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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O Novo Testamento NÃO Foi Escrito em Aramaico e/ou Hebraico



PORQUE O NOVO TESTAMENTO NÃO FOI ESCRITO ORIGINALMENTE EM ARAMAICO E/OU HEBRAICO:

Qual a escrita original do Novo Testamento?

O Novo Testamento (do grego: Ή Καινὴ Διαθήκη [ Hê Kainê Diathekê ]) é o nome dado à coleção de 27 livros que compõe a segunda parte da Bíblia Cristã. Em hebraico é chamado הַבְּרִית הַחֲדָשָׁה ( haBrith haHHadashah ) e em aramaico: ܕ݁ܝܼܲܬ݂ܹܩܹܐ ܚܲܕ݂݈ܬ݂ܵܐ (D'iyatiqi’ HHad,).

Há um crescente número de teólogos, pastores e leigos e um crescente número de judeus messiânicos e nazarenos que têm defendido a tese da primazia semita, ou seja, de que a escrita original do Novo Testamento deve ter sido em hebraico e/ou aramaico. Vídeos e artigos são postados a cada dia na internet provando tais afirmações, mostrando incoerências e erros nos textos gregos, etc. Alguns até mentem dizendo que o Novo Testamento grego é uma tradução dos originais semitas feito pela igreja católica romana.
Também têm aparecido na internet alguns “tradutores” mentindo dizendo que traduziram “a Brit hachadashah (Novo Testamento) diretamente dos originais semitas em hebraico e da Peshitta (Novo Testamento em Siríaco, dialeto do Aramaico, também chamada de Peshitta Aramaica), mas tais traduções não passam de revisão da versão baseada na de João Ferreira de Almeida “Revisada de acordo com os melhores textos em hebraico e grego” que copiaram da rede, onde mudaram palavras e textos de acordo com sua conveniência. Eu copiei um desses NT revisados onde o autor afirmava que “a presente é uma revisão da tradução de João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada” (mas que na verdade é a dita “Revisada”) “corrigida de acordo com os originais semitas.” Atualmente assim está: “Traduzido de acordo com os originais semitas em hebraico e aramaico” (??)
O presente estudo é fruto de recentes debates em comunidades na internet (principalmente no Orkut) onde pesquisei nos originais e traduções da Bíblia a fim de responder a todo aquele que me pedia razão da minha fé ou mesmo me intrometendo em tópicos que falavam sobre o assunto.
 
 
1º) PORQUE O NOVO TESTAMENTO NÃO FOI ESCRITO ORIGINALMENTE EM ARAMAICO:


Os defensores da primazia semita usam como base alguns manuscritos semitas que incluem o Tob Shem e Du Tillet que são versões hebraicas de Mateus, as versões siríacas antigas dos quatro Evangelhos, ou seja, Siríaco Curetoniano e Siríaco Sináitico, a Peshitta (todo Novo Testamento) e a versão Aramaica Crawford do Apocalipse, mas todos estes não passam de traduções que tiveram como base o texto original grego, mesmo que em alguns casos algumas palavras foram readaptadas a um contexto semita, como por exemplo, em Atos 16:1, onde o texto grego diz que Timóteo era filho de uma judia crente, mas de pai grego, a Peshitta diz que Timóteo era "filho de uma judia crente e pai arameu". Mas, visto que tanto a palavra "[homem] grego" quanto a palavra "[homem] arameu" neste contexto significa gentio, ou seja, não judeu, o tradutor da Peshitta preferiu usar a palavra ܐܲܪܡܵܝܵܐ / אַרמָיָא  (armāyā ou armōyō), assim como em outros textos, como por exemplo, At. 16:3; 19:10, 17; 20:21, 28; Rm. 1:16; 2:9, 10; 3:9; 1Co. 1:22, 23, 24; 10:32; 12:3; Gl. 2:3; 3:28; Cl. 3:11, substituindo a palavra [homem] grego. Assim também substitui a palavra ἔθνος (ÉTHINOS = gentil) em 1Co 1:23.
Em Gálatas 2:14, o tradutor da Peshitta usa a palavra arameu com a palavra gentio intercambiavelmente:
 ܘܟ݂ܲܕ݂ ܚܙܝܼܬ݂ ܕ݁ܠܵܐ ܐܵܙܹܠ݈ܝܢ ܬ݁ܪܝܼܨܵܐܝܼܬ݂ ܒ݁ܲܫܪܵܪܹܗ ܕܸ݁ܐܘܲܢܓܸ݁ܠܝܼܘܿܢ ܐܸܡܪܸܬ݂ ܠܟ݂ܹܐܦ݂ܵܐ ܠܥܝܼܢ ܟܼ݁ܠܗܘܿܢ ܐܸܢ ܐܲܢ݈ܬ݁ ܕ݁ܝܼܗܘܿܕ݂ܵܝܵܐ ܐܲܢ݈ܬ݁ ܐܲܪܡܵܐܝܼܬ݂ ܚܵܝܹܐܐܲܢ݈ܬ݁ ܘܠܵܐ ܝܼܗܘܿܕ݂ܵܐܝܼܬ݂ ܐܲܝܟ݁ܲܢܵܐ ܐܵܠܸܨ ܐܲܢ݈ܬ݁ ܠܥܲܡ݈ܡܹܐ ܕ݁ܝܼܗܘܿܕ݂ܵܐܝܼܬ݂ ܢܹܚܘܿܢ ܀

