Tanakh Peshitta
1) ܐܸܫܲܥܝܵܐ (ᵓIshaᶜyā) Isaías 9:6
ܡܸܛܠ ܕܝܲܠܕܵܐ ܐܸܬ̣̱ܝܼܠܸܕ݂ ܠܲܢ:
ܘܲܒ̣ܪܵܐ ܐܸܬ̣̱ܝܼܗܸܒ̣ ܠܲܢ. ܘܲܗܘ̤ܵܐ
ܫܘܼܠܛܵܢܹܗ ܥܲܠ ܟܲܬ̣ܦܹܗ. ܘܐܸܬ̣ܩ̄ܪܝܼ
ܫܡܹܗ ܕܘܼܡܵܪܵܐ ܘܡܵܠܘܿܟ݂ܵܐ: ܐܲܠܵܗܵܐ
ܓܲܢ̄ܒܵܪܵܐ ܕܥܵܠܡܹ̈ܐ: ܫܲܠܝܼܛܵܐ ܕܲܫܠܵܡܵܐ܀
מִטֻל דּיָלדָּא אִתִילִד לַן,וַברָא אִתִיהִב לַן, וַהוָאשֻׁולטָנֵה עַל כַּתפֵּה וֵאתקרִישׁמֵה דֻּומָרָא ומָלוֹכָא, אַלָהָאגַּנבָּרָא דּעָלמָא, שַׁלִיטָא דַּשׁלָמָא :
Transliteração:
Miṭul d'yāldāᵓ ᵓiTHīlid lan;
Tradução:
“Porque um menino nasceu para nós, um filho se deu a nós; e o domínio está sobre os seus ombros; e chamará seu nome: o Maravilhoso e o Conselheiro, o Deus Poderoso da Eternidade, o Príncipe da Paz.”
Comentário apologético:
Um fato que poucos estudiosos comentam, principalmente na língua portuguesa, é que a interpretação messiânica desse texto de Isaías 9:6 entre os judeus, é muito antiga. A opinião acadêmica mais comum é que o núcleo da tradição targúmica dos Profetas, onde inclui o Livro do Profeta Isaías, é muito antigo (pré-cristão ou do século I), mas a redação/fixação do Targum de Yonathan em sua forma conhecida ocorreu provavelmente entre os séculos II–IV d.C., especialmente em ambiente babilônico. (conf.: https://pt.wikipedia.org/wiki/Targum_Jonatã )
Assim está o texto de Isaías 9.6 em aramaico targúmico:
אֲמַר נְבִיָא לְבֵית דָוִד אֲרֵי רָבֵי
אִיתְיְלִיד לָנָא בַּר אִתְיְהַב לָנָא
וְקַבֵל אוֹרַיְתָא עֲלוֹהִי לְמַטְרָהּ
וְאִתְקְרֵי שְׁמֵיהּ מִן קֳדָם מַפְלִיא
עֵצָה אֱלָהָא גִבָּרָא קַיָם
לְעַלְמַיָא מְשִׁיחָא דִשְׁלָמָא יַסְגֵי
עֲלָנָא בְּיוֹמוֹהִי :
Transliteração:
Tradução:
2) ܐܸܫܲܥܝܵܐ (ᵓIshaᶜyā) Isaías 7:14
ܡܸܛܠ ܗܵܢܵܐ ܢܸܬܸ̇ܠ ܠܟ݂ܘܿܢ ܡܵܪܝܵܐ
ܐܲܠܵܗܵܐ ܐܵܬ̤ܵܐ: ܗܵܐ ܒܬ̣ܘܼܠܬܵܐ
ܒܵܛܢܵܐ ܘܝܵܠܕܵܐ ܒܪܵܐ: ܘܢܸܬ̣ܩܪܸܐ:
ܫܡܹܗ ܥܲܡܲܢܘܼܐܹܝܠ܀
מִטֻל הָנָא נִתִּל לכוׄן מָריָאאַלָהָא אָתָא הָא בּתֻולתָּאבַּטנָא ויָלדָּא בּרָא ונִתקרִא: שׁמֵה עַמַנֻואֵיל
Transliteração:
ᵓĂlāhāᵓ ᵓāTHāᵓ: hāᵓ b'THūltāᵓMiṭul hānā nitil l'KHōn Mār-Yāᵓ
baṭnāᵓ w'yāldāᵓ b'rāᵓ w'niTHqriᵓ
SH'mēh ᶜAmanūᵓēl.
