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terça-feira, 30 de junho de 2026

Literatura Judaica: O Filho de Deus Criou Tudo

O Filho e Deus Criou Todas as Coisas 


Postei para o ChatGPT/Solomon:

Gênesis 1:1 no Targum Neofiti

מלקדמין בחכמה ברא דיי שכלל ית שמיא וית ארעא

Texto vocalizado:

מִלְּקַדְמִין בְּחָכְמָה בְּרָא דַּייָ שִׁכְלֵל יָת שְׁמַיָּא וְיָת אַרְעָא :

Transliteração:

Milqadmin bəḤokhmāh Bərāᵓ da-YəYă (YHWH) Shikhlēl Yāth Shᵊmayyāᵓ wəYāth ᵓarᶜāᵓ

Tradução literal:

“No princípio, com sabedoria, o Filho de Adonai [YaHWeH] formou os céus e a terra.”

Resposta do ChatGPT/Solomon:

✳️ Esse texto é muito interessante, mas a tradução apresentada precisa de uma correção importante.

O texto aramaico do Targum Neofiti é:

מלקדמין בחכמה ברא דיי שכלל ית שמיא וית ארעא

Vocalizado:

מִלְּקַדְמִין בְּחָכְמָה בְּרָא דַּייָ שִׁכְלֵל יָת שְׁמַיָּא וְיָת אַרְעָא

Transliteração:

Milqadmin bəḥokhmāh bərā d-YYY shikhlēl yath shemayyā wəyath ar‘ā.

Tradução mais precisa

Uma tradução literal seria:

"Desde o princípio, com sabedoria, o SENHOR criou e aperfeiçoou os céus e a terra."

Ou ainda:

"No princípio, com sabedoria, o SENHOR formou (ou organizou) os céus e a terra."


Analisando palavra por palavra

מלקדמין (milqadmin)

Literalmente:

"desde antes", "desde o princípio", "no princípio".

É um equivalente aramaico de בראשית (bereshit).


בחכמה (bəḥokhmāh)

"com sabedoria"

Essa é uma expansão típica dos Targumim.

Ela lembra imediatamente:

  • Provérbios 3:19

    "O Senhor com sabedoria fundou a terra."

  • Salmo 104:24

    "Com sabedoria fizeste todas as coisas."

O Targum já interpreta Gênesis à luz desses textos.


ברא (bərā)

Verbo:

"criou"

O mesmo verbo hebraico ברא.


דיי (d-YYY)

Aqui está o ponto mais importante.

דיי é uma abreviação reverencial do Nome Divino (YHWH).

Significa simplesmente:

"o Senhor"

ou

"YHWH".

Não significa "Filho".


שכלל (shikhlēl)

Do verbo שכלל.

Significa:

  • aperfeiçoar
  • organizar
  • completar
  • ordenar
  • formar

É uma ampliação interpretativa do verbo "criar".

O Neofiti gosta muito dessa ideia de Deus "organizando" a criação.


ית

Marcador do objeto direto.

Não possui tradução.


שמיא

céus


ארעא

terra


O texto fala "Filho de YHWH"?

A resposta é:

Não.

No manuscrito não existe a palavra:

  • בר (bar = filho)

nem

  • בריה (filho)

nem

  • בר דיהוה (Filho do Senhor)

Nada disso aparece.


De onde surgiu essa tradução?

Alguns autores cristãos messiânicos propõem que:

בחכמה

("com Sabedoria")

deve ser entendido como uma referência pessoal à Sabedoria de Deus.

Depois conectam isso com:

  • Provérbios 8
  • João 1
  • Colossians 1
  • 1 Corinthians 1:24 ("Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus")

E concluem:

"Com Sabedoria"

=

"por meio do Filho"

Essa é uma interpretação teológica cristã, não a tradução literal do Targum.


Há fundamento bíblico para essa interpretação?

Do ponto de vista do Novo Testamento, existe uma conexão interessante.

João escreve:

"Todas as coisas foram feitas por meio dele."

Paulo afirma:

Cristo é "a Sabedoria de Deus".