W'ḵaḏ ḥ'zīṯ d'lā ᵓāzily'n t'rīṣāᵓyiṯ bashrāreh deᵓwangellīāwn ᵓemreṯ l'Ḵiᵓpā l'ᶜīn kulhūn ᵓen ᵓant dīhūḏāyā ᵓant ᵓarmāᵓyiṯ ḥāyē ᵓant w'lā yihhūḏāᵓyiṯ ᵓaykannā ᵓāleṣ ᵓant l'ᶜammē dīhūḏāᵓyiṯ niḥḥūn.

E quando eu vi que não estavam andando corretamente, na verdade do evangelho, disse a Kipha à vista de todos: 'Se tu que és um judeu e vives de forma aramaica e não judaica, porque  forças os gentios a viverem de forma judaica? (tradução livre, literal)

Mas podemos ver que a tradução para arameu é artificial, pois em 1ª Coríntios 1:22 o apóstolo Paulo diz que ...tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria, mas a Peshitta também troca a palavra gregos por arameus neste texto. Ora, o povo que mais buscava a sabedoria era o grego e não o arameu que já era um povo inexpressível na época.


O Novo Testamento original não foi escrito em Aramaico ou Siríaco (Peshitta) pelos seguintes motivos:

1º. Palavras do Novo Testamento grego e de uso comum aos cristãos de fala grega foram transliteradas na Peshitta:

  a) ܐܸܘܲܢܓܸ݁ܠܝܼܘܿܢ / אֵוַנגֵּלִיָון (’ewang'eliyāwn = Evangelho) – a Peshitta translitera a palavra grega ευαγγελιον (ΕUANGÉLION) que é formada por um prefixo ( ευ = bom, boa ) + o substantivo (nominativo) αγγελια (ang'elia) = mensagem, anúncio, novas, que por sua vez deriva também de duas palavras gregas: αγω (agô) = guiar, conduzir + αγελη (ag'elê) = manada, bando, companhia.
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Logo, a palavra Euanguélion usada na Peshitta aramaica, é tipicamente grega e não semita. Confira neste site: http://dukhrana.com/lexicon/word.php?adr=2:281&font=Estrangelo+Edessa, onde você pode ver acima, à direita, que a raiz da palavra é de origem grega (greek).
Também confira no 1º capítulo do evangelho de Marcos, onde a Peshitta aramaica nos mostra que é uma tradução do grego e não o contrário (embora nunca tivesse dúvidas sobre isso):

ܡܪܩܘܣ ܐ:ܐ  - ܪܹܫܵܐ ܕܸ݁ܐܘܲܢܓܸ݁ܠܝܼܘܿܢ ܕ݁ܝܼܫܘܿܥ ܡܫܝܼܚܵܐ ܒ݁ܪܹܗ ܕ݁ܲܐܠܵܗܵܐ
מרקוס 1:1 - רִשָׁא דֵּאוַנגֵּלִיָון דּיֵשׁוּע משִׁיחָא בּרֵה דַּאלָהָא
Marqos 1:1 - Rishā’ d'Euang'eliōwn d'Yeshu‘ Mshihhā’ b'reh d'Alōhā’
Marcos 1:1 - O princípio do Evangelho de Yeshua, o Messias, o filho de D-us. 


