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segunda-feira, 18 de maio de 2026

A Divindade de Yeshua na Peshitta Siríaca



A Divindade de Jesus na Peshitta 
 


A Divindade de Yeshua (Jesus) na Peshitta Siríaca: 15 passagens que revelam o Messias como verdadeiro Deus, confirmando o testemunho fiel do Novo Testamento em grego e refutando a espúria "Tradução do Novo Mundo", das testemunhas-de-jeova, que distorce a maioria desses textos para negar a plena divindade de Cristo. Essas evidências fortalecem a fé da Igreja e reafirmam que Jesus é o Senhor Eterno, digno de toda adoração e glória.

A Palavra “Peshitta“ (Siríaco clássico: ܦܫܝܼܛܬܵܐ [Pshīṭta - no dialeto oriental]) ou ܦܫܺܝܛܬܳܐ [Pshīṭtō - no dialeto ocidental]). O nome é derivado do siríaco mappaqtâ pshîṭtâ (ܡܦܩܬܐ ܦܫܝܛܬܐ), significando literalmente "a versão simples" ou "comum". É a versão padrão da Bíblia para as igrejas cristãs do Oriente Médio da tradição de língua siríaca (ܠܫܢܐ ܣܘܪܝܝܐ - "L'shana Suryaya"), e é uma das traduções mais antigas utilizadas até hoje. 


INTRODUÇÃO

Nos últimos anos, tem crescido o número de pessoas que passaram a divulgar a ideia de que a escrita original do Novo Testamento não foi em grego. Autores como George Lamsa defenderam a ideia radical de que o Novo Testamento foi originalmente escrito em aramaico (sendo a Peshitta o texto original, e não uma tradução do grego). Alguns defensores dessa teoria argumentam que, ao ler as escrituras sob a ótica da cultura e do idioma aramaico de Jesus, desaparecem interpretações helenísticas (gregas) que sustentam o conceito de Jesus como sendo o próprio Deus, e que a Peshitta siríaca não testemunha da divindade do Messias, ou mesmo que a tradição aramaica estaria distante da cristologia elevada encontrada no texto grego do Novo Testamento. Em alguns círculos, chega-se a afirmar que o aramaico preservaria uma visão “mais judaica” e menos divina acerca de Yeshua.
Outros grupos chamados “Netzarim” (nazarenos) sustentam uma forma de modalismo(*¹ ) apelando ao termo aramaico ܩܢܘܿܡܵܐ (qənōmā), como se este negasse qualquer distinção real entre Pai, Filho e Espírito Santo. Contudo, tal argumento não se sustenta linguisticamente nem historicamente. No uso siríaco clássico, qənōmā não significa “modo” ou “máscara”, mas uma realidade individual, subsistência ou hipóstase(*²), sendo empregado justamente na tradição cristã siríaca para expressar distinção real sem divisão da essência divina.

Em uma análise honesta do texto da Peshitta mostra exatamente o contrário do que ensinam os grupos referidos acima, pois, tanto no Tanakh siríaco quanto no Novo Testamento siríaco, encontram-se diversas passagens em que o Messias recebe títulos, atributos, honra, prerrogativas e linguagem que, nas Escrituras, pertencem propriamente ao próprio Deus, mas ao mesmo tempo o identificam como uma pessoa distinta de Deus Pai.

O objetivo desta série é apresentar 15 passagens bíblicas da Peshitta, começando pelo Tanakh e depois pelo Novo Testamento, nas quais o texto siríaco testemunha de maneira clara acerca da natureza divina do Messias. Em cada exemplo serão apresentados: o texto da Peshitta no original siríaco, sua transcrição em caracteres hebraicos, transliteração e tradução comentada.

O propósito deste estudo não é forçar interpretações teológicas sobre o texto, mas permitir que a própria Peshitta fale por si mesma. E o testemunho do texto, como veremos, é mais forte do que muitos imaginam. 
_________________________________________
(*¹ ) Modalismo (também chamado de Monarquianismo Modalista ou Sabelianismo) foi uma antiga heresia cristã dos séculos II e III. Essa doutrina ensinava que Pai, Filho e Espírito Santo não são pessoas realmente distintas, mas apenas diferentes manifestações ou modos de um único Deus ao longo do tempo.
(*²) Hipóstase - Na teologia cristã designa as pessoas da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo). É a base da doutrina da união hipostática, que afirma que Jesus Cristo possui duas naturezas (a divina e a humana) unidas em uma única pessoa, sem que se misturem ou se anulem.


Tanakh Peshitta 

 


1) ܐܸܫܲܥܝܵܐ (ᵓIshaᶜyā) Isaías 9:6

ܡܸܛܠ ܕܝܲܠܕܵܐ ܐܸܬ̣̱ܝܼܠܸܕ݂ ܠܲܢ:
ܘܲܒ̣ܪܵܐ ܐܸܬ̣̱ܝܼܗܸܒ̣ ܠܲܢ. ܘܲܗܘ̤ܵܐ
ܫܘܼܠܛܵܢܹܗ ܥܲܠ ܟܲܬ̣ܦܹܗ. ܘܐܸܬ̣ܩ̄ܪܝܼ
ܫܡܹܗ ܕܘܼܡܵܪܵܐ ܘܡܵܠܘܿܟ݂ܵܐ: ܐܲܠܵܗܵܐ
ܓܲܢ̄ܒܵܪܵܐ ܕܥܵܠܡܹ̈ܐ: ܫܲܠܝܼܛܵܐ ܕܲܫܠܵܡܵܐ܀

Mesmo texto em letras hebraico-assírias quadradas:
   
מִטֻל דּיָלדָּא אִתִילִד לַן, 
וַברָא אִתִיהִב לַן, וַהוָא
שֻׁולטָנֵה עַל כַּתפֵּה וֵאתקרִי
שׁמֵה דֻּומָרָא ומָלוֹכָא, אַלָהָא
גַּנבָּרָא דּעָלמָא, שַׁלִיטָא דַּשׁלָמָא :
       

Transliteração: 

  
Miṭul d'yāldāᵓ ᵓiTHīlid lan;
wavrāᵓ ᵓiTHīhiv lan; wahuāᵓ
SHulṭānēh ᶜal katpēh wiᵓTHqri
SH'mēh: dūmārāᵓ w'mālōkāᵓ ᵓĂlāhāᵓ
ga'bārāᵓ dᶜālmāᵓ SHaliṭāᵓ da'SHlāmāᵓ.