Assim, muitos teólogos cristãos entendem que a expressão targúmica "com sabedoria" antecipa, tipologicamente, a atuação do Filho na criação.

Mas isso é uma leitura cristológica posterior. O texto aramaico em si não diz:

"o Filho de Adonai criou..."

Ele diz apenas:

"O Senhor, com sabedoria, criou e organizou os céus e a terra."


Conclusão

Há duas formas distintas de apresentar esse texto:

Tradução filológica (literal):

"No princípio, com sabedoria, o Senhor criou e aperfeiçoou os céus e a terra."

Interpretação cristológica (à luz do Novo Testamento):

A expressão "com sabedoria" pode ser entendida pelos cristãos como uma referência ao Logos eterno, identificado com Cristo em João 1, mas essa identificação não está explicitamente presente no texto do Targum Neofiti.

Essa distinção entre o que o texto diz e como ele pode ser interpretado teologicamente é importante para manter a precisão exegética.


  

Eu: 

👨🏼‍🦳Você escreveu:

O texto fala "Filho de YHWH"?
A resposta é:
Não.
No manuscrito não existe a palavra:
בר (bar = filho)
nem
בריה (filho)
nem
בר דיהוה (Filho do Senhor)
Nada disso aparece.

Te respondo:

ברא (bərā) = o filho, pois está no modo enfático de בר
Se você não sabe, o texto diz:
ברא דיי
Bərāᵓ da-YəYă (YHWH)

= o Filho de Adonai [YaHWeH]
Onde דיי significa: "de YəYă" onde no Targum ײ (YəYā) é o Bigrama, forma compacta do Tetragrama.


  

Resposta do ChatGPT/Solomon:

Você levantou uma questão filológica séria, e vale a pena analisá-la com cuidado. O ponto central não é o significado de דיי, mas a vocalização e a leitura de ברא.

Há duas possibilidades:

1. A leitura tradicional dos editores do Targum Neofiti

Os editores críticos (como Alejandro Díez Macho) leem:

ברא = bərā' (verbo "criou")

Assim, a frase é entendida como:

"No princípio, com sabedoria, o SENHOR criou/aperfeiçoou os céus e a terra."

Nessa leitura, שכלל ("aperfeiçoou, organizou") funciona como um segundo verbo, uma expansão interpretativa típica dos targumim.


2. A leitura que você está propondo

Você propõe segmentar assim:

ברא דיי

como

בְּרָא דַּייָ

isto é,

"o Filho de YHWH"

Nesse caso:

  • ברא não seria o verbo "criou", mas o substantivo בר ("filho") no estado enfático aramaico (barā = "o filho").
  • דיי seria o relativo/genitivo "de YHWH", sendo יי a forma abreviada do Tetragrama nos targumim.

A tradução ficaria:

"No princípio, com sabedoria, o Filho de YHWH organizou os céus e a terra."

Do ponto de vista morfológico, essa leitura é possível se se aceitar que ברא seja um substantivo em estado enfático, e não o verbo.


Onde está o debate?

A questão é que a tradição manuscrita e a esmagadora maioria dos especialistas entendem ברא aqui como verbo, por várias razões:

  • O paralelo direto com o hebraico de Gênesis 1:1 (ברא).
  • A sintaxe verbal é a esperada para um targum desse versículo.
  • Os demais targumim (como Targum Onkelos) preservam o verbo "criou".
  • As edições críticas do Neofiti vocalizam a palavra como verbo.

Por outro lado, a sua proposta depende de uma revocalização do texto consonantal. Como o aramaico consonantal permite ambiguidades, essa discussão é legítima do ponto de vista filológico, mas ela não corresponde à leitura adotada nas edições críticas nem ao consenso acadêmico.


Sobre דיי

Aqui concordo com você em parte.

Nos targumim, יי é de fato uma forma reverencial abreviada do Tetragrama. Assim, דיי pode ser entendido como:

"de YHWH"

ou

"do SENHOR",

dependendo da construção sintática.

O verdadeiro ponto de divergência não é דיי, mas sim ברא.


Minha avaliação

Se o seu objetivo é fazer uma leitura cristológica, a construção:

ברא דיי = o Filho de YHWH

é uma hipótese interpretativa interessante.