Outras ocorrências da palavra grega EVANGELHO na Peshitta:
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Romanos 1:1, 9, 16; 2:16; 10:16; 11:28; 15:16, 29; 16:24; 1ª Coríntios 9:18; 15:1; 2ª Coríntios 4:3, 4; 8:18; Gálatas 2:14; Efésios 3:6; 6:15; Filipenses 1:5, 7, 12, 16, 27; 4:3; Colossenses 1:23; 1ª Timóteo 1:11; 2ª Timóteo 1:8, 10; 2:8 e Filemon 1:13.
Mas a palavra aramaica correspondente à grega Euangélion, e a que mais predomina, juntamente com o verbo associando, é: ܣܒ݂ܲܪܬ݂ܵܐ (Sbarthā = notícia, mensagem; Evangelho)
Mateus 4:23; 9:35; 24:14; Marcos 1:14; Atos 20:24; 2ª Coríntios 11:4; Gálatas 1:6: Efésios 6:19 etc.
Em Filipenses 1:27 aparecem as duas: Euangeliaun e Sbartā’.
Um Fato curioso é que nos manuscritos da Peshitta na introdução e finalização dos Evangelhos aparece a palavra grega transliterada para o aramaico: Euang'eliaun, como podemos ver nesta reprodução do final do Evangelho de Lucas e início de João conforme o Manuscrito Siríaco nº 148 (Mingana Collection), pág 123a: http://www.dukhrana.com/peshitta/msviewer.php?ms=6&id=219
Presente também no Codex Khabouris (letras vermelhas): http://www.dukhrana.com/peshitta/msviewer.php?ms=1&id=194 ou, para melhor visualização: http://www.dukhrana.com/peshitta/msviewer.php?ms=2&id=194
Com destaque:
ܐܘܢܓܠܥܘܢ : ܩܕܝܫܐ : ܟܪܘܙܘܬܐ : ܝܘܚܢܢ
Ver também Mss Siriaco 148, pág 160b (Mingana Collection) de João 21:20 - 21:25 a Atos 1:1 - 1:3 (letras vermelhas) com duas ocorrências da palavra Euang'eliaun: http://www.dukhrana.com/peshitta/msviewer.php?ms=6&id=293
A palavra grega ΕΥΑΓΓΕΛΙΣΤΗΣ (EUANG'ELISTĒS= “EVANGELISTA”) foi incorporada ao siríaco e se encontra na Peshitta no título de G’iliana (Apocalipse), possivelmente originado do Peshitto: http://www.dukhrana.com/peshitta/msviewer.php?ms=5&id=603
Vide dicionário e léxico, título ܐܘܢܓܠܣܬܐ (euang'elistā’/euang'elistō’) e também o adjetivo ܐܘܢܓܠܝܐ (euang'elayā’/euang'elayō’= evangélico):


  b) ܦ݁ܲܪܲܩܠܹܛܵܐ / פַּרַקלִטָא (ParaqliTā’ ou ParaqliTō’ = [do grego: παρακλητος {paráklētos} de παρα {pará = estar perto, ao lado} + καλέω {kaléō = ser chamado}]) Paracleto = Advogado, Ajudador, Consolador, Intercessor, Confortador). O tradutor da Peshitta transliterou todas as ocorrências da palavra grega PARAKETOS por PARAQLITO adaptando-a a sua forma de pronúncia. Vide: http://dukhrana.com/lexicon/word.php?adr=2:17268&font=Estrangelo+Edessa
Ocorrências da palavra grega “Paracletos” na Peshitta: João 14:16, 26; 15:26; 16:7; 1 João 2:1.
Ver: http://www.dukhrana.com/lexicon/word.php?adr=2:17268&font=Estrangelo+Edessa. Acima, à direita, o site mostra que a raiz da palavra é de origem grega (greek).

  c) ܟ݁ܪܹܣܛܝܵܢܹܐ / כּרִסטיָנֵא ( krisTyanē ) - A Peshitta registra que em Antioquia (capital da Síria) os discípulos foram pela primeira vez chamados de “cristãos” (Atos 11.26). O mais natural é que fosse usada uma expressão siríaca ܡܫܝܚܝܹܐ (meshikhiē’= plural de ܡܫܝܚܝ̈ܐ = meshikhiō) ao invés da transliteração da palavra grega χριστιανους (KHRISTIANOUS = cristãos).
Eis todas as outras ocorrências da palavra grega χριστιανος (KHRISTIANOS = cristão) em que está transliterada ܟܪܣܛܝܢܐ / כרסטינא na Peshitta, mas no singular ܟ݁ܪܹܣܛܝܵܢܵܐ / כּרִסטיָנָא (krisTyanā [pronúncia oriental] ou krisTyanō [pronúncia ocidental]): Atos 26:28 e 1 Pedro 4:16. http://www.dukhrana.com/lexicon/word.php?adr=2:10675&font=Estrangelo+Edessa. Acima, à direita, o site mostra que a raiz da palavra é de origem grega (greek).