Tradução:
Comentário apologético:
A Peshitta, a exemplo do NT grego, usa a palavra exata que significa A VIRGEM (בּתוּלתָּא = b'tulthā’) que corresponde ao hebraico בְּתוּלָה (b'tulāh = virgem) e não conforme está no texto hebraico: עַלְמָה (‘almāh = moça, donzela) que não deixa de ser um sinônimo da palavra “virgem”. Ou seja, tanto a tradição judaico-grega (LXX) quanto a tradição siríaca antiga leram Isaías 7:14 como uma profecia de nascimento virginal ao entenderam ʿalmāh como uma jovem virgem.
Além do mais, a Peshitta Siríaca, nesse texto, não apresenta o Emanuel apenas como um símbolo religioso ou título honorífico. O próprio texto constrói deliberadamente a ligação entre Mār-Yāᵓ ᵓĂlāhāᵓ (“Senhor Yah Deus”), que concede o sinal, e o menino chamado ᶜAmanūᵓēl (“Deus conosco”), sugerindo uma presença divina manifesta entre os homens.
Novo Testamento Peshitta
3) ܡܲܬ݁ܲܝ (Mattay) Mateus 1:23
ܕ݁ܗܵܐ ܒ݁ܬ݂ܘܿܠܬ݁ܵܐ ܬܸ݁ܒ݂ܛܲܢ ܘܬ݂ܹܐܠܲܕ݂ܒ݁ܪܵܐ ܘܢܸܩܪܘܿܢ ܫܡܹܗ ܥܲܡܲܢܘܿܐܝܼܠܕ݁ܡܸܬ݁ܬ݁ܲܪܓ݁ܲܡ ܥܲܡܲܢ ܐܲܠܵܗܲܢ ܀
דּהָא בּתוֹלתָּא תּׅבטַן ותֵּאלַד
בּרָא֑ ונִקרוׄן שׁמֵה עַמַנואיִל
דּמִתּתַּרגַּם עַמַן אַלָהַן ׃
Transliteração:
b'rā w'niqrōn SH'mēh ᶜammanōyīl
d'mittargam ᶜaman ᵓĂlāhan .
Tradução:
Comentário apologético:
ܒ݁ܪܹܫܝܼܬ݂ ܐܝܼܬ݂ܲܘܗ݈ܝ ܗ݈ܘܵܐ ܡܸܠܬ݂ܵܐ
ܘܗܘܿ ܡܸܠܬ݂ܵܐ ܐܝܼܬ݂ܲܘܗ݈ܝ ܗ݈ܘܵܐ ܠܘܵܬ݂
ܐܲܠܵܗܵܐ ܘܲܐܠܵܗܵܐ ܐܝܼܬ݂ܲܘܗ݈ܝ
ܗ݈ܘܵܐ ܗܘܿ ܡܸܠܬ݂ܵܐ ܀
בּרָשִׁית אִיתַוהי הוָא מִלתָא
והוֹ מִלתָא אִיתַוהי הוָא לוָת
אַלָהָא וַאלָהָא אִיתַוהי
הוָא הוֺ מִלתָא ׃
Transliteração:
Tradução:
Comentário apologético:
ܐܲܠܵܗܵܐ ܠܵܐ ܚܙܵܐ ܐ݈ܢܵܫ ܡܸܡܬ݂ܘܿܡ ܝܼܚܝܼܕ݂ܵܝܵܐ ܐܲܠܵܗܵܐ ܗܲܘ ܕ݁ܐܝܼܬ݂ܲܘܗ݈ܝ ܒ݁ܥܘܿܒ݁ܵܐ ܕ݁ܲܐܒ݂ܘܼܗ݈ܝ ܗܘܿ ܐܸܫܬ݁ܲܥܝܼ
אַלָהָא לָא חזָא אנָשׁ מִמתוֺםיִחִידָיָא אַלָהָא הַו דּאִיתַוהי בּעֻובָּא דַּאבֻוהי הֻו אִשׁתַּעִי׃ ס
Transliteração:
ᵓAlāhā lā ḥzā ᵓnāSH memTHōm;
YiḥīDHāyā ᵓAlāhā, haw dᵓīTHawhy
b'ᶜōbā dᵓAvūhy, hō ᵓìSHtaᶜī.