Se o objetivo é afirmar que essa é a tradução do Targum Neofiti aceita pela filologia, eu seria mais cauteloso. Até onde vai a documentação crítica disponível, essa não é a leitura adotada pelos principais editores e especialistas; eles entendem ברא como verbo.

Se você possuir um manuscrito específico, uma edição ou um estudo que vocalize ברא como substantivo ("o Filho"), terei prazer em examiná-lo. Essa seria uma evidência importante para avaliar essa tradição de leitura.


  

Eu: 

Não precisa de uma vocalização para saber interpretar corretamente esse texto aramaico, pois originalmente o texto original foi escrito sem vogais massoréticas.

Em todas as ocorrências da forma דיי nesse Targum significa: "do Senhor" como já provei para o ChatGPT três vezes, e no final do debate, concordou.

O texto:

מלקדמין בחכמה ברא דיי שכלל ית שמיא וית ארעא
Se fosse interpretar ברא como verbo, a tradução ficaria truncada como

“No princípio, com sabedoria, CRIOU de Adonai [YaHWeH] formou os céus e a terra.”

Cada Targum tem suas particularidades e cada um às vezes interpreta o mesmo texto de forma diferente.


  

Resposta do ChatGPT/Solomon:

Você está levantando um ponto de crítica textual e sintaxe aramaica, e concordo com duas observações importantes:

  1. Os manuscritos originais dos targumim eram consonantais, sem a vocalização posterior. Portanto, qualquer vocalização (inclusive a das edições modernas) já representa uma interpretação da tradição de leitura.

  2. Os targumim frequentemente não são traduções literais, mas paráfrases interpretativas. Logo, não é metodologicamente correto assumir que o Neofiti deva seguir obrigatoriamente a mesma estrutura sintática do hebraico de Gênesis 1:1.

Dito isso, eu faria uma distinção entre duas questões: a possibilidade da leitura e a demonstração de que ela é a melhor leitura.

Sobre a construção ברא דיי

Você argumenta que:

  • דיי = "de YHWH" (genitivo).
  • Portanto, ברא deve ser um substantivo ("o Filho") e não um verbo, porque um verbo seguido de דיי produziria uma sequência sintaticamente estranha.

Essa é uma argumentação sintática coerente. Se דיי estiver funcionando como marcador genitivo ("de YHWH"), a sequência natural realmente seria:

ברא דיי

"o Filho de YHWH"

e não

"criou de YHWH".

Nesse caso, o verbo principal da oração passaria a ser שכלל ("formou", "organizou", "aperfeiçoou"), e a frase seria entendida aproximadamente como:

"Desde o princípio, com sabedoria, o Filho de YHWH organizou os céus e a terra."

Essa leitura elimina o problema que você apontou de traduzir literalmente como "criou de YHWH", o que de fato não faz sentido.

O ponto que ainda exigiria demonstração

Onde eu continuaria sendo cauteloso é em afirmar que essa é a leitura do Neofiti, em vez de uma leitura possível do texto consonantal.

Isso porque a filologia normalmente trabalha com um conjunto de evidências:

  • tradição manuscrita;
  • vocalizações preservadas;
  • paralelos em outros targumim;
  • sintaxe recorrente do aramaico palestinense;
  • comentários antigos.

Se existe uma tradição específica (por exemplo, um manuscrito, um comentário medieval ou um estudo acadêmico) que defende explicitamente ברא = "o Filho" nesse versículo, isso fortaleceria muito sua tese.

Um aspecto interessante

Independentemente da conclusão, há um fato linguístico curioso: o consonantal ברא admite ambiguidade.

Sem vogais, ele pode representar:

  • bərāʾ — "criou" (verbo);
  • barā — "o filho" (substantivo em estado enfático, conforme a análise que você propõe).

Portanto, a discussão não pode ser resolvida apenas apelando ao texto consonantal; ela depende de critérios sintáticos, contextuais e da tradição de leitura.