  d) ܕ݁ܝܼܲܬ݂ܹܩܹܐ / דִּיַתִקאִ ( diyatiqi = aliança, pacto; testamento) é mais uma transliteração de uma palavra tipicamente grega usada pela comunidades cristã de fala grega e usada frequentemente pela Peshitta siríaca. Confira: Mateus 26:28; Marcos 14:24; Lucas 1:72; 22:20; Atos 3:25; Romanos 11:27; 1 Coríntios 11:25; 2 Coríntios 3:6, 14; Gálatas 3:15, 17; Hebreus 7:22; 8:6, 8-10; 9:4, 15, 20; 10:16, 29; 12:24; 13:20; Apocalipse 11:19. http://www.dukhrana.com/lexicon/word.php?adr=2:4537&font=Estrangelo+Edessa. Acima, à direita, o site mostra que a raiz da palavra é de origem grega (greek).

  e) A palavra ܐܸܘܟ݂ܲܪܹܣܛܝܼܲܐ / אֵוכַרִסטִיַא (eukarisiyā ou eukarisiyō) na Peshitta é mais uma prova da influência do Novo Testamento grego na comunidade síria, pois o termo eukharistia era de uso comum na comunidade cristã de fala grega, originado do NT grego que influenciou outras comunidades:
E eles foram fiéis na doutrina dos apóstolos, e participando na oração e no partir da eucaristia ( ܐܸܘܟ݂ܲܪܹܣܛܝܼܲܐ = ewkarisiya ).” - Atos 2:42
Embora neste texto em grego não apareça a palavra Eukaristia, mas pão, nota-se o uso comum da palavra grega nas comunidades mesmo de fala síria, influenciadas pelos evangelhos em grego. http://www.dukhrana.com/lexicon/word.php?adr=2:270&font=Estrangelo+Edessa. Acima, à direita, o site mostra que a raiz da palavra é de origem grega (greek).
Mateus 26:27 - E Ele tomou o cálice e, tendo dado graças (ευχαριστησας = EUKHARISTĒSAS [EFKHARISTISAS]), o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos. Também: Marcos 14:23; Lucas 22:19 e 1 Coríntios 11:24.
Mesmo em grego moderno o termo continua sendo usado como nome da Santa Ceia: ευχαριστια (pron.: EFKARISTΙΑ) e como principal palavra para agradecimento: ευχαριστω (pron.: EFKARISTŌ = obrigado, agradeço).

  f) A palavra grega αἱρέσεις  (HERÉSIS = herético, sectário, faccioso) também foi transliterada literalmente na Peshitta como ܗܸܪܸܣܝܼܣ /  הֵרֵסִיס (heresiys = heresia, seita) e aparece uma única vez em 2 Pedro 2.1:  Mas houve também falsos profetas entre o povo, como também os falsos mestres estarão entre você, que vai apresentar as heresias de destruição e negar o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.
http://www.dukhrana.com/lexicon/word.php?adr=2:5384&font=Estrangelo+Edessa. Acima, à direita, o site mostra que a raiz da palavra é de origem grega (greek).

  g) E em Tito 3:10 temos um derivado da palavra grega αἱρετικὸς (HERETICÒS = herético, sectário, faccioso): ܗܸܪܸܣܝܼܲܘܛܵܐ /  הֵרֵסִיַוטָא (heresiyawṭā): Do homem herege, depois de uma e duas vezes admoestá-lo, retira-te.