Tradução:
“Deus jamais foi visto por homem algum; o Deus Unigênito, aquele que está no seio de seu Pai, Ele o revelou.”
Comentário apologético:
ܘܲܥܢܵܐ ܬ݁ܵܐܘܡܲܐ ܘܸܐܡܲܪ ܠܹܗ ܡܵܪܝ ܘܲܐܠܵܗܝ ܀
וַענָא תָּאומַא וֵאמַר לֵה מָרי וַאלָהי׃
Transliteração:
Tradução:
Comentário apologético:
Essa sexta passagem é fortíssima. Em termos de cristologia explícita na Peshitta, poucos textos são tão diretos quanto este.
O detalhe central é que Tomé não faz uma exclamação genérica diante de Deus, mas dirige-se a Yeshua:
ܘܸܐܡܲܪ ܠܹܗ (wiᵓmar leh)
“e lhe disse”
O pronome: ܠܹܗ (leh) = “a ele / para ele” mostra claramente o destinatário da confissão: Yeshua.
Além disso, Tomé usa dois títulos no estado enfático com sufixo possessivo:
ܡܵܪܝ (Māry)
“Meu Senhor”
ܘܲܐܠܵܗܝ (wᵓAlāhy)
“e meu Deus”
Ou seja, não é apenas reverência; é uma confissão pessoal.
A Peshitta preserva uma das mais explícitas confissões da divindade do Messias no Novo Testamento. Tomé não faz uma exclamação diante do céu, mas dirige-se diretamente a Yeshua — “e lhe disse” (wiᵓmar leh) — chamando-o explicitamente de “Meu Senhor e meu Deus” (Māry wᵓAlāhy). O próprio Evangelho de João encerra seu testemunho cristológico com uma confissão inequívoca da divindade de Cristo.
Veja como João está formando um arco muito bonito nessa série:
João 1:1
o Verbo era Deus
João 1:18
o Deus Unigênito
João 20:28
Meu Senhor e meu Deus
Ou seja, João praticamente abre, desenvolve e conclui seu Evangelho afirmando a divindade do Messias!
ܐܸܙܕ݁ܲܗ݈ܪܘ ܗܵܟ݂ܹܝܠ ܒ݁ܢܲܦ݂ܫܟ݂ܘܿܢ ܘܲܒ݂ܟ݂ܼܠܵܗܡܲܪܥܝܼܬ݂ܵܐ ܗܵܝ ܕ݁ܲܐܩܝܼܡܟ݂ܘܿܢ ܒ݁ܵܗ
ܪܘܿܚܵܐ ܕ݁ܩܘܿܕ݂ܫܵܐ ܐܸܦܹ݁ܣܩܘܿܦܹ݁ܐ
ܕ݁ܬ݂ܸܪܥܘܿܢ ܠܥܹܕ݈݁ܬܹ݁ܗ ܕ݁ܲܐܠܵܗܵܐ ܗܵܝ
ܕ݁ܲܩܢܵܗ ܒ݁ܲܕ݂ܡܹܗ ܀
אִזדַּהרו הָכֵיל בּנַפשׁכוֺן וַבכלָה
מַרעִיתָא֑ הָי דּאַקִימכוֺן בָּה
רוֹחָא דּקוֹדשָׁא אֵפִּסקוֺפֵּא֑
דּתִרעוֺן לעֵ(דּ)תֵּה דּאַלָהָא הָי
דַּקנָה בַּדמֵה׃
Transliteração:
Tradução:
Comentário apologético:
A Peshitta preserva explicitamente a leitura “Igreja de Deus” (ᶜedteh dᵓAlāhā), afirmando que foi o próprio Deus quem a adquiriu “com seu sangue” (badmeh). Como o sangue derramado pertence ao Messias, o texto identifica claramente Yeshua com Deus.