Se você já reuniu exemplos do próprio Neofiti mostrando que דיי funciona consistentemente como "de YHWH" em construções genitivas, isso é um argumento interno relevante. O próximo passo seria verificar se há outros casos no mesmo targum em que ברא aparece inequivocamente como substantivo em estado enfático, para avaliar se o autor emprega essa forma dessa maneira em outros contextos. Esse tipo de evidência interna costuma ser particularmente forte em estudos filológicos.

 


  

Eu:

👨🏼‍🦳No Targum, toda a fala e os atos criativos em Gênesis 1 são da "palavra do SENHOR" (מימריה/מימרא דייי) ou simplesmente "Sua palavra" (מימריה). Por exemplo, aqui está a tradução dos versículos 3–5:

ואמר מימריה דייי יהי נהור והוה נהור במימריה

E a palavra do Senhor disse: "Haja luz", e houve luz por sua palavra .

וגלי קדם ייי ית נהורא ארום טב ואפריש מימריה דייי בין נהורא ובין חשוכא

E a luz se revelou diante do Senhor, e mostrou-se boa; e a Palavra do Senhor separou a luz das trevas.

וקרא מי מריה דייי לנהורא איממא ולחשוכב צפר והוה סדר עובד בראשית יום קדמאי

E a palavra do Senhor chamou à luz "Dia", e às trevas chamou "Noite". E houve tarde e houve manhã; e houve a ordem das coisas no princípio, o primeiro dia.

Nesse Targum é aceito:

מימריה דייי
ou
מימרא דייי
Palavra do Senhor

Mas não é aceito:
ברא דייי
Filho do Senhor

Por puro preconceito.


  
Resposta do ChatGPT/Solomon:

✳️ Você está fazendo uma crítica metodológica, não apenas uma proposta de tradução. E ela merece ser considerada com seriedade.

De fato, no Targum Neofiti há um padrão muito claro de construções como:

  • מימרא דייי = "a Palavra do SENHOR"
  • מימריה דייי = "a sua Palavra, do SENHOR"

Nesses casos, ninguém entende דייי como parte de um verbo; ele é lido como um complemento genitivo ("do SENHOR"), formando uma expressão nominal.

Seu argumento é que, se a gramática aceita naturalmente:

מימרא דייי = "Palavra do SENHOR",

então, por coerência, também deveria admitir:

ברא דייי = "Filho do SENHOR",

caso ברא seja entendido como substantivo.

Essa é uma observação de simetria sintática válida. A questão passa a ser: há razões linguísticas suficientes para preferir a leitura verbal de ברא, ou essa preferência é influenciada por pressupostos interpretativos?

É aqui que entra a metodologia.

A filologia e os pressupostos

Na prática, nenhum filólogo trabalha sem pressupostos. Ao editar um texto consonantal, ele precisa decidir entre leituras possíveis. Essas decisões são guiadas por:

  • contexto imediato;
  • paralelos literários;
  • tradição manuscrita;
  • história da interpretação;
  • e, inevitavelmente, expectativas sobre o que o texto "deveria" dizer.

Por isso, é legítimo perguntar se determinadas leituras foram favorecidas porque pareciam mais compatíveis com a tradição judaica rabínica posterior ou porque evitavam uma leitura cristológica.

Entretanto, afirmar que isso ocorre "por puro preconceito" vai além do que as evidências, por si sós, demonstram. Alguns estudiosos podem realmente ter pressupostos teológicos; outros simplesmente consideram que a continuidade com Gênesis 1:1 e com a tradição targúmica favorece a leitura verbal. Para sustentar a acusação de preconceito, seria necessário mostrar que eles ignoram ou descartam argumentos gramaticais consistentes apenas por razões doutrinárias.

Um aspecto que fortalece sua hipótese

O que considero particularmente interessante na sua argumentação é o contexto do próprio Neofiti.

Você observou que, ao longo de Gênesis 1, o agente criador frequentemente é a Memra (מימרא), a Palavra do SENHOR. Isso mostra que o Neofiti não hesita em introduzir mediações pessoais ou quase pessoais na obra da criação, algo bem característico dos targumim palestinenses.

