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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Cruz ou estaca de tortura?




CRUZ  ou  ESTACA  DE  TORTURA?



Na "bíblia" particular dos testemunhas de jeova (TTJ), chamada Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas (TNM), não consta a palavra CRUZ, mas sim, a composta ESTACA DE TORTURA.
Tal mudança foi assim efetuada pelas TTJ a fim de que possam defender a tese de que Jesus morreu num poste vertical com as mãos pregadas acima da cabeça, e não de braços abertos na cruz. Isto é mais uma das invencionices destas falsas testemunhas.
Os jeovistas argumentam que os judeus não executavam ninguém numa cruz. É certo que a lei judaica prescrevia a pena capital ou por apedrejamento (Num. 15:35; Jo. 8:4,5), ou por enforcamento (2Sam. 21:9; Deut. 21:22,23), mas, no caso de Jesus Cristo, não foram os judeus os seus executores, pois estavam sob a autoridade romana, e os próprios judeus pediram a Pilatos que o executasse, pois, "a nós não nos é lícito matar ninguém", disseram eles, (Jo. 18:31) para que se cumprissem as palavras de Jesus de que ele seria entregue na mão dos gentios para ser morto. (v. 32; Mat. 20:18,19)

Estas são as atuais ilustrações da Torre de Vigia de
como teria sido a morte de Cristo no madeiro.
Mas a evidência maior está na própria Bíblia Sagrada, e isso nem a Tradução do Novo Mundo consegue negar, pois o Senhor Jesus, ao aparecer ressuscitado pela primeira vez aos seus discípulos e depois destes relatarem tal fato ao incrédulo Tomé, este disse: "Se eu não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, e ali não puser o dedo, e não puser a mão no seu lado, de modo algum acreditarei. (Jo. 20:25)". Note que quando ele fala das mãos de Jesus, fala do sinal dos cravos (TNM: pregos), ou seja, foram usados mais de um prego para as Suas mãos! Se foram usados mais de um prego para que fossem pregadas as mãos do Senhor, logo Ele não foi pregado numa estaca com um só prego nas duas mãos, como atualmente ilustram as falsas testemunhas de jeova em suas obras literárias (vide figura ao lado), mas numa CRUZ, conforme todas as ilustrações e documentos históricos nestes dois milênios. 

Ainda há mais um argumento forte em Mateus 27.37:

“Por cima da sua cabeça puseram escrita a sua acusação: ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEUS.”

 Se o Senhor tivesse sido pregado numa estaca a inscrição estaria “por cima de suas mãos”. Mas como suas mão estavam separadas, a inscrição estava “por cima da sua cabeça”, conforme o texto bíblico.

Assim sendo, o Senhor da vida morreu pregado num madeiro romano, ou seja, numa crux romana, em forma de "T". E isto está de acordo com a etimologia da palavra CRUZ, que em grego é stauroV (STAURÓS), pois sua raiz vem do nome da letra "T" em grego, isto é, "TAU", e ocorre 27 vezes(*1)  no N.T. O verbo CRUCIFICAR, em grego é staurow (STAUROŌ) e ocorre 46 vezes, e seus derivados anastaurow (ANASTAUROŌ = CRUCIFICAR NOVAMENTE), 1 vez (Heb.6:6)  e sunstaurow  (SYNSTAUROŌ = SER CRUCIFICADO COM), 5 vezes.

Neste livro "Milhões que agora vivem

jamais morrerão", editado pela Torre de

Vigia em sua edição brasileira de 1923, de
 autoria de J. F. Rutherford, há a

ilustração da crucificação de Cristo

como era ensinada pelos TJ da época.
Agora, para enganar os incautos, os russelitas (TTJ), em vários de seus livros doutrinários, colocam o testemunho de várias “autoridades” em grego, pertencentes a diversas seitas, para
provar que o staurós em que Cristo morreu era simplesmente um poste único, uma estaca.
Mas, no livro Raciocínio à base das Escrituras, à página 99, sobre o verbete CRUZ, está dito sobre o staurós:

<<No grego clássico, esta palavra significava meramente uma estaca reta, um poste. Mais tarde, veio também a ser usada para uma estaca de execução com peça transversal.>>