  h) Nomes latinos com declinação grega são usados na Peshitta aramaica, como por exemplo, Áquila: ܐܲܩܸܠܘܿܣ / אַקֵלָוס (aqelāws). Ora, o nome Áquila é latino, e significa “águia”, mas o idioma grego precisa, na forma masculina, acrescentar o “Σ” (sigma) no final de uma palavra masculina no nominativo, e que, no caso da palavra “Áquila” sem o “S” final seria interpretado como feminina. Mas o nome original latino é “Aquila” e não teria motivos de a Peshitta acrescentar o “S” final da declinação grega, se não fosse tradução da mesma, mesmo adaptando a pronúncia ao siríaco. Ver tradução da vulgata em Atos 18.18:
Paulus vero cum adhuc sustinuisset dies multos fratribus valefaciens navigavit Syriam et cum eo Priscilla et Aquila qui sibi totonderat in Cencris caput habebat enim votum”.

i) Embora o nome de Simão Bar-Jonas (בַּר־יוֹנָה  [BAR YONAH] = filho de Jonas - Mat. 16:17 - ou João - Jo.1:42 - variante grega) tenha sido mudado pelo Senhor Jesus para o nome aramaico: כֵּיפָא   [KEFA’]  = pedra - o NT grego registra esse nome conforme a regra para palavras masculinas que devem terminar em Σ (Sigma), ou seja: Κηφᾶς (Kēfas - Jo. 1:42; 1Co. 1:12; 3:22; 9:5; 15:5; Gl. 1:18; 2:9, 11, 14), o Novo Testamento grego, na maioria das vezes (mais de 150) trás seu nome em grego mesmo, ou seja: Πετρος (Petros) que aportuguesado é Pedro. Como a Peshitta foi escrita em aramaico-siríaco, é normal trazer seu nome em siríaco mesmo, ou seja: כִּאפָא (Kifa’). Mas há três exceções na Peshitta, onde o nome de Pedro aparece com a pronúncia grega mesmo: em Atos 1:13, e na introdução de suas duas epístolas: 1ª Pedro 1:1 e 2ª Pedro 1:1, com a forma: פֵּטרָוס / ܦܸ݁ܛܪܘܿܣ  (Perōws, Peṭrūs). Assim sendo, temos a prova que também as duas epístolas de Pedro foram originalmente escritas em grego, pois todos os leitores da língua original da Peshitta chamam as epístolas de ܐܓܪܬܐ ܕܦܛܪܘܣ ܐ (Egarta d'Peṭrūs A) e ܐܓܪܬܐ ܕܦܛܪܘܣ  ܒ (Egarta d'Peṭrūs B).


A palavra grega EPÍSCOPO (Bispo) na Peshitta
j) A palavra grega para BISPO é επισκοπος (EPISKOPOS) que significa literalmente: "superintendente", "supervisor". Nos textos em que esta palavra grega aparece, geralmente a Peshitta verte por ܩܲܫܝܼܫܵܐ / קַשִׁישָׁא (qashiyshō / qashiyshā) que significa "ancião", "presbítero" (1Tm 3:2; Tt. 1:3), e verte por ܣܵܥܘܿܪܵܐ / סָעֻורָא (sōuwrō / sāuwrā) = "inspetor', "bispo", em 1Pd 2:25, ao se referir ao Mashiahh. Mas curiosamente há um caso em que o tradutor da Peshitta não traduziu a palavra grega επισκοπους (EPISKOPOUS), mas a transliterou por ܐܸܦܹ݁ܣܩܘܿܦܹ݁ܐ / אֵפִּסקָופֵּא (episqōwpē). O texto encontra-se em Atos 20.28:
 
   Cuidai, pois, de vossas almas e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito de Santidade vos constituiu episcopos, para alimentar a Congregação de Deus que ele adquiriu com seu sangue.

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l) Estranhamente a Peshitta translitera a palavra grega νόμος (nomos) em quase todas as suas ocorrências por ܢܵܡܘܿܣ /נָמוּס  (nōmūs / nōmūs) e a enfática ܢܵܡܘܿܣܵܐ / נָמוּסָא (nōmūsō / nāmūsā), no lugar de usar a palavra aramaica אוֹרָיתָא (orāythā) enfática deאוֹרָאָה  (orāāh) que é a palavra exata em aramaico que corresponde à palavra hebraica  תּוֹרָה (Torah/Torá). Essa é mais uma prova de que a Peshitta é uma obra tipicamente cristã de influência grega, pois um judeu, mesmo cristão, jamais colocaria nas Escrituras Sagradas uma palavra grega no lugar de uma palavra tipicamente semita correspondente à nossa palavra Lei
Ocorrências da palavra ܢܵܡܘܿܣ  (Nōmūs): 1Co. 9:21; 2Ped. 2:8; 3:17, e da sua enfática ܢܵܡܘܿܣܵܐ (Nōmūsōna Peshitta: Mt. 5:17, 18; 7:12; 22:35; Lc. 2:22; 5:17; 16:16,17; Jo. 7:19, etc.