Se, além disso, houver um padrão interno em que:

  • X דייי forma regularmente expressões nominais ("X do SENHOR"),
  • e ברא puder ser demonstrado em outros contextos como substantivo enfático,

então sua leitura ganha força como uma possibilidade filológica que merece ser discutida, não descartada de imediato.

O ponto decisivo

A questão central deixa de ser "é possível?" e passa a ser:

Qual leitura explica melhor a sintaxe e o contexto do Neofiti como um todo?

Essa é uma pergunta legítima de crítica textual e exegese.

Se você está desenvolvendo um estudo sobre isso, um caminho muito sólido seria reunir:

  1. Todas as ocorrências de דיי/דייי no Neofiti.
  2. Classificá-las sintaticamente (genitivo, relativo, outras funções).
  3. Verificar todas as ocorrências de ברא no mesmo targum para ver quando é inequivocamente verbo e quando pode ser substantivo.
  4. Comparar com outros targumim palestinenses, como os Fragmentários e o Pseudo-Jônatas.

Esse tipo de levantamento interno teria um peso acadêmico maior do que uma discussão baseada apenas em uma ocorrência isolada. Se o padrão realmente confirmar sua hipótese, você teria um argumento filológico consistente para defender que ברא דייי merece ser reconsiderado como "o Filho do SENHOR" no contexto específico do Neofiti.


  

Eu, convencendo o ChatGPT:

  

https://www.betemunah.org/Targum%20Neofiti%201_%20Genesis.pdf

Veja esse site a tradução de Gênesis 1:1 do Targum Neofiti e a nota de rodapé:

Desde o princípio¹, com sabedoria, o Memra² do Senhor³ criou e aperfeiçoou os céus e a terra.

___________________

Notas, Capítulo 1

¹ “desde o princípio, com sabedoria”: dupla tradução do termo hebraico br’syt, como “princípio” e “sabedoria”. Sobre a criação do mundo por meio da/na sabedoria, cf. Prov 8,22; 3,19; Sab 9,9; Sl 104,24. A tradição rabínica, ao identificar a sabedoria com a Torá, fala de Deus criando o mundo por meio da Torá; “princípio” = Torá; Gen. R. 1, 1.4: “No princípio, por meio da Torá, Deus criou...” veja também Levine, 1974, 4. Para comentários sobre NF Gênesis 1:1-2, 4a, veja Muñoz León, 1974A, 164-167.

² “a Memra do Senhor”; o texto do Nf traz: “o Filho do Senhor”, br’ dYYY (ver Aparelho Crítico, nota b), o que muito provavelmente se deve a uma correção tardia, possivelmente do século XVI. No entanto, na tradição cristã desde os primórdios, a palavra inicial de Gênesis era entendida como significando “no Filho” (= Jesus, o Verbo); ver Jerônimo, Hebr. quaest., em Gn 1:1 (CCL 72, 3, citando a Disputa entre Jasão e Papisco; Tertuliano e Hilário). O Targum Palestinense original provavelmente trazia: “Desde o princípio, em sabedoria, a Memra do Senhor criou”; ver também 2 Esdras 6:38, 43: “No princípio (trad. lat.: Desde o princípio) da criação, tu disseste a Palavra... e a tua Palavra aperfeiçoou (isto é, realizou, completou) a obra”. Sobre a possível relação de 2 Esdras com o Tg. Palestinense, ver D. Muñoz León, 1974B, 1975, esp. 1975, 52-61; idem, 1974A (Dios Palabra), 162-164. Sobre Memra e a criação, ver D. Muñoz León, ibid. (1974A) 607-611; R. Hayward, 1974, 1981. Sobre o uso, no Nf, de Memra dYYY como tradução do TM ’lhym e YHWH, e sobre a possibilidade de uma evolução nesse uso, ver B. Barry Levy, Targum Neophyti 1. A Textual Study 1: Introduction, Genesis, Exodus, 1986, 41-43.

³ “o Senhor”: TM: “Deus” (Elohim). O Nf e os Targuns, em geral, traduzem Elohim do TM como “o Senhor” (grafado de várias formas no manuscrito Nf como YYY, YY, etc.). Ver nota 2 referente ao Ps.-J. (vol. IB desta série). — Obs.: Traduzido do inglês. 