ܘܲܐܒ݂ܵܗܵܬ݂ܵܐ ܘܡܸܢܗܘܿܢ ܐܸܬ݂ܚܙܝܼ
ܡܫܝܼܚܵܐ ܒ݁ܲܒ݂ܣܲܪ ܕ݁ܐܝܼܬ݂ܲܘܗ݈ܝ ܐܲܠܵܗܵܐ
ܕ݁ܥܲܠ ܟܼ݁ܠ ܕ݁ܠܹܗ ܬܸ݁ܫܒ݁ܚܵܢ ܘܒ݂ܘܿܪܟ݁ܵܢ
ܠܥܵܠܲܡ ܥܵܠܡܝܼܢ ܐܲܡܝܼܢ ܀
וַאבָהָתָא ומֵנהוֺן אִתחזִי
משִׁיחָא בַּבסַר דּאִיתַוהי אַלָהָא
דּעַל כֻּל דּלֵה תִּשׁבּחָן ובוֹרכָּן
לעָלַם עָלמִין אַמִין :
Transliteração:
Waᵓvāhāthā w'minhōn ᵓiTHḥəzī
M'SHīḥā bavsar dᵓīTHāw" ᵓĂlāhā
d'ᶜal kul d'lēh tiSHbəḥān w'vōrkān
l'ᶜālam ᶜālmīn ᵓamīn .
Transliteração:
Comentário apologético:
A Peshitta liga diretamente o título “Deus sobre tudo” (ᵓAlāhā dᶜal kul ) ao próprio Messias. O relativo siríaco “que é” (dᵓīthawhy) conecta naturalmente a expressão ao antecedente imediato — o Messias segundo a carne — formando uma das declarações mais explícitas da divindade de Cristo nas epístolas paulinas.
⁵ ܘܗܵܕ݂ܹܐ ܐܸܬ݂ܪܲܥܲܘ ܒ݁ܢܲܦ݂ܫܟ݂ܘܿܢ ܗܵܝ ܕ݁ܵܐܦ݂ ܝܼܫܘܿܥ ܡܫܝܼܚܵܐ
⁶ ܗܲܘ ܕ݁ܟ݂ܲܕ݂ ܐܝܼܬ݂ܲܘܗ݈ܝ ܒ݁ܲܕ݂ܡܘܿܬ݂ܵܐ ܕ݁ܲܐܠܵܗܵܐ ܠܵܐ ܗ݈ܘܵܐ ܚܛܘܿܦ݂ܝܵܐ ܚܲܫܒ݁ܵܗ ܗܵܕ݂ܹܐ ܕ݁ܐܝܼܬ݂ܲܘܗ݈ܝ ܦܸ݁ܚܡܵܐ ܕ݁ܲܐܠܵܗܵܐ
⁷ ܐܸܠܵܐ ܢܲܦ݂ܫܹܗ ܣܲܪܸܩ ܘܲܕ݂ܡܘܿܬ݂ܵܐ ܕ݁ܥܲܒ݂ܕ݁ܵܐ ܢܣܲܒ݂ ܘܲܗܘܵܐ ܒ݁ܲܕ݂ܡܘܿܬ݂ܵܐ ܕ݁ܲܒ݂ܢܲܝܢܵܫܵܐ ܘܒ݂ܸܐܣܟܹ݁ܡܵܐ ܐܸܫܬ݁ܟ݂ܲܚ ܐܲܝܟ݂ ܒ݁ܲܪܢܵܫܵܐ ܀
⁵ והָדֵא אֵתרַעַו בּנַפשׁכוֹן הָי דָּאפ יִשׁוֹע משִׁיחָא .
⁶ הַו דּכַד אִיתַוהי בַּדמוֹתָא דַּאלָהָא לָא הוָא חטוֹפיָא חַשׁבָּה הָדֵא דּאִיתַוהי פִּחמָא דַּאלָהָא .
⁷ אִלָא נַפשֵׁה סַרֵק וַדמוֹתָא דּעַבדָּא נסַב וַהוָא בַּדמוֹתָא דַּבנַינָשָׁא ובִאסכֵּמָא אִשׁתּכַח אַיך בַּרנָשָׁא .
Transliteração:
⁵ wəhāDHēᵓ ᵓeṯTHraᶜaw bənapSHəKHōn hāy dᵓāp YiSHōᶜ MəSHīḥāᵓ .
⁶ haw dəkaDH ᵓīTHaw baDHmōTHāᵓ
dᵓălāhāᵓ lāᵓ "wāᵓ ḥəṭūpyāᵓ ḥaSHbāh hādē dᵓīTHaw" pìḥmāᵓ dᵓălāhāᵓ .
⁷ ᵓìllāᵓ nafSHēh sarrìq, waDHmōTHāᵓ dəᶜaVdāᵓ nəsaV, wahwāᵓ baDHmōTHāᵓ daVnaynāSHāᵓ wəbìᵓskemāᵓ ᵓìSHtəKHaḥ ᵓayKH barnāSHāᵓ .