OBS: Na transliteração, algumas letras do aramaico-siríaco são representadas por duas consoantes maiúsculas juntas (SH, TH, KH, DH, etc.). Esses dígrafos correspondem a uma única letra no texto original.

   

Tradução: 

   

“Porque um menino nasceu para nós, um filho se deu a nós; e o domínio está sobre os seus ombros; e chamará seu nome: o Maravilhoso e o Conselheiro, o Deus Poderoso da Eternidade, o Príncipe da Paz.”

   

Comentário apologético:

  
A Peshitta Siríaca testemunha claramente da divindade do Messias ao chamá-lo de ܐܲܠܵܗܵܐ ܓܲܢ̄ܒܵܪܵܐ (Alāhā ganbārāᵓ), isto é, “Deus Poderoso”. Este não é um título comum ou honorífico, pois em Isaías 10:21 o mesmo título é usado para o próprio Senhor Deus. O Filho prometido participa, portanto, da linguagem e identidade Divinas. 

Um fato que poucos estudiosos comentam, principalmente na língua portuguesa, é que a interpretação messiânica desse texto de Isaías 9:6 entre os judeus, é muito antiga. A opinião acadêmica mais comum é que o núcleo da tradição targúmica dos Profetas, onde inclui o Livro do Profeta Isaías, é muito antigo (pré-cristão ou do século I), mas a redação/fixação do Targum de Yonathan em sua forma conhecida ocorreu provavelmente entre os séculos II–IV d.C., especialmente em ambiente babilônico. (conf.: https://pt.wikipedia.org/wiki/Targum_Jonatã )

     

Assim está o texto de Isaías 9.6 em aramaico targúmico:


אֲמַר נְבִיָא לְבֵית דָוִד אֲרֵי רָבֵי
אִיתְיְלִיד לָנָא בַּר אִתְיְהַב לָנָא
וְקַבֵל אוֹרַיְתָא עֲלוֹהִי לְמַטְרָהּ
וְאִתְקְרֵי שְׁמֵיהּ מִן קֳדָם מַפְלִיא
עֵצָה אֱלָהָא גִבָּרָא קַיָם
לְעַלְמַיָא מְשִׁיחָא דִשְׁלָמָא יַסְגֵי
עֲלָנָא בְּיוֹמוֹהִי :
  

Transliteração: 

  
ᵓAmar nᵉviyāᵓ l'vêt Dāvid; ᵓarē ravē
ᵓiTHyᵉlid lanā, bar ᵓiTHyᵉhav lanā;
w'qabbēl orāyTHā ᶜalōhi l'maṭrāh;
w'iTHqᵉrē SH'meh min qodām: Mafliᵓ
ᶜeTSāh, ᵓAlāhā Gibbārā Qayyām
l'ᶜālmāyā, MᵉSHīḥā d'SHlāmā, yasgē
ᶜalānā b'yōmōhi.
  

Tradução: 

  
“Disse o profeta à casa de Davi: Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado; e recebeu a Lei sobre ele para guardá-la; e chamou-se o seu nome desde desde antes: Maravilhoso de conselho, Deus Poderoso Permanente pelos Séculos, o Messias da Paz; multiplicar-se-á sobre nós nos seus dias.”


2) ܐܸܫܲܥܝܵܐ (ᵓIshaᶜyā) Isaías 7:14

  
ܡܸܛܠ ܗܵܢܵܐ ܢܸܬܸ̇ܠ ܠܟ݂ܘܿܢ ܡܵܪܝܵܐ
ܐܲܠܵܗܵܐ ܐܵܬ̤ܵܐ: ܗܵܐ ܒܬ̣ܘܼܠܬܵܐ
ܒܵܛܢܵܐ ܘܝܵܠܕܵܐ ܒܪܵܐ: ܘܢܸܬ̣ܩܪܸܐ:
ܫܡܹܗ ܥܲܡܲܢܘܼܐܹܝܠ܀
   
Mesmo texto em letras hebraico-assírias quadradas: 

  
מִטֻל הָנָא נִתִּל לכוׄן מָריָא
אַלָהָא אָתָא הָא בּתֻולתָּא
בַּטנָא ויָלדָּא בּרָא ונִתקרִא
: שׁמֵה עַמַנֻואֵיל

Transliteração: 

  
Miṭul hānā nitil l'KHōn Mār-Yāᵓ
ᵓĂlāhāᵓ ᵓāTHāᵓ: hāᵓ b'THūltāᵓ
baṭnāᵓ w'yāldāᵓ b'rāᵓ w'niTHqriᵓ
SH'mēh ᶜAmanūᵓēl.
  

Tradução: 

  
“Portanto, o mesmo Senhor Yah Deus vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará seu nome Emanuel.” 
  

Comentário apologético: 

  
A Peshitta, a exemplo do NT grego, usa a palavra exata que significa A VIRGEM (בּתוּלתָּא = b'tulthā) que corresponde ao hebraico בְּתוּלָה (b'tulāh = virgem) e não conforme está no texto hebraico: עַלְמָה (almāh = moça, donzela) que não deixa de ser um sinônimo da palavra “virgem”. Ou seja, tanto a tradição judaico-grega (LXX) quanto a tradição siríaca antiga leram Isaías 7:14 como uma profecia de nascimento virginal ao entenderam ʿalmāh como uma jovem virgem. 

Além do mais, a Peshitta Siríaca, nesse texto, não apresenta o Emanuel apenas como um símbolo religioso ou título honorífico. O próprio texto constrói deliberadamente a ligação entre Mār-Yāᵓ ᵓĂlāhāᵓ (“Senhor Yah Deus”), que concede o sinal, e o menino chamado ᶜAmanūᵓēl (“Deus conosco”), sugerindo uma presença divina manifesta entre os homens.