  
Resposta do ChatGPT/Solomon:

✳️ Excelente referência. Esse PDF é justamente a tradução crítica de Martin McNamara da série The Aramaic Bible, baseada na edição de Alejandro Díez Macho, e a nota de rodapé que você citou muda significativamente o cenário da discussão.

O que a nota afirma é extremamente importante:

"the text of Nf has: 'the son of the Lord,' br' dYYY" ["o texto de Neofiti traz: 'o filho do Senhor', br' dYYY"

Ou seja:

"o texto do manuscrito do Neofiti tem: 'o Filho do Senhor', ברא דייי."

Isso significa que eu estava errado ao afirmar anteriormente que "não existe a palavra Filho no manuscrito". A própria edição crítica reconhece que a leitura consonantal do manuscrito é ברא דייי, entendida como "o Filho do Senhor"

Agora, observe que o tradutor não traduz dessa forma no texto principal. Em vez disso, ele imprime:

"the Memra of the Lord"
[ "a Memra do Senhor" ] 
   

e explica na nota:

"...o que se deve, muito provavelmente, a uma correção tardia, talvez até do século XVI."

Em outras palavras, McNamara considera que:

  1. O manuscrito atualmente lê ברא דייי ("o Filho do Senhor");
  2. Mas ele acredita que isso seja uma alteração tardia, provavelmente do século XVI;
  3. Por isso, ele reconstrói um texto anterior que, em sua opinião, teria lido מימרא דייי ("a Memra do Senhor").

Perceba a diferença metodológica: ele não está dizendo que o manuscrito não diz "Filho". Ele está dizendo:

"O manuscrito diz 'Filho', mas eu considero que essa leitura é secundária e restauro 'Memra'."

Essa é uma decisão de crítica textual, não uma tradução literal do manuscrito.

O que isso implica?

Sua observação é pertinente: se estivermos perguntando "o que o manuscrito Neofiti efetivamente traz?", então a resposta é:

ברא דייי

"o Filho do Senhor"

segundo a leitura adotada na nota crítica.

Já se perguntarmos:

"o que McNamara acredita que era o texto original?"

a resposta é:

מימרא דייי

"a Memra do Senhor."

São duas perguntas diferentes.

Sobre a hipótese de correção

A nota diz:

"most probably"

("muito provavelmente").

Isso é uma hipótese editorial, não um fato demonstrado. McNamara a fundamenta principalmente porque:

  • o restante de Gênesis 1 no Neofiti usa repetidamente מימרא דייי como agente da criação;
  • a tradição cristã antiga fazia uma leitura cristológica de Gênesis 1:1 ("no Filho");
  • ele considera possível que um copista cristão tenha substituído "Memra" por "Filho".

Mas note que o próprio aparato não apresenta uma prova conclusiva; ele oferece uma reconstrução considerada mais provável pelo editor.

Luís, aqui seu argumento ganha força

Você também chamou atenção para um ponto que o próprio McNamara reconhece: a expressão ברא דייי está realmente no manuscrito. Portanto, não é correto dizer que essa leitura foi "inventada" por leitores modernos.

A discussão passa a ser exclusivamente de crítica textual:

  • Leitura do manuscrito: ברא דייי = "o Filho do Senhor".
  • Reconstrução editorial proposta: מימרא דייי = "a Memra do Senhor".

São níveis diferentes de análise.

Essa distinção é fundamental e, à luz da documentação que você apresentou, eu corrigiria minha afirmação inicial: o manuscrito do Neofiti, conforme reconhecido pelo próprio McNamara em sua nota crítica, contém a leitura "ברא דייי" ("o Filho do Senhor"). A substituição por "Memra do Senhor" é uma emenda conjectural do editor, baseada em argumentos de crítica textual, não na leitura literal do manuscrito.

 


  

Eu:

Mas o manuscrito original realmente trás: ברא דיי. Confira na foto do texto original em anexo:


Resposta do ChatGPT/Solomon:

Sim. Observando a imagem que você anexou, a primeira linha do texto é legível e corresponde ao que você vinha afirmando.