Somente em Mattai (Mateus) é usada a expressão semita אוֹרָיתָא (orāythā) por três vezes (11:13;  12:5 e 22:40), mas a expressão grega NOMOS nesse livro é usada por cinco vezes: 5:17 e 18;  7:12;  22:35 e 36.

A palavra grega NOMOS, na Peshitta, está assim distribuída entre absoluto, enfático e com prefixos  (pelo menos foram as ocorrências que achei):

נָמֻוס = 3x
נָמֻוסֵה = 2x
בּנָמֻוסֵה = 3x
נָמֻוסָא = 114 x
בּנָמֻוסָא = 30 x
ונָמֻוסֵא   = 4 x
לנָמֻוסָא = 12 x
Incluindo: 
בּנָמֻוסֵה דַּאלָהָא (na Lei de Deus) = Rom. 7:22
דּנָמֻוסָא דַּאלָהָא֖ (da lei de Deus) = Rom. 7:25
לנָמֻוסָא גֵּיר דַּאלָהָא (à lei de Deus)  = Rom 8:7; etc.
נָמֻוסָא דּ֣מֻושֵׁא֑ (Lei de Moisés) = Lc. 2:22; 24:44; Jo. 7:23; At. 15:5; At. 28:23; 1Co. 9:9;
נָמֻוסָא אַו נבִיֵא (Lei ou Profetas) Mat. 5:17;
נָמֻוסָא וַנבִיֵא (Lei e Profetas) = Mat. 7:12; At. 13:15; 24:14; etc.

Estes são alguns dos casos em que a Peshitta usa expressões gregas originarias do Novo Testamento grego, ou seja, translitera e adapta uma palavra grega a sua forma de escrita e pronúncia.


2º. A Peshitta, a exemplo do texto grego, chama de hebraico às palavras aramaicas. É compreensível os escritores do NT grego chamarem de "hebraico" às palavras aramaicas, por ser o idioma usado pelos judeus da sua época (Yuhhanan [João] 5:2; 19:13; 19:17, 20; 20:16; Guilyana [Apocalipse] 9:11), mas como a Peshitta, a exemplo do grego, chama de "hebraico" às palavras aramaicas nestes textos citados? R= Por ser uma tradução livre do grego.

Confira:

  a) Yuhhanan (João) 5:2 – “Ora, havia ali em 'Urishlem (Jerusalém) um certo lugar de ablução, que era chamado em hebraico ( ܥܸܒ݂ܪܵܐܝܼܬ݂ = ‘ebrayit) Beth-hhesdā’ ( ܒܹ݁ܝܬ݂ܚܸܣܕ݁ܵܐ = Beyt-hhesdā’), e tendo nele cinco pórticos.


  b) João 19:13 – “Mas, quando Pilatos ouviu essa palavra, trouxe Yishō’ para fora e sentou-se no tribunal, no lugar que é chamado o ‘Pavimento de Pedra’ (ܪܨܝܼܦ݂ܬ݁ܵܐ ܕ݁ܟ݂ܹܐܦ݂ܹܐ = R'shīph'tā' d'kiphē'), mas em hebraico é chamado Gaphiphtha. (ܓ݁ܦ݂ܝܼܦ݂ܬ݁ܵܐ = G'phīphtā ou G'phīphtō).
O que o tradutor sírio da Peshitta chama de hebraico é a palavra aramaica גבתא (Gab'thā’) que ele translitera ܓܦܝܦܬܐ (G'phīphthā’) fazendo confusão entre os dialetos Sul e Norte do aramaico palestino, chamando este último de “hebraico”.

  c) Yuhhanan (João) 19:17 – “Depois, levando sua cruz para o lugar que é chamado ‘O Crânio’ (ܩܲܪܩܲܦ݂ܬ݂ܵܐ = Qarqaph'tā ou Qarqaph'tō), mas em hebraico é chamado Gogultha (ܓ݁ܵܓ݂ܘܿܠܬ݁ܵܐ ).
Qarqaph'tā significa “O Crânio” em siríaco, mas o mesmo significado em aramaico é Gogulthā’.