  

Novo Testamento Peshitta

 

3) ܡܲܬ݁ܲܝ (Mattay) Mateus 1:23 

  
 ܕ݁ܗܵܐ ܒ݁ܬ݂ܘܿܠܬ݁ܵܐ ܬܸ݁ܒ݂ܛܲܢ ܘܬ݂ܹܐܠܲܕ݂
ܒ݁ܪܵܐ ܘܢܸܩܪܘܿܢ ܫܡܹܗ ܥܲܡܲܢܘܿܐܝܼܠ
ܕ݁ܡܸܬ݁ܬ݁ܲܪܓ݁ܲܡ ܥܲܡܲܢ ܐܲܠܵܗܲܢ ܀ 
  
  
Mesmo texto em letras hebraico-assírias quadradas: 
  
דּהָא בּתוֹלתָּא תּׅבטַן ותֵּאלַד
בּרָא֑ ונִקרוׄן שׁמֵה עַמַנואיִל
דּמִתּתַּרגַּם עַמַן אַלָהַן ׃

Transliteração: 

  
D'hā’ b'THōltā’ tiṿṭan w'THēᵓlaDH
b'rā w'niqrōn SH'mēh ᶜammanōyīl
d'mittargam ᶜaman ᵓĂlāhan .
  

Tradução: 

  
“Eis que a virgem conceberá e gerará 
o Filho, e chamarão seu nome Emanuel;
que é interpretado: Nosso Deus Conosco.” 
  

Comentário apologético: 

   
O Evangelho de Mateus na Peshitta preserva a mesma palavra siríaca de Isaías 7:14 para “virgem” (b'thūltāᵓ), confirmando a leitura de nascimento virginal do Messias. Além disso, o nome Emanuel é explicitamente interpretado como “Deus conosco”, reforçando a presença divina manifesta no Messias.

Assim sendo:
    • Isaías 7:14 (profecia) ➟ Mateus 1:23 (cumprimento) ➟ mesma palavra “virgem” na tradição siríaca ➟ Emanuel = Deus conosco.
 


4) ܝܘܿܚܲܢܵܢ (Yōḥanān) João 1:1
   
ܒ݁ܪܹܫܝܼܬ݂ ܐܝܼܬ݂ܲܘܗ݈ܝ ܗ݈ܘܵܐ ܡܸܠܬ݂ܵܐ
ܘܗܘܿ ܡܸܠܬ݂ܵܐ ܐܝܼܬ݂ܲܘܗ݈ܝ ܗ݈ܘܵܐ ܠܘܵܬ݂
ܐܲܠܵܗܵܐ ܘܲܐܠܵܗܵܐ ܐܝܼܬ݂ܲܘܗ݈ܝ
ܗ݈ܘܵܐ ܗܘܿ ܡܸܠܬ݂ܵܐ ܀
Mesmo texto em letras hebraico-assírias quadradas: 

בּרָשִׁית אִיתַוהי הוָא מִלתָא
והוֹ מִלתָא אִיתַוהי הוָא לוָת
אַלָהָא וַאלָהָא אִיתַוהי
הוָא הוֺ מִלתָא ׃

Transliteração: 

  
B'raSHīth ᵓīTHaw'' hwāᵓ MilTHāᵓ,
w'hō MilTHāᵓ ᵓīTHaw'' hwā l'wāTH
ᵓĂlāhāᵓ, wᵓĂlāhāᵓ ᵓīTHaw'' 
hwāᵓ hō MilTHāᵓ.

Tradução:

  
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e Ele, o próprio Verbo, era Deus.” 

Comentário apologético: 

  
A Peshitta preserva integralmente a alta cristologia de João 1:1. A Palavra (Milthāᵓ) existe desde o princípio, está com Deus (l'wāth ᵓAlāhāᵓ), indicando distinção, e ao mesmo tempo é Deus (wᵓAlāhāᵓ … hū Milthāᵓ), afirmando claramente sua natureza divina.


  

5) ܝܘܿܚܲܢܵܢ (Yōḥanān) João 1:18
  
ܐܲܠܵܗܵܐ ܠܵܐ ܚܙܵܐ ܐ݈ܢܵܫ ܡܸܡܬ݂ܘܿܡ ܝܼܚܝܼܕ݂ܵܝܵܐ ܐܲܠܵܗܵܐ ܗܲܘ ܕ݁ܐܝܼܬ݂ܲܘܗ݈ܝ ܒ݁ܥܘܿܒ݁ܵܐ ܕ݁ܲܐܒ݂ܘܼܗ݈ܝ ܗܘܿ ܐܸܫܬ݁ܲܥܝܼ
  
Mesmo texto em letras hebraico-assírias quadradas:
   
אַלָהָא לָא חזָא אנָשׁ מִמתוֺם
יִחִידָיָא אַלָהָא הַו דּאִיתַוהי בּעֻובָּא דַּאבֻוהי הֻו אִשׁתַּעִי׃ ס
   

Transliteração: 

  
ᵓAlāhā lā ḥzā ᵓnāSH memTHōm;
YiḥīDHāyā ᵓAlāhā, haw dᵓīTHawhy
b'ᶜōbā dᵓAvūhy, hō ᵓìSHtaᶜī.
  

Tradução: 

  
“Deus jamais foi visto por homem algum; o Deus Unigênito, aquele que está no seio de seu Pai, Ele o revelou.” 
  

Comentário apologético: 

  
A Peshitta siríaca preserva uma leitura altamente cristológica de João 1:18 ao chamar o Messias de “o Deus Unigênito” (Yiḥīḏāyā ᵓAlāhā), e não apenas “o Filho unigênito”. O mesmo que está eternamente “no seio do Pai” é quem revela plenamente o Deus invisível.




6) ܝܘܿܚܲܢܵܢ (Yōḥanān) João 20:28 

Confissão de Thoma' (Tomé) a Yeshua:

ܘܲܥܢܵܐ ܬ݁ܵܐܘܡܲܐ ܘܸܐܡܲܪ ܠܹܗ ܡܵܪܝ ܘܲܐܠܵܗܝ ܀

Mesmo texto em letras hebraico-assírias quadradas: 
 
וַענָא תָּאומַא וֵאמַר לֵה מָרי וַאלָהי׃
  

Transliteração: 

  
Waᶜnā Tᵓōma wiᵓmar leh: Māry wᵓĂlāhy!
  

Tradução: 

  
“E respondeu Tomé e lhe disse: Senhor meu e Deus meu!” 

Comentário apologético: 

   
Essa sexta passagem é fortíssima. Em termos de cristologia explícita na Peshitta, poucos textos são tão diretos quanto este.