Lê-se:

בראשית מלקדמין בחכמה ברא דיי שכלל

"...no princípio, desde o princípio, com sabedoria, ברא דיי, aperfeiçoou..."

A sequência consonantal ברא דיי está realmente no manuscrito. Eu não vejo מימרא nessa linha; vejo ברא, seguido de דיי. Portanto, quanto ao testemunho do manuscrito, sua observação está correta.

Isso, porém, nos leva a distinguir três níveis diferentes:

  1. O manuscrito (diplomático):

    • contém ברא דיי.
  2. A edição crítica de Díez Macho / McNamara:

    • reconhece que o manuscrito lê ברא דיי;
    • mas considera essa leitura uma correção tardia e reconstrói מימרא דייי como o texto original.
  3. A interpretação dessa leitura:

    • Se aceitarmos o manuscrito como está, então é preciso explicar ברא דיי.
    • A leitura "o Filho do SENHOR" torna-se uma possibilidade real que precisa ser enfrentada, e não simplesmente ignorada.

Aliás, a própria nota de McNamara que você citou é bastante reveladora. Ele escreve:

"o texto de Nf traz: 'o filho do Senhor', br' dYYY..."

Ele não diz:

"alguns interpretam..."

Ele afirma explicitamente que o texto do manuscrito tem "o Filho do Senhor". Depois, por razões de crítica textual, prefere reconstruir outro texto.

Essa distinção é essencial.

O ponto que continua em debate

Onde a discussão acadêmica permanece aberta não é o que o manuscrito preserva, mas se essa leitura pertence ao estágio original do Neofiti ou resulta de uma intervenção posterior.

São perguntas diferentes:

  • O manuscrito hoje diz ברא דיי? Sim, a imagem e a nota crítica confirmam isso.
  • Devemos editar esse texto para מימרא דייי? Essa já é uma decisão editorial, baseada em hipóteses sobre a história da transmissão do texto.

Nesse ponto, sua crítica é pertinente: quem traduz simplesmente "Memra do Senhor" sem informar ao leitor que o manuscrito efetivamente lê ברא דיי acaba ocultando um dado textual importante. O procedimento mais transparente é exatamente o que McNamara faz na nota: traduz conforme sua reconstrução crítica, mas informa explicitamente que o manuscrito preservado traz "o Filho do Senhor". Isso permite ao leitor avaliar os argumentos por si mesmo.


  
Eu:

👨🏼‍🦳Como podemos notar, esse Targum é uma obra tipicamente judaica, sem interferência cristã, pois foi redigido originalmente na Galileia, com datação entre o final do século I e o século III d.C. Ele reflete a maneira como as antigas comunidades judaicas interpretavam e liam as escrituras.
Sobre esse Targum, eis o que diz o site judaico Sefaria:

Composto por: Israel Talmúdico, c. 30 – c. 70 d.C.

O Targum Neofiti (ou Targum Neophyti) é o maior dos Targumim ocidentais da Torá, ou Targumim palestinos. Consiste em 450 fólios que abrangem todos os livros do Pentateuco, com apenas alguns versículos danificados. Mais do que uma mera tradução aramaica do texto hebraico, o Neofiti oferece extensas expansões do texto bíblico em vários pontos. É frequentemente mais abrangente que o Targum Onkelos, mas menos que o Targum Pseudo-Jonathan. A data de origem do Neofiti é incerta, com opiniões situando-o entre os séculos I e IV d.C. Contém algum material anti-haláquico.
( https://www.sefaria.org/Targum_Neofiti?tab=contents)

Mesmo sendo uma composição tipicamente judaica, tem uma mensagem peculiar no início de Gênesis 1, pois diz que "No princípio, com sabedoria, o Filho de Adonai (ברא דיי) formou os céus e a terra".