Ora, o grego clássico teve força até 300 anos antes de Cristo, tendo sido substituído, após as conquistas de Alexandre Magno, pelo grego koinê (comum, vulgar) e perdurou até cerca de 500 anos d.C.  Logo, quando o livro dos raciocínios russelitas diz que a palavra STAURÓS “mais tarde, veio também a ser usada para uma estaca de execução com peça transversal”, logicamente combina com a CRUZ que conhecemos, pois o “mais tarde” vai dar exatamente no tempo do grego koinê, no qual foram escritos a Septuaginta e o Novo Testamento.
Mas, como as TTJ andam sempre a se contradizerem, teimosamente sustentam a tese da “peça única”. Assim, no Estudo Perspicaz das Escrituras, à pág. 309, 2ª coluna, lançam mais uma “carta da manga”, para tentar enganar os neófitos que não conhecem a língua grega:

Terem Lucas, Pedro e Paulo também usado xý·lon como sinônimo de stau·rós dá evidência adicional de que Jesus foi pregado numa estaca reta, sem barra transversal, pois é isto o que xý·lon significa neste sentido especial (At 5:30; 10:39; 13:29; Gal 3:13; 1Pe 2:24).

Este é mais um argumento ob-reptício (ardiloso) dos jeovistas, pois a palavra grega xulon (KSYLON, XYLON) em si, nada explica a forma do staurós (cruz)(*2). A palavra grega xylon
O livro "Criação" de J. F. Rutherford, 2º presidente da
Torre de Vigia, ilustra pela primeira vez a crucificação
de Cristo em cores na pág. 225, edição brasileira de 1927.
(ksylon) significa simplesmente
MADEIRA ou qualquer objeto feito deste material. (1Co. 3:12;  Ap. 18:12)  Também significa ÁRVORE, como muito bem traduziu a versão NM em Luc. 23:31; Apoc. 2:7; 22:2, 14, 19. Muitas vezes as próprias árvores (principalmente as oliveiras palestinenses) eram aparadas em forma de cruz, ou seja, eram desfolhadas e seus galhos aparados, lembrando o formato de uma cruz, para a execução dos condenados. A própria Tradução Novo Mundo com Referências (1986) nos mostra esta realidade já no AT, à página 66, sobre Gên. 40:19, em nota de rodapé sobre a palavra MADEIRA, pois reza:

Gên 40:19* Ou “lenho”. Lit.: “madeiro”. Gr.: ×lon; lat. crú×ce (de crux).

Logo, ao usarem a palavra xylon em seus escritos, os servos Lucas, Pedro e Paulo nos falam do material com o qual era confeccionado o staurós (cruz) de Cristo: a madeira, e não outro material como o ferro, bronze, pedra, etc.
Os antigos fenícios foram os primeiros a usarem a crucificação como tipo de execução, e a própria letra "TAU" em grego (e que também é a última do alfabeto hebreu) conserva o seu nome fenício, pois estes o usavam como símbolo de morte do deus Tamuz (de onde veio a cruz em forma de "T"
Ilustração do livro "Vida", pág. 230,
de J. F. Rutherford, edição brasileira
 de 1929. Clique na figura para ampliá-la.
). E tanto o "
TAU" grego antigo como o hebraico antigo eram escritos nas formas de X ou T, inspirando estas formas de execução, sendo, posteriormente, o staurós em forma de X chamado de “Cruz de Santo André” (pois, conforme a tradição, este morreu numa cruz com este formato) ou com o formato de T, que passou a ser chamado de “Cruz de Santo Antônio”. A forma de , para execução, era a mais conveniente, pois fazia sobrar uma ponta acima, que poderia conter uma epígrafe com a acusação do condenado, (Luc. 23:38) e parecia com a cruz que conhecemos atualmente, sendo esta chamada de “Cruz Latina”, pois era a forma de execução mais utilizada pelos romanos após o seu contato com os cartaginenses. (Mat. 20:19)
A própria representação das TTJ sobre a morte de Cristo num poste (ou estaca) com as mãos pregadas acima da cabeça, é ilógico, pois o peso do seu corpo facilmente iria rasgar suas mãos por causa dos pregos, e por causa da lei da gravidade, pois nas mãos só haveria ossos na vertical, e a carne facilmente cederia ao peso do corpo, e a cruz tinha a vantagem de que, além dos pregos, haver a possibilidade do condenado ser amarrado, para conservá-lo pendurado, aumentando assim o tempo do seu sofrimento. Mas, se fosse necessário tirar um condenado da cruz, e ele ainda estivesse vivo, os executores quebravam-lhe as perna a golpes, ou com uma barra de ferro, ou de madeira, para apressar-lhe a morte por asfixia e pelo choque da dor. (Jo. 19:31-33) Esta forma de morte era chamada de "crucifragium".