O detalhe central é que Tomé não faz uma exclamação genérica diante de Deus, mas dirige-se a Yeshua:

ܘܸܐܡܲܪ ܠܹܗ (wiᵓmar leh)
“e lhe disse”

O pronome: ܠܹܗ (leh) = “a ele / para ele” mostra claramente o destinatário da confissão: Yeshua.

Além disso, Tomé usa dois títulos no estado enfático com sufixo possessivo:

ܡܵܪܝ (Māry)
“Meu Senhor”

ܘܲܐܠܵܗܝ (wᵓAlāhy)
“e meu Deus”

Ou seja, não é apenas reverência; é uma confissão pessoal.

A Peshitta preserva uma das mais explícitas confissões da divindade do Messias no Novo Testamento. Tomé não faz uma exclamação diante do céu, mas dirige-se diretamente a Yeshua — “e lhe disse” (wiᵓmar leh) — chamando-o explicitamente de “Meu Senhor e meu Deus” (Māry wᵓAlāhy). O próprio Evangelho de João encerra seu testemunho cristológico com uma confissão inequívoca da divindade de Cristo.

Veja como João está formando um arco muito bonito nessa série:

João 1:1

o Verbo era Deus

João 1:18

o Deus Unigênito

João 20:28

Meu Senhor e meu Deus

Ou seja, João praticamente abre, desenvolve e conclui seu Evangelho afirmando a divindade do Messias! 

 

7) ܦܪܟܣܝܣ ܕܫܠܝܚ̈ܐ  (Praksis d'Shelihê) Atos dos Apóstolos 
  
ܐܸܙܕ݁ܲܗ݈ܪܘ ܗܵܟ݂ܹܝܠ ܒ݁ܢܲܦ݂ܫܟ݂ܘܿܢ ܘܲܒ݂ܟ݂ܼܠܵܗ
ܡܲܪܥܝܼܬ݂ܵܐ ܗܵܝ ܕ݁ܲܐܩܝܼܡܟ݂ܘܿܢ ܒ݁ܵܗ
ܪܘܿܚܵܐ ܕ݁ܩܘܿܕ݂ܫܵܐ ܐܸܦܹ݁ܣܩܘܿܦܹ݁ܐ
ܕ݁ܬ݂ܸܪܥܘܿܢ ܠܥܹܕ݈݁ܬܹ݁ܗ ܕ݁ܲܐܠܵܗܵܐ ܗܵܝ
ܕ݁ܲܩܢܵܗ ܒ݁ܲܕ݂ܡܹܗ ܀
   
Mesmo texto em letras hebraico-assírias quadradas: 
  
אִזדַּהרו הָכֵיל בּנַפשׁכוֺן וַבכלָה
מַרעִיתָא֑ הָי דּאַקִימכוֺן בָּה
רוֹחָא דּקוֹדשָׁא אֵפִּסקוֺפֵּא֑
דּתִרעוֺן לעֵ(דּ)תֵּה דּאַלָהָא הָי
דַּקנָה בַּדמֵה׃

Transliteração: 

   
ᵓizdahrəw hākēl b'nafSHᵊKHōn wavKHəlāh marᶜīTHā hāy dᵓaqīmKHōn bāh Rōḥāᵓ d'QōDHᵊSHāᵓ ᵓepisqōpēᵓ d'THirᶜōn lᶜe(d)teh dᵓĂlāhā hāy 
daqnāh baDHmēh.

Tradução: 

  
“Cuidai, pois, de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito de Santidade vos constituiu bispos, para apascentardes a Igreja de Deus, a qual Ele adquiriu com seu próprio sangue.” 
   

Comentário apologético: 

   
A Peshitta preserva explicitamente a leitura “Igreja de Deus” (ᶜedteh dᵓAlāhā), afirmando que foi o próprio Deus quem a adquiriu “com seu sangue” (badmeh). Como o sangue derramado pertence ao Messias, o texto identifica claramente Yeshua com Deus.
  


8) ܪܼܗ݈ܘܡܵܝܹܐ (Rūmāye) Romanos 9:5
  
ܘܲܐܒ݂ܵܗܵܬ݂ܵܐ ܘܡܸܢܗܘܿܢ ܐܸܬ݂ܚܙܝܼ
ܡܫܝܼܚܵܐ ܒ݁ܲܒ݂ܣܲܪ ܕ݁ܐܝܼܬ݂ܲܘܗ݈ܝ ܐܲܠܵܗܵܐ
ܕ݁ܥܲܠ ܟܼ݁ܠ ܕ݁ܠܹܗ ܬܸ݁ܫܒ݁ܚܵܢ ܘܒ݂ܘܿܪܟ݁ܵܢ
ܠܥܵܠܲܡ ܥܵܠܡܝܼܢ ܐܲܡܝܼܢ ܀
  
Mesmo texto em letras hebraico-assírias quadradas: 
  
וַאבָהָתָא ומֵנהוֺן אִתחזִי
משִׁיחָא בַּבסַר דּאִיתַוהי אַלָהָא
דּעַל כֻּל דּלֵה תִּשׁבּחָן ובוֹרכָּן 
לעָלַם עָלמִין אַמִין :
 
  

Transliteração: 

  
Waᵓvāhāthā w'minhōn ᵓiTHḥəzī
M'SHīḥā bavsar dᵓīTHāw" ᵓĂlāhā
d'ᶜal kul d'lēh 
tiSHbəḥān w'vōrkān
l'ᶜālam ᶜālmīn ᵓamīn .
  

Transliteração: 

  
“E deles são os patriarcas, e deles também veio o Messias segundo a carne, o qual é Deus sobre tudo, a Ele sejam louvor e bênção para todo o sempre. Amém.”
  

Comentário apologético: 

    
A Peshitta liga diretamente o título Deus sobre tudo” (ᵓAlāhā dᶜal kul ) ao próprio Messias. O relativo siríaco “que é” (dᵓīthawhy) conecta
naturalmente a expressão ao antecedente imediato — o Messias segundo a carne — formando uma das declarações mais explícitas da divindade de Cristo nas epístolas paulinas.