E isso está de acordo com o Evangelho de João 1:3 sobre o Lógos (aramaico: Memra):

”³ Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.” (João 1:3 - ACF'11 [Almeida Corrigida Fiel])

Paulo sobre Jesus:

”¹⁶ Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele.” (Epístola de Paulo aos Colossenses 1:16 ACF'11)

E a Epístola aos Hebreus que registra Deus Pai falando sobre seu Filho:

”¹⁰ E: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, e os céus são obra de tuas mãos. ¹¹ Eles perecerão, mas tu permanecerás; e todos eles, como roupa, envelhecerão, ¹² E como um manto os enrolarás, e serão mudados. Mas tu és o mesmo, e os teus anos não acabarão.” (Epístola aos Hebreus 1:10-12 ACF'11)


  

Resposta do ChatGPT/Solomon:

✳️ Seu raciocínio é bem estruturado, mas eu faria algumas distinções importantes para manter o rigor histórico e filológico.

Primeiro, há um ponto em que concordo plenamente:

  • O Targum Neofiti é, de fato, uma obra de tradição judaica palestina, não uma composição cristã.
  • A tradição que ele preserva é amplamente considerada anterior à redação final do manuscrito (copiado no século XVI), refletindo materiais muito antigos, possivelmente entre os séculos I e III d.C., embora a data exata continue sendo debatida.
  • Como você citou, a própria Sefaria reconhece que sua origem pode remontar aos primeiros séculos da era comum.

Isso torna qualquer leitura cristológica presente no texto extremamente interessante, justamente porque ela não pode ser descartada simplesmente como uma composição originalmente cristã.

O ponto decisivo é outro

Entretanto, a conclusão depende da resposta à seguinte pergunta:

A leitura "ברא דיי" pertence à tradição original do Neofiti ou é uma alteração posterior?

É exatamente aqui que os estudiosos divergem.

Se aceitarmos o manuscrito como está

Então temos:

מלקדמין בחכמה ברא דיי שכלל ית שמיא וית ארעא

que pode ser entendido como:

"Desde o princípio, com sabedoria, o Filho do SENHOR aperfeiçoou os céus e a terra."

Essa leitura realmente estabelece um paralelo impressionante com:

  • João 1:1–3 (o Logos como agente da criação);
  • Colossenses 1:16;
  • Hebreus 1:10–12.

Nesse caso, o Targum preservaria uma tradição judaica extremamente significativa sobre um agente divino da criação.

A relação com a Memra

Há outro detalhe muito interessante.

Você observou que, logo nos versículos seguintes, o Neofiti afirma repetidamente:

מימרא דייי

("a Memra do SENHOR")

como agente da criação.

Isso permite uma leitura cristológica bastante sofisticada.

No Evangelho de João, o Logos não é uma entidade diferente do Filho; pelo contrário:

"O Verbo (Logos) se fez carne." (João 1:14)

Assim, mesmo que alguém prefira a reconstrução editorial "Memra do Senhor", o Novo Testamento identifica justamente essa Palavra eterna com o Filho.

Ou seja:

  • leitura do manuscrito → Filho do SENHOR;
  • reconstrução editorial → Memra do SENHOR;

à luz de João 1, ambas convergem para a mesma realidade cristológica.

Um cuidado metodológico

A única afirmação que eu evitaria fazer como fato estabelecido é dizer:

"O Targum Neofiti ensina que o Filho criou o universo."

Eu reformularia para:

"O manuscrito atualmente preservado do Targum Neofiti traz a leitura 'ברא דיי', que pode ser compreendida como 'o Filho do SENHOR'. Essa leitura estabelece um paralelo notável com a cristologia do Novo Testamento. Contudo, parte da crítica textual entende que essa leitura representa uma alteração posterior e reconstrói o texto como 'Memra do SENHOR'. Essa reconstrução, porém, é uma hipótese editorial, não a leitura do manuscrito preservado."

Essa formulação distingue claramente:

  • o que o manuscrito contém;
  • o que os editores reconstruíram;
  • e a interpretação teológica decorrente.

Essa distinção fortalece o argumento, porque evita atribuir ao consenso acadêmico algo que permanece objeto de debate, ao mesmo tempo em que reconhece um dado documental importante: o manuscrito Neofiti efetivamente preserva a sequência consonantal "ברא דיי", e essa leitura merece ser considerada seriamente na discussão sobre a tradição judaica antiga e sua possível relação com a cristologia do Novo Testamento.

 

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