar diferentes vogais.
Mais detalhes: Wikipedia – Abugida.
forma gráfica → nome da letra → valor fonético → ordem alfabética → estrutura do sistema → relação histórica entre as escritas.
Dessa maneira, podemos observar como antigos sinais e valores consonantais foram preservados, modificados, adaptados e reorganizados ao longo de muitos séculos, sem confundir a história das línguas semíticas com a história das escritas utilizadas para registrá-las.OS ALFABETOS
1. Alfabeto Fenício / Alfabeto Páleo-hebraico
O alfabeto fenício desenvolveu-se a partir da antiga tradição alfabética cananeia, cuja origem remonta às primeiras escritas alfabéticas semíticas conhecidas como Proto-Sinaítico/Proto-Canaanita. Os fenícios conservaram e adaptaram esse sistema, estabilizando progressivamente as formas gráficas e a ordem das letras.E há uma distinção muito importante
Proto-Sinaítico ≠ Fenício
Veja a diferença:Proto-Sinaítico:
sinais ainda fortemente pictográficos, derivados/adaptados de formas egípcias, empregados para representar sons de uma língua semítica por princípio acrofônico. O corpus é pequeno e algumas identificações continuam discutidas.
Fenício:
uma escrita linear e plenamente alfabética, já bastante convencionalizada, utilizada pelos povos fenícios e posteriormente difundida por grande parte do Mediterrâneo. A transformação não aconteceu de uma geração para outra. Houve um longo período de desenvolvimento das formas proto-cananeias. É justamente por isso que alguns especialistas preferem falar em “Early Alphabetic” (alfabeto inicial) para abranger essas primeiras manifestações, em vez de imaginar um único “alfabeto Proto-Sinaítico” perfeitamente definido que posteriormente foi simplesmente transmitido aos fenícios. Essa é somente uma ilustração didática da possível derivação alfabética e da correspondência gráfica ao longo do tempo:
𓃾 ➙ ܐ ➙ א ➙ 𐤀
boi → ʾĀlep → ʾÁlef → ʾĀlep
𓃾 ➙ ܐ ➙ א ➙ 𐤀 ➙ A ➙ A
sinal pictográfico → Siríaco ʾĀlap → Hebraico ʾÁlef → Fenício ʾĀlep → Grego Alfa → Latim A
Legado Histórico
O alfabeto fenício, desenvolvido a partir das antigas tradições alfabéticas cananeias, relacionadas às primeiras escritas alfabéticas conhecidas como proto-sinaíticas, revolucionou a comunicação no Mediterrâneo e serviu de base para diversas escritas alfabéticas posteriores, tanto no Ocidente quanto no Oriente, incluindo as tradições grega, latina, aramaica e outras.Alfabeto Fenício:
𐤀 𐤁 𐤂 𐤃 𐤄 𐤅 𐤆 𐤇 𐤈 𐤉 𐤊 𐤋 𐤌 𐤍 𐤎 𐤏 𐤐 𐤑 𐤒 𐤓 𐤔 𐤕