  

 

  
9) ܦ݂ܝܼܠܝܼܦܹ݁ܣܵܝܹܐ (Fīlīpēsāyē) Filipenses 2:5-7
  
 ܘܗܵܕ݂ܹܐ ܐܸܬ݂ܪܲܥܲܘ ܒ݁ܢܲܦ݂ܫܟ݂ܘܿܢ ܗܵܝ ܕ݁ܵܐܦ݂ ܝܼܫܘܿܥ ܡܫܝܼܚܵܐ
⁶ ܗܲܘ ܕ݁ܟ݂ܲܕ݂ ܐܝܼܬ݂ܲܘܗ݈ܝ ܒ݁ܲܕ݂ܡܘܿܬ݂ܵܐ ܕ݁ܲܐܠܵܗܵܐ ܠܵܐ ܗ݈ܘܵܐ ܚܛܘܿܦ݂ܝܵܐ ܚܲܫܒ݁ܵܗ ܗܵܕ݂ܹܐ ܕ݁ܐܝܼܬ݂ܲܘܗ݈ܝ ܦܸ݁ܚܡܵܐ ܕ݁ܲܐܠܵܗܵܐ
⁷ ܐܸܠܵܐ ܢܲܦ݂ܫܹܗ ܣܲܪܸܩ ܘܲܕ݂ܡܘܿܬ݂ܵܐ ܕ݁ܥܲܒ݂ܕ݁ܵܐ ܢܣܲܒ݂ ܘܲܗܘܵܐ ܒ݁ܲܕ݂ܡܘܿܬ݂ܵܐ ܕ݁ܲܒ݂ܢܲܝܢܵܫܵܐ ܘܒ݂ܸܐܣܟܹ݁ܡܵܐ ܐܸܫܬ݁ܟ݂ܲܚ ܐܲܝܟ݂ ܒ݁ܲܪܢܵܫܵܐ ܀

Mesmo texto em letras hebraico-assírias quadradas: 
  
⁵ והָדֵא אֵתרַעַו בּנַפשׁכוֹן הָי דָּאפ יִשׁוֹע משִׁיחָא .
⁶ הַו דּכַד אִיתַוהי בַּדמוֹתָא דַּאלָהָא לָא הוָא חטוֹפיָא חַשׁבָּה הָדֵא דּאִיתַוהי פִּחמָא דַּאלָהָא .
⁷ אִלָא נַפשֵׁה סַרֵק וַדמוֹתָא דּעַבדָּא נסַב וַהוָא בַּדמוֹתָא דַּבנַינָשָׁא ובִאסכֵּמָא אִשׁתּכַח אַיך בַּרנָשָׁא .
   

Transliteração:

   
⁵ wəhāDHēᵓ ᵓeṯTHraᶜaw bənapSHəKHōn hāy dᵓāp YiSHōᶜ MəSHīḥāᵓ .
⁶ haw dəkaDH ᵓīTHaw baDHmōTHāᵓ
dᵓălāhāᵓ lāᵓ "wāᵓ ḥəṭūpyāᵓ ḥaSHbāh hādē dᵓīTHaw" pìḥmāᵓ dᵓălāhāᵓ .
⁷ ᵓìllāᵓ nafSHēh sarrìq, waDHmōTHāᵓ dəᶜaVdāᵓ nəsaV, wahwāᵓ baDHmōTHāᵓ daVnaynāSHāᵓ wəbìᵓskemāᵓ ᵓìSHtəKHaḥ ᵓayKH barnāSHāᵓ .
  

Tradução:

  
“⁵ Pensai isto em vossas almas*, assim como Yeshua, o Messias: 
⁶ que, quando ele estava na forma de Deus, não considerou sendo um roubo deliberado o ser igual a Deus; 
⁷ mas sua alma se esvaziou, e tomou a forma de servo, e foi feito na forma de homens, e foi achado em figura humana”

(*) “Pensai isto em vossas almas”, isto é, “tenham este mesmo sentimento”.
  

Comentário apologético:

  
  

A Peshitta afirma que o Messias
existia “na forma de Deus” (baḏmūthā dᵓAlāhā) e possuía igualdade com Deus (peḥmā dᵓAlāhā). O texto não apresenta Yeshua tentando tornar-se divino, mas descreve sua condição pré-existente antes do esvaziamento voluntário da encarnação.


10) ܛܹܛܘܿܣ (Ṭēṭōs) Tito 2:13
  
ܟ݁ܲܕ݂ ܡܣܲܟܹ݁ܝܢܲܢ ܠܣܲܒ݂ܪܵܐ ܒ݁ܪܝܼܟ݂ܵܐ
ܘܲܠܓ݂ܸܠܝܵܢܵܐ ܕ݁ܬ݂ܸܫܒ݁ܘܿܚܬܹ݁ܗ ܕ݁ܲܐܠܵܗܵܐ
ܪܲܒ݁ܵܐ ܘܡܲܚܝܵܢܲܢ ܝܼܫܘܿܥ ܡܫܝܼܚܵܐ ܀
   
Mesmo texto em letras hebraico-assírias quadradas: 
  
כַּד מסַכֵּינַן לסַברָא בּרִיכָא
וַלגֵליָנָא דּתִשׁבּוֺחתֵּה דּאַלָהָא
רַבָּא ומַחיָנַן יִשׁוֺע משִׁיחָא :
 
  

Transliteração: 

  
KaDH m'sakēnnan ləsaVrāᵓ b'rīKHāᵓ walGHilyānāᵓ d'tiSHbōḥteh dĂᵓlāhāᵓ rabāᵓ w'maḥyānan Yishōᶜ M'shīḥāᵓ. 
  

Tradução: 

  
“Enquanto aguardamos a bendita esperança e a manifestação da glória do grande Deus e Doador da nossa vida — Yeshua, o Messias.”
  

Comentário apologético: 

    
A Peshitta apresenta Yeshua, o Messias, como o próprio “grande Deus” (ᵓAlāhā rabā) e “Doador da vida” (maḥyānan). A construção do texto conecta naturalmente ambos os títulos a Yeshua, formando uma das mais explícitas afirmações paulinas da divindade do Messias.

A sequência das cartas paulinas é muito forte:

Romanos 9:5 ➟ Messias = Deus sobre tudo

Filipenses 2:6 ➟ igual a Deus

Tito 2:13 ➟ o grande Deus, Yeshua Messias

Ou seja, Paulo na Peshitta não apresenta uma cristologia reduzida — muito pelo contrário. 