Tradução:
Comentário apologético:
A Peshitta afirma que o Messiasexistia “na forma de Deus” (baḏmūthā dᵓAlāhā) e possuía igualdade com Deus (peḥmā dᵓAlāhā). O texto não apresenta Yeshua tentando tornar-se divino, mas descreve sua condição pré-existente antes do esvaziamento voluntário da encarnação.
ܟ݁ܲܕ݂ ܡܣܲܟܹ݁ܝܢܲܢ ܠܣܲܒ݂ܪܵܐ ܒ݁ܪܝܼܟ݂ܵܐ
ܘܲܠܓ݂ܸܠܝܵܢܵܐ ܕ݁ܬ݂ܸܫܒ݁ܘܿܚܬܹ݁ܗ ܕ݁ܲܐܠܵܗܵܐ
ܪܲܒ݁ܵܐ ܘܡܲܚܝܵܢܲܢ ܝܼܫܘܿܥ ܡܫܝܼܚܵܐ ܀
כַּד מסַכֵּינַן לסַברָא בּרִיכָא
וַלגֵליָנָא דּתִשׁבּוֺחתֵּה דּאַלָהָא
רַבָּא ומַחיָנַן יִשׁוֺע משִׁיחָא :
Transliteração:
Tradução:
Comentário apologético:
A Peshitta apresenta Yeshua, o Messias, como o próprio “grande Deus” (ᵓAlāhā rabā) e “Doador da vida” (maḥyānan). A construção do texto conecta naturalmente ambos os títulos a Yeshua, formando uma das mais explícitas afirmações paulinas da divindade do Messias.
A sequência das cartas paulinas é muito forte:
Romanos 9:5 ➟ Messias = Deus sobre tudo
Filipenses 2:6 ➟ igual a Deus
Tito 2:13 ➟ o grande Deus, Yeshua Messias
Ou seja, Paulo na Peshitta não apresenta uma cristologia reduzida — muito pelo contrário.
ܥܲܠ ܒ݁ܪܵܐ ܕܹ݁ܝܢ ܐܸܡܲܪ ܕ݁ܟ݂ܘܿܪܣܝܵܟ݂
ܕ݁ܝܼܠܵܟ݂ ܐܲܠܵܗܵܐ ܠܥܵܠܲܡ ܥܵܠܡܝܼܢ ܫܲܒ݂ܛܵܐ
ܦ݁ܫܝܼܛܵܐ ܫܲܒ݂ܛܵܐ ܕ݁ܡܲܠܟ݁ܘܿܬ݂ܵܟ݂ ܀
עַל בּרָא דֵּין אִמַר דּכוֹרסיָךדִּילָך אַלָהָא לעָלַם עָלמִין שַׁבטָאפּשִׁיטָא שַׁבטָא דּמַלכּוֹתָך׃
Transliteração:
Tradução:
Comentário apologético:
A Peshitta preserva explicitamente o Pai dirigindo-se ao Filho como “Deus” (ᵓAlāhā). O texto não apresenta uma interpretação indireta, mas uma declaração direta: “Sobre o Filho diz: ‘O teu trono, ó Deus…’”. Trata-se de uma das mais explícitas afirmações da divindade do Messias no Novo Testamento.
ܘܝܵܕ݂ܥܝܼܢܲܢ ܕ݁ܲܒ݂ܪܹܗ ܕ݁ܲܐܠܵܗܵܐ ܐܸܬ݂ܵܐ
ܘܝܲܗ݈ܒ݂ ܠܲܢ ܡܲܕ݁ܥܵܐ ܕ݁ܢܸܕ݁ܲܥ ܠܫܲܪܝܼܪܵܐ
ܘܢܹܗܘܹܐ ܒܹ݁ܗ ܒ݁ܫܲܪܝܼܪܵܐ ܒ݁ܲܒ݂ܪܹܗ
ܝܼܫܘܿܥ ܡܫܝܼܚܵܐ ܗܵܢܵܐ ܗܘܿ ܐܲܠܵܗܵܐ
ܫܲܪܝܼܪܵܐ ܘܚܲܝܹܐ ܕ݁ܲܠܥܵܠܲܡ ܀
ויָדעִינַן דַּברֵה דַּאלָהָא אִתָא֑
ויַה֗ב לַן מַדּעָא דּנִדַּע לשַׁרִירָא֑
ונֵהוֵא בֵּה בּשַׁרִירָא֑ בַּברֵה
יֵ֣שֻׁוע משִׁיחָא֖ הָנָא הוֹ אַלָהָא
שַׁרִירָא וחַיֵא֞ דַּלעָלַם֖׃
Transliteração:
Tradução:
Comentário apologético:
A Peshitta identifica explicitamente Yeshua, o Messias, como “o verdadeiro Deus” (ᵓAlāhā Sharīrā) e “a vida eterna”. O demonstrativo “este” (hānā) aponta naturalmente para o antecedente imediato — “seu Filho Yeshua, o Messias” — tornando esta uma das mais explícitas afirmações joaninas da divindade de Cristo.