Estranhamente, na tradução com referências das TTJ, no Apêndice 5C, na definição "Estaca de Tortura", é colocada a palavra latina equivalente de STAUROS, ou seja, "CRUX"!  Ora, se o correspondente latino da palavra grega STAUROS é CRUX, logicamente o seu correspondente em português é CRUZ, pois este é um idioma de origem românica (latina).

Clique na foto para ampliá-la

O que muitos desconhecem é que nos primórdios da seita, a cruz era aceita normalmente como uma realidade da execução de Jesus Cristo, pois tanto o seu fundador, Charles Taze Russell (1852-1916), quando o segundo presidente da organização chamado Joseph Franklin Rutherford (1869-1942) faziam referência à crucificação do Senhor, como podemos ver acima, à direita, nas três ilustrações dos primeiros livros de Rutherford, nos anos 20. Somente nos anos 30 Rutherford mudou de ideia e inventou a doutrina da estaca, como podemos ver na ilustração de seu livro "Inimigos" (1937), pág. 108, ao lado.

Vejamos um outro crime cometido pelas TTJ em Revelação - Seu Grandioso Clímax Está Próximo!, no cap. 17, página 101, parág. 8, onde há uma citação do historiador Tácito:

 "Eles [os cristãos] morreram por método de zombaria; alguns foram cobertos de peles de animais selvagens e depois dilacerados por cães, outros foram [pregados em estacas], outros foram queimados quais tochas para iluminar a noite."  (grifo acres.)

 As TTJ, não satisfeitas em corromper citações bíblicas em apoio às suas heresias particulares, corrompem até citações históricas, pois onde acima está escrito: "outros foram [pregados em estaca], Tácito escreveu: "outros foram crucificados"!!
 As palavras do apóstolo Paulo entram em vigor também contra as "testemunhas" de jeová, ao dizer: "Certamente a palavra da CRUZ é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos,  poder de Deus" (1Co. 1:18), pois elas são INIMIGAS DA CRUZ DE CRISTO.  (Fil. 3:18)



*        *        *



        Autor: Luís Antônio Lima dos Remédios (Manaus, Amazonas- Brasil / Março de 1996)





(*1) Mais uma variante em Mar. 10:21.
(*2) Em Gên. 41:13, onde se diz: “o outro foi enforcado (lit.: pendurado), a Vulgata traduz: “este foi suspenso numa cruz” (cruce; de crux). É certo que essa “cruz” não era a crux romana, em forma de “T”, mas uma armação de madeira, própria para enforcamentos, e não um simples “poste” ou “estaca”.





Por: Luís Antônio Lima dos Remédios - o Cacerege
luis-agape@hotmail.com
cacerege@gmail.com
Manaus - Amazonas - Brasil


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13- O Verbo era um deus?

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15- Cruz ou estaca de tortura?

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Obs.: É permitido a copia para republicações, desde que cite o autor e as respectivas fontes principais e intermediárias.

  
Por: Luís Antônio Lima dos Remédios

Luís - ܠܘܝܣ - לואיס - Λουις



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Um comentário:

_ disse...

Muito bom o artigo do irmão só gostaria de fazer uma observação: tanto no formato de estaca quanto no de cruz, a placa com a inscrição "Jesus Rei dos Judeus" ficaria posicionada acima da cabeça do mestre. Outra questão é que para nós cristãos não tem muita importância a maneira de como o redentor foi morto mas, está no fato de ele ter ressuscitado e vencido a morte, vencendo também o diabo e seus demônios para conquistar a vida eterna para todos os que crer e aceitar o sacrifício vicário do Senhor todo poderoso Jesus Cristo de Nazaré. Amém!