  

  

11) O Eterno chama seu Filho de <<Deus>> em ܥܒܪ̈ܝܐ ᶜEvrāyē (Hebreus) 1:8 
  
ܥܲܠ ܒ݁ܪܵܐ ܕܹ݁ܝܢ ܐܸܡܲܪ ܕ݁ܟ݂ܘܿܪܣܝܵܟ݂
ܕ݁ܝܼܠܵܟ݂ ܐܲܠܵܗܵܐ ܠܥܵܠܲܡ ܥܵܠܡܝܼܢ ܫܲܒ݂ܛܵܐ
ܦ݁ܫܝܼܛܵܐ ܫܲܒ݂ܛܵܐ ܕ݁ܡܲܠܟ݁ܘܿܬ݂ܵܟ݂ ܀
  
Mesmo texto em letras hebraico-assírias quadradas: 
  
עַל בּרָא דֵּין אִמַר דּכוֹרסיָך  
 דִּילָך אַלָהָא לעָלַם עָלמִין שַׁבטָא
פּשִׁיטָא שַׁבטָא דּמַלכּוֹתָך׃
   

Transliteração: 

  
ᶜAl b'rāᵓ dēn ᵓìmar d'KHōrs'yāKH
dīlāKH Ălāhāᵓ l'ᶜālam ᶜālmīn shaVṭāᵓ 
p'SHīṭāᵓ SHaVṭāᵓ d'malkōTHāKH.

Tradução: 

  
“Mas sobre o Filho diz: "O teu trono, ó Deus, é pelo século dos séculos; cetro de retidão é o cetro do seu reino.”
  

Comentário apologético: 

   
A Peshitta preserva explicitamente o Pai dirigindo-se ao Filho
como “Deus” (ᵓAlāhā). O texto não apresenta uma interpretação indireta, mas uma declaração direta: “Sobre o Filho diz: ‘O teu trono, ó Deus…’”. Trata-se de uma das mais explícitas afirmações da divindade do Messias no Novo Testamento. 

 
 

12) YESHUA, O VERDADEIRO Deus - ܐܓܪܬܐ ܕܝܘܚܢܢ ܐ (Egarta d'Yuhhanan A)  Primeira Epístola de João 5:20
  
ܘܝܵܕ݂ܥܝܼܢܲܢ ܕ݁ܲܒ݂ܪܹܗ ܕ݁ܲܐܠܵܗܵܐ ܐܸܬ݂ܵܐ
ܘܝܲܗ݈ܒ݂ ܠܲܢ ܡܲܕ݁ܥܵܐ ܕ݁ܢܸܕ݁ܲܥ ܠܫܲܪܝܼܪܵܐ
ܘܢܹܗܘܹܐ ܒܹ݁ܗ ܒ݁ܫܲܪܝܼܪܵܐ ܒ݁ܲܒ݂ܪܹܗ
ܝܼܫܘܿܥ ܡܫܝܼܚܵܐ ܗܵܢܵܐ ܗܘܿ ܐܲܠܵܗܵܐ
ܫܲܪܝܼܪܵܐ ܘܚܲܝܹܐ ܕ݁ܲܠܥܵܠܲܡ ܀
  
Mesmo texto em letras hebraico-assírias quadradas: 
  
ויָדעִינַן דַּברֵה דַּאלָהָא אִתָא֑
ויַה֗ב לַן מַדּעָא דּנִדַּע לשַׁרִירָא֑
ונֵהוֵא בֵּה בּשַׁרִירָא֑ בַּברֵה
יֵ֣שֻׁוע משִׁיחָא֖ הָנָא הוֹ אַלָהָא
שַׁרִירָא וחַיֵא֞ דַּלעָלַם֖׃
  

Transliteração: 

  
WəyāDHᶜīnan daVrēh dăᵓlāhāᵓ ᵓiTHā, wəya(h)V lan madᶜāᵓ dənìdaᶜ ləSHarīrāᵓ, wənìhwēᵓ bēh bəSHarīrāᵓ, baVreh YiSHōᶜ MəSHīḥāᵓ, hānāᵓ hō ᵓĂlāhāᵓ SHarīrāᵓ wəḥayē dalᶜālam . 

Tradução: 

  
“E nós sabemos que o Filho de Deus veio, e nos deu o conhecimento para que pudessemos conhecer o Verdadeiro; e para que possamos estar no Verdadeiro, em seu Filho Yeshua, o Messias. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna.” 

Comentário apologético: 

  
A Peshitta identifica explicitamente Yeshua, o Messias, como “o
verdadeiro Deus” (ᵓAlāhā Sharīrā) e “a vida eterna”. O demonstrativo “este” (hānā) aponta naturalmente para o antecedente imediato — “seu Filho Yeshua, o Messias” — tornando esta uma das mais explícitas afirmações joaninas da divindade de Cristo.

 

13) ܝܼܗܘܿܕ݂ܵܐ (Yihōḏāᵓ) Judas 1:4 
  
  
ܩܢܲܘ ܓܹ݁ܝܪ ܐ݈ܢܵܫܝܼܢ ܡܲܥܠܵܢܘܿܬ݂ܵܐ ܐܲܝܠܹܝܢ
ܕ݁ܡܸܢ ܫܘܿܪܵܝܵܐ ܩܲܕܸ݁ܡܘ ܐܸܬ݂ܟ݁ܬ݂ܸܒ݂ܘ
ܒ݁ܚܘܿܝܵܒ݂ܵܐ ܗܵܢܵܐ ܐ݈ܢܵܫܵܐ ܪܲܫܝܼܥܹܐ
ܕ݁ܲܠܛܲܝܒ݁ܘܿܬ݂ܹܗ ܕ݁ܲܐܠܵܗܲܢ ܡܲܗܦ݁ܟ݂ܹܝܢ
ܠܛܲܢܦ݁ܘܿܬ݂ܵܐ ܘܲܒ݂ܗܲܘ ܕ݁ܐܝܼܬ݂ܲܘܗ݈ܝ
ܒ݁ܲܠܚܘܿܕ݂ܲܘܗ݈ܝ ܡܵܪܵܐ ܐܲܠܵܗܵܐ ܘܡܵܪܲܢ
ܝܼܫܘܿܥ ܡܫܝܼܚܵܐ ܟ݁ܵܦ݂ܪܝܼܢ ܀
  
Mesmo texto em letras hebraico-assírias quadradas: 
  
  
קנַו גֵּיר אנָשִׁין מַעלָנוֹתָא אַילֵין
דּמִן שׁוֹרָיָא קַדִּמו אִתכּתִבו
בּחוֹיָבָא הָנָא אנָשָׁא רַשִׁיעֵא
דַּלטַיבּוֹתֵה דַּאלָהַן מַהפּכֵין
לטַנפּוֹתָא וַבהַו דּאִיתַוהי 
בַּלחוֹדַוהי מָרָא אַלָהָא ומָרַן
יִשׁוֹע משִׁיחָא כָּפרִין .
  