ܩܢܲܘ ܓܹ݁ܝܪ ܐ݈ܢܵܫܝܼܢ ܡܲܥܠܵܢܘܿܬ݂ܵܐ ܐܲܝܠܹܝܢ
ܕ݁ܡܸܢ ܫܘܿܪܵܝܵܐ ܩܲܕܸ݁ܡܘ ܐܸܬ݂ܟ݁ܬ݂ܸܒ݂ܘ
ܒ݁ܚܘܿܝܵܒ݂ܵܐ ܗܵܢܵܐ ܐ݈ܢܵܫܵܐ ܪܲܫܝܼܥܹܐ
ܕ݁ܲܠܛܲܝܒ݁ܘܿܬ݂ܹܗ ܕ݁ܲܐܠܵܗܲܢ ܡܲܗܦ݁ܟ݂ܹܝܢ
ܠܛܲܢܦ݁ܘܿܬ݂ܵܐ ܘܲܒ݂ܗܲܘ ܕ݁ܐܝܼܬ݂ܲܘܗ݈ܝ
ܒ݁ܲܠܚܘܿܕ݂ܲܘܗ݈ܝ ܡܵܪܵܐ ܐܲܠܵܗܵܐ ܘܡܵܪܲܢ
ܝܼܫܘܿܥ ܡܫܝܼܚܵܐ ܟ݁ܵܦ݂ܪܝܼܢ ܀
קנַו גֵּיר אנָשִׁין מַעלָנוֹתָא אַילֵין
דּמִן שׁוֹרָיָא קַדִּמו אִתכּתִבו
בּחוֹיָבָא הָנָא אנָשָׁא רַשִׁיעֵא
דַּלטַיבּוֹתֵה דַּאלָהַן מַהפּכֵין
לטַנפּוֹתָא וַבהַו דּאִיתַוהיבַּלחוֹדַוהי מָרָא אַלָהָא ומָרַן
יִשׁוֹע משִׁיחָא כָּפרִין .
Transliteração:
Tradução:
Porque alguns homens obtiveram acesso, os quais desde o princípio estavam escritos de antemão para esta condição; homens ímpios que convertem a graça de nosso Deus em abominação, e negam Àquele que é o único Senhor Deus: nosso Senhor Jesus Cristo.
Porque alguns homens obtiveram acesso, os quais desde o princípio estavam escritos de antemão para esta condição; homens ímpios que convertem a graça de nosso Alaha em abominação, e negam Àquele que é o único Senhor Alaha: o Maran Yeshua M'shikha.
Comentário apologético:
Assim como na construção grega, a construção siríaca permite uma leitura em que o título ‘único Senhor Deus’ se conecta diretamente a Yeshua, o Messias. Essa compreensão também foi adotada por traduções modernas da Peshitta, como as duas edições da BV Books, que vertem o texto de forma identificando Yeshua como o referente da expressão.
Vetus Syrus
- Siríaco Curetoniano (syr cur): Fragmentos dos quatro evangelhos descobertos no Deserto de Nitria e publicados por William Cureton.