Transliteração: 

  
Qənaw gēr "nāSHīn maᶜlānōSHā ᵓaylēn
dəmìn SHōrāyāᵓ qadìmw ᵓìTHkəTHìVw
bəḥōyāVāᵓ hānāᵓ "nāSHāᵓ rashīᶜēᵓ
dalṭaybōTHeh dᵓălāhan mahpəKHēn ləṭanpōTHāᵓ waVhaw dᵓīTHaw" balḥōDHaw" Mārāᵓ ᵓălāhāᵓ wəMāran YiSHōᶜ MəSHīḥāᵓ kāfrīn . 
 

Tradução: 

  
“Porque certos homens se infiltraram, estes que desde o princípio foram previamente designados para esta condenação; homens ímpios, que transformam a graça de nosso Deus em impureza, e aquele que é o único Senhor Deus e Senhor nosso, Yeshua, o Messias, eles negam.” 

A Bíblia Peshitta, da BV Books, 1ª edição, assim traduz Judas verso 4:
  
Porque alguns homens obtiveram acesso, os quais desde o princípio estavam escritos de antemão para esta condição; homens ímpios que convertem a graça de nosso Deus em abominação, e negam Àquele que é o único Senhor Deus: nosso Senhor Jesus Cristo.
  
Em sua segunda edição assim está escrito:
    
Porque alguns homens obtiveram acesso, os quais desde o princípio estavam escritos de antemão para esta condição; homens ímpios que convertem a graça de nosso Alaha em abominação, e negam Àquele que é o único Senhor Alaha: o Maran Yeshua M'shikha.
     

Comentário apologético: 

    
Assim como na construção grega, a construção siríaca permite uma leitura em que o título ‘único Senhor Deus’ se conecta diretamente a Yeshua, o Messias. Essa compreensão também foi adotada por traduções modernas da Peshitta, como as duas edições da BV Books, que vertem o texto de forma identificando Yeshua como o referente da expressão.

   

Vetus Syrus

  
Vetus Syriaca é o termo utilizado pelos estudiosos para se referir à tradução mais antiga dos Evangelhos para o siríaco, e ele é composto por apenas dois manuscritos sobreviventes:
  
  1. Siríaco Curetoniano (syr cur): Fragmentos dos quatro evangelhos descobertos no Deserto de Nitria e publicados por William Cureton.
  2. Siríaco Sinaítico (syrsin): Um palimpsesto mais antigo encontrado no Mosteiro de Santa Catarina, no Monte Sinai.  Mais detalhes: https://pt.wikipedia.org/wiki/Evangelhos_curetonianos



  
14) ܝܘܿܚܲܢܵܢ (Yōḥanān) João 1:1

A Divindade de Yeshua confirmada no texto aramaico-siríaco do Novo Testamento na tradição Vetus Syriaca (Siríaco Curetoniano)
 
 

ܐܘܢܓܠܝܘܢ ܕܝܘܚܢܢ
ܒܪܫܝܬ ܐܝܬܘܗܝ ܗܘܐ ܡܠܬܐ
ܘܗܘ ܡܠܬܐ ܐܝܬܘܗܝ ܗܘܐ ܠܘܬ
ܐܠܗܐ ܘܐܠܗܐ ܐܝܬܘܗܝ ܗܘܐ
ܗܘ ܡܠܬܐ ܀
  
Mesmo Texto vocalizado:
  
ܐܸܘܲܢܓܸ݁ܠܝܼܘܿܢ ܕ݁ܝܘܿܚܲܢܵܢ
ܒܪܵܫܝܼܬ݂ ܐܝܼܬ݂ܵܘܗܝ ܗܘ̣ܵܐ ܡܸܠܬ݂ܵܐ.
ܘܗܘܼ ܡܸܠܬ݂ܵܐ. ܐܝܼܬ݂ܵܘܗܝ ܗܘ̣ܵܐ ܠܘܵܬ݂
ܐܲܠܵܗܵܐ. ܘܐܲܠܵܗܵܐ ܐܝܼܬ݂ܵܘܗܝ ܗܘ̣ܵܐ
ܗܸܘ ܡܸܠܬ݂ܵܐ ܀
   
Mesmo texto em letras hebraico-assírias quadradas: 
  
אֵוַנגֵּלִיוֹן דּיוֹחַנָן
בּרָשִׁית אִיתַוהי הוָא מִלתָא
והוֹ מִלתָא אִיתַוהי הוָא לוָת
אַלָהָא וַאלָהָא אִיתַוהי
הוָא הוֺ מִלתָא׃

Transliteração: 

  
ᵓewangelīōn d'Yoḥanān
B'rashīth ᵓīthaw'' hwāᵓ Milthāᵓ,
w'hō Milthāᵓ ᵓīthaw'' hwā l'wāth
ᵓĂlāhāᵓ, wᵓĂlāhāᵓ ᵓīthaw''
hwāᵓ hō Milthāᵓ.
  

Tradução: 

  
Evangelho de João 
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e Ele, o próprio Verbo, era Deus.”  
  

Comentário apologético: 

   
O mais antigo testemunho siríaco dos Evangelhos, conhecido como
Vetus Syriacus ou Siríaco Curetoniano, preserva a mesma alta cristologia encontrada na Peshitta e no texto grego de João 1:1. O texto afirma claramente que “Ele, o próprio Verbo, era Deus”, demonstrando que a tradição aramaico-siríaca mais antiga do Novo Testamento jamais apresentou uma cristologia reduzida de Yeshua.

   

15)  ܝܘܚܢܢ (Yōḥanān) João 20:28 

Confissão de Thoma' (Tomé) a Yeshua:

ܐܡܪ ܠܗ ܬܐܘܡܐ ܡܪܝ ܘܐܠܗܝ ܀

Mesmo Texto vocalizado:
  
  
ܐܸܡܲܪ ܠܹܗ ܬ݁ܵܐܘܡܲܐ ܡܵܪܝ ܘܲܐܠܵܗܝ ܀
 
Mesmo texto em letras hebraico-assírias quadradas: 
  
אִמַר לֵה תָּאומַא מָרי וַאלָהי׃ 

Transliteração: 

  
ᵓemar leh Tāwma: Māry wᵓĂlāhy!
  

Tradução: 

  
“Disse-lhe Tomé: ‘Senhor meu e Deus meu!’”

Comentário apologético: 

  
O antigo texto do Vetus Syriaca (Siríaco Curetoniano) preserva a mesma confissão cristológica encontrada na Peshitta e no texto grego: Tomé dirige-se diretamente a Yeshua chamando-o de “Meu Senhor e meu Deus” (Māry wᵓĂlāhy). Não se trata de uma exclamação dirigida ao céu, pois o texto afirma explicitamente: “disse-lhe” (ᵓemar leh). Assim, a mais antiga tradição siríaca dos Evangelhos confirma explicitamente a divindade do Messias.

E assim podemos ver que a leitura elevada da divindade de Cristo já existia na mais antiga tradição siríaca dos Evangelhos.

  

E assim fechamos a série em terminar no Evangelho com Tomé confessando Yeshua como Deus — especialmente porque essa coletânea começou em Isaías 9:6 e percorreu toda a linha da revelação até chegar à confissão explícita do discípulo.

Como estas duas últimas passagens postadas acima estão no Vetus Syriaca / Siríaco Curetoniano, elas mostram que a leitura elevada da divindade de Cristo já existia na mais antiga tradição siríaca dos Evangelhos.

Aqui está o arco da coletânea:

1ª figura — Isaías 9:6

“Deus Poderoso”

2ª — Emanuel

“Deus conosco”

João 1:1

o Verbo era Deus

João 1:18

o Deus Unigênito

João 20:28

Meu Senhor e meu Deus

Hebreus 1:8

O Pai chama o Filho de Deus

1 João 5:20

o verdadeiro Deus

15ª figura — Tomé novamente (Vetus Syriaca)

“Meu Senhor e meu Deus!”

Ou seja: a série começa no Tanakh, passa pela Peshitta, e termina mostrando que até a mais antiga tradição siríaca dos Evangelhos preserva a mesma cristologia elevada de Jesus Cristo. 


PS.: Essas figuras com transcrições, transliterações e traduções postei inicialmente num dos meus álbuns do Facebook e num grupo do WhatsApp a partir do dia 26 de novembro de 2020 e no Telegram do dia 12 de janeiro de 2025.

Também, abaixo das figuras, há pequenas atualizações vocálicas nas letras siríacas/hebraicas e também melhorei as traduções. 


Fontes:

  • Textos bíblicos da Peshitta em letras siríacas: App de celular MyBible;
  • Textos bíblicos da Peshitta em letras hebraicas (somente NT): site Dukhrana - https://dukhrana.com/peshitta/
  • Revisão linguística e figura da capa: ChatGPT
  • Todos os textos dos "Comentários apologéticos" (exceto o nº 2 de Isaías 7:14) por sugestão e composição: ChatGPT. 



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44 — Textos Bíblicos Alterados — Deuteronômio 32:43
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45 — Hebreus 1:6 e as falsas Testemunhas de Jeová (IA)
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46 — O Batismo Trinitário de Mateus 28:19
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47 — O Nome JESUS nos Idiomas Bíblicos
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48 — O Nome JESUS e os neojudaizantes
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49 — A Verdadeira Origem da Árvore de Natal
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50 — Batismo: Mergulho ou Aspersão? — Parte 1 (Debate com o ChatGPT)
https://cacerege.blogspot.com/2026/02/debate-com-o-chatgpt-batismo-mergulho.html

51 — Batismo: Mergulho ou Aspersão? — Parte 2 (Debate com o ChatGPT)
https://cacerege.blogspot.com/2026/04/debate-com-o-chatgpt-batismo-mergulho.html

52 — Batismo: Mergulho ou Aspersão? — Parte 3 (Debate com o ChatGPT)
https://cacerege.blogspot.com/2026/03/debate-com-o-chatgpt-batismo-mergulho_2.html

53 — Batismo: Mergulho ou Aspersão? — Parte 4 (Batismo Infantil) - ChatGPT 
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54 — O Tetragrama YHWH e sua relação com o siríaco Mar-Yah
https://cacerege.blogspot.com/2026/03/o-tetragrama-yhwh-e-o-siriaco-mar-yah.html

55 — O Lógos/Memra — A Palavra de Deus no Antigo Testamento
https://cacerege.blogspot.com/2026/03/o-logos-palavra-de-deus-no-antigo.html

56 — Nəshāmāh — O Sopro Divino da Vida no Hebraico Bíblico
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57 — Jesus teve origem na antiguidade?
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58 — O Dilúvio Universal confirmado em diversas culturas (IA)
https://cacerege.blogspot.com/2026/04/o-diluvio-universal-confirmado-em.html

59 — Por que Jeorão morreu e não deixou saudades? (IA)
https://cacerege.blogspot.com/2026/04/por-que-jeorao-morreu-e-nao-deixou.html

60 — A Bíblia Fala de Unicórnios?
https://cacerege.blogspot.com/2026/04/a-biblia-fala-de-unicornios.html

61 — Tannin: Chacal, Serpente ou Monstro Marinho?
https://cacerege.blogspot.com/2026/04/tannin-chacal-serpente-ou-monstro.html

62 — Tannin: Chacal, Serpente ou Monstro Marinho? (IA)
https://cacerege.blogspot.com/2026/04/ia-tannin-chacal-serpente-ou-monstro.html

63 — Leviatã, o Monstro Marinho
https://cacerege.blogspot.com/2026/04/leviata-o-monstro-marinho.html

64- Satanás na Bíblia: origem, atuação e destino final

65- Resposta a algumas dúvidas sobre Satanás



👉🏼 Outros estudos postadas que não estão nesta lista, a partir do estudo de nº 71:




Obs.: É permitido a cópia para republicações, desde que cite o autor e as respectivas fontes principais e intermediária.



Luís - ܠܘܝܣ- לואיס - 𐤋𐤅𐤀𐤉𐤎 - Ⲗⲟⲩⲓⲥ - Λουίς✍🏼 


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