- Siríaco Sinaítico (syrsin): Um palimpsesto mais antigo encontrado no Mosteiro de Santa Catarina, no Monte Sinai. Mais detalhes: https://pt.wikipedia.org/wiki/Evangelhos_curetonianos
ܐܘܢܓܠܝܘܢ ܕܝܘܚܢܢ
ܒܪܫܝܬ ܐܝܬܘܗܝ ܗܘܐ ܡܠܬܐ
ܘܗܘ ܡܠܬܐ ܐܝܬܘܗܝ ܗܘܐ ܠܘܬ
ܐܠܗܐ ܘܐܠܗܐ ܐܝܬܘܗܝ ܗܘܐ
ܗܘ ܡܠܬܐ ܀
Mesmo Texto vocalizado:
ܐܸܘܲܢܓܸ݁ܠܝܼܘܿܢ ܕ݁ܝܘܿܚܲܢܵܢܒܪܵܫܝܼܬ݂ ܐܝܼܬ݂ܵܘܗܝ ܗܘ̣ܵܐ ܡܸܠܬ݂ܵܐ.ܘܗܘܼ ܡܸܠܬ݂ܵܐ. ܐܝܼܬ݂ܵܘܗܝ ܗܘ̣ܵܐ ܠܘܵܬ݂ܐܲܠܵܗܵܐ. ܘܐܲܠܵܗܵܐ ܐܝܼܬ݂ܵܘܗܝ ܗܘ̣ܵܐܗܸܘ ܡܸܠܬ݂ܵܐ ܀
אֵוַנגֵּלִיוֹן דּיוֹחַנָן
בּרָשִׁית אִיתַוהי הוָא מִלתָא
והוֹ מִלתָא אִיתַוהי הוָא לוָת
אַלָהָא וַאלָהָא אִיתַוהי
הוָא הוֺ מִלתָא׃Transliteração:
ᵓewangelīōn d'Yoḥanān
B'rashīth ᵓīthaw'' hwāᵓ Milthāᵓ,
w'hō Milthāᵓ ᵓīthaw'' hwā l'wāth
ᵓĂlāhāᵓ, wᵓĂlāhāᵓ ᵓīthaw''
hwāᵓ hō Milthāᵓ.
Tradução:
Comentário apologético:
O mais antigo testemunho siríaco dos Evangelhos, conhecido como Vetus Syriacus ou Siríaco Curetoniano, preserva a mesma alta cristologia encontrada na Peshitta e no texto grego de João 1:1. O texto afirma claramente que “Ele, o próprio Verbo, era Deus”, demonstrando que a tradição aramaico-siríaca mais antiga do Novo Testamento jamais apresentou uma cristologia reduzida de Yeshua.
אִמַר לֵה תָּאומַא מָרי וַאלָהי׃
Transliteração:
Tradução:
Comentário apologético:
E assim podemos ver que a leitura elevada da divindade de Cristo já existia na mais antiga tradição siríaca dos Evangelhos.
E assim fechamos a série em terminar no Evangelho com Tomé confessando Yeshua como Deus — especialmente porque essa coletânea começou em Isaías 9:6 e percorreu toda a linha da revelação até chegar à confissão explícita do discípulo.
Como estas duas últimas passagens postadas acima estão no Vetus Syriaca / Siríaco Curetoniano, elas mostram que a leitura elevada da divindade de Cristo já existia na mais antiga tradição siríaca dos Evangelhos.
Aqui está o arco da coletânea:
1ª figura — Isaías 9:6
“Deus Poderoso”
2ª — Emanuel
“Deus conosco”
João 1:1
o Verbo era Deus
João 1:18
o Deus Unigênito
João 20:28
Meu Senhor e meu Deus
Hebreus 1:8
O Pai chama o Filho de Deus
1 João 5:20
o verdadeiro Deus
15ª figura — Tomé novamente (Vetus Syriaca)
“Meu Senhor e meu Deus!”
Ou seja: a série começa no Tanakh, passa pela Peshitta, e termina mostrando que até a mais antiga tradição siríaca dos Evangelhos preserva a mesma cristologia elevada de Jesus Cristo.
PS.: Essas figuras com transcrições, transliterações e traduções postei inicialmente num dos meus álbuns do Facebook e num grupo do WhatsApp a partir do dia 26 de novembro de 2020 e no Telegram do dia 12 de janeiro de 2025.
Também, abaixo das figuras, há pequenas atualizações vocálicas nas letras siríacas/hebraicas e também melhorei as traduções.
Fontes:
- Textos bíblicos da Peshitta em letras siríacas: App de celular MyBible;
- Textos bíblicos da Peshitta em letras hebraicas (somente NT): site Dukhrana - https://dukhrana.com/peshitta/
- Revisão linguística e figura da capa: ChatGPT
- Todos os textos dos "Comentários apologéticos" (exceto o nº 2 de Isaías 7:14) por sugestão e composição: ChatGPT.
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