  d) Yuhhanan (João) 20:16 – Yishō’ disse-lhe: “Mariam!” Ela se voltou e falou-lhe em hebraico: “Rabuli” ( ܪܲܒ݁ܘܿܠܝܼ ), que quer dizer: “Mestre” (ܡܲܠܦ݂ܵܢܵܐ = malphonā).
Ora, רַבּוּנִי (Rabbuni) é a palavra aramaica equivalente à hebraica רַבִּי (Rabbi), mas o tradutor da Peshitta a translitera para o seu idioma "Rabulli" ( trocando o NUN pelo LAMAD) mas, por ser uma palavra que não faz o menor sentido em seu idioma siríaco, mas fazia na língua de Yeshua, ele a traduz para o seu idioma: "Malfona" (conforme pronúncia do siríaco ocidental) ou "Malpana" (sir. oriental).

  e) Vejamos Guilyana (Apocalipse) 9:11 como foi traduzido na Peshitta:

E eles tinham um rei sobre si, o anjo do abismo; e seu nome, em hebraico é Abaddu; e em Aramayit, seu nome é Share' (ܫܵܪܹܐ = despedido, solto, tirado, lançado).”
Pelo fato de a palavra siríaca SHARE não fazer o menor sentido no contexto, os principais tradutores da Peshitta para o inglês readaptaram a última parte tendo como base o grego:
John W. Etheridge (1849): but in Javanith his name is Apolon.” (“Javanith” é a forma siríaca adaptada de Yavanith para "grego");
James Murdock (1851): and in Greek, his name is Apollyon.”;
George M. Lamsa (1933): ...but in Greek his name is A-pollyon.”;
Somente a Janet Magiera (2006) preservou a mensagem como está escrita em siríaco: <<...and in Aramaic, his name is "Breaker." >> (Da mesma forma a tradução holandesa de Egbert Nierop e em afrikâner de Pad van Waarheid.

A palavra hebraica אֲבַדּוֹן, ('ǎḇhaddōn) significa; “destruição”, “ruína” ou “lugar de destruição”, e, substantivada: “o destruidor”, tendo afinidades com o copta ABBATON, e tendo o mesmo significado a palavra grega Απολλυων (APOLLIŌN). No Antigo Testamento há somente cinco ocorrências nos livros poéticos: Jó 26:6; 28:22; 31:12; Salmo 88:11 e Prevérbios 15:11.
Agora a pergunta: como a Peshitta, a exemplo do grego, chama de hebraico às palavras aramaicas nestes textos se são palavras aramaicas? Resposta: Por ser uma tradução livre do grego.
É compreensível os escritores do NT grego chamarem de hebraico às palavras aramaicas, por ter sido o idioma usado pelos judeus da época que chamavam o “seu aramaico” de “hebraico” (Yuhhanan [João] 5:2; 19:13; 19:17, 20; 20:16; Guilyana {Apoc.} 9:11), mas é meio estranho a Peshitta também chamar de hebraico às palavras aramaicas nestes textos citados!
Além do mais, se o NT tivesse sido escrito originalmente em hebraico não faria também sentido um texto escrito em hebraico dizer que tais e tais palavras significam tal e tal em hebraico! É o mesmo que dizer em português: Eu sentei no sofá (que em português significa "estofado"). Eu ganhei um automóvel (que em português significa "carro").
Porque explicar uma palavra que não resta dúvidas em português e dizer que é assim que se chama neste idioma?
Então qual a base para a nova tese de que o Novo Testamento foi escrito em aramaico ou mesmo em hebraico?
O principal argumento é que os escritores do NT foram judeus escrevendo para judeus, logo, teriam que escrever no idioma dos mesmos. Embora haja lógica nesta tese, não condiz com a realidade, pelo este motivo principal: as boas novas de Yeshua por ter uma mensagem universal, não poderiam ter sido escritas em aramaico, pois este idioma há séculos deixou de ser uma língua universal sendo suplantada pela língua grega que continuou a ser um idioma internacional falado em todo o império romano que substituiu o império grego, mas não conseguiu suplantar sua cultura e seu idioma. A Peshitta foi escrita em siríaco (um dialeto do aramaico) e o seu tipo de letras não era usado pelos judeus do tempo do Novo Testamento, e muito menos pelos escritores do mesmo e como se pode ver nos argumentos acima.
Ao pesquisar sobre a Peshitta, encontrei no site “Ensinando de Sião”, judaico-messiânico, algo que corrobora o que tenho escrito sobre a Peshitta:
Vide também:
http://biblicvs.carissimus.com/Trb/BibliaLamsa.htm = Muitos eruditos sustentam que as fontes do novo testamento e as tradições orais dos primeiros cristãos estavam em aramaico, entretanto a Peshitta parece ter sido influenciada pela leitura bizantina da tradição grega do manuscrito e está em um dialeto Sírio que é muito mais novo do que aquele que era contemporâneo a Jesus.”
Outros:


3º. Uma outra prova que a Peshitta é uma tradução do original grego é o fato de que muitas vezes ela faz citações do Antigo Testamento conforme o texto grego e não o conforme original semita:
Grego:
Mateus 1:23 - “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco).”
Peshitta:
Mateus 1:23 – “Eis uma virgem conceberá e dará à luz um filho e chamarão seu nome ‘Amanu’il [ܥܲܡܲܢܘܿܐܝܼܠ] (que é interpretado: Nosso Deus Conosco) [ܥܲܡܲܢ ܐܲܠܵܗܲܢ / עַמַן אַלָהַן = aman alāhan]).

  a) A Peshitta, a exemplo do NT grego, usa a palavra que significa A VIRGEM (בּתוּלתָּא = b'tulthā) que corresponde ao hebraico בְּתוּלָה (b'tulāh = virgem) e não conforme está no texto hebraico: עַלְמָה (almāh = moça, donzela) que não deixa de ser um sinônimo da palavra “virgem”.

  b) Dá a mesma sequência de explicação do grego falando do significado de עַמַנוּאיִל ( amanuil ) como uma única palavra. Se a Peshitta fosse o original semita, não precisaria de explicação, pois diferentemente do nome DANIEL (דָּנִיאֵל), EMANUEL em hebraico está separado como se fosse uma frase: עִמָּנוּ אֵל (‘IMMÂNU ’ÊL).

Septuaginta
É ensinamento da Antiochian Orthodox Christian Archdiocese of North America, (de liturgia ortodoxa e sem vínculo com a igreja romana), que Cristo usou a Septuaginta (grega) por causa de suas citações: http://www.antiochian.org/node/24247
Confira:

http://www.antiochian.org/author/morelli/ethos_orthodox_catechesis_5 veja: “The Septuagint (LXX): The Old Testament Version used by Christ.


E até fazem citação da mesma:

O profeta Isaías (7, 13-15 LXX), citado acima, cerca de 700 anos antes do nascimento de Cristo, disse à Tribo Hebréia de Judá que um novo ungido, um novo Messias estava por vir: "E ele disse: Ouvi , pois, ó casa de Davi: Pouco vos é serdes pesados os homens, senão que também serdes pesados ao meu Deus? Por isso o Senhor mesmo vos dará um sinal: uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e seu nome será chamado Emmanuel. ele comerá manteiga e mel, para que ele saiba rejeitar o mal e escolher o bem." Essa mesma passagem é citada pelo Santo Apóstolo e Evangelista Mateus (1:23) ao anunciar o nascimento de Cristo.

Eu pessoalmente não creio que Cristo tenha usado a LXX (ou mesmo feito citação direta da mesma), mas sim, que citou as Escrituras Hebraicas, embora os escritores do NT grego original a tenham utilizado ao registrarem em grego as palavras do Messias.

  c) Não só o texto acima de Mateus, mas praticamente quase todas as citações do Antigo Testamento no Novo Testamento grego provêm da LXX (Septuaginta grega), e a Peshitta na maioria das vezes os segue:

    c1)  1ª CORINTIOS 3.20:


NT Grego: “E outra vez: O Senhor conhece os pensamentos dos sábios, que são vãos.
Septuaginta: “O Senhor conhece os pensamentos dos sábios, que são vãos.
NT Peshitta: “E novamente, O Senhor-Yah conhece os pensamentos dos sábios, que são vãos.
Salmo 94:11 (hebraico): “YHWH conhece os pensamentos do homem, que são vãos.
Mais uma prova que a Peshitta traduziu o texto do grego e não um texto semita, pois se assim o fosse, traria a palavra “homem” conforme o hebraico e não “sábio” conforme o texto grego.

    c2)  1ª CORINTIOS 14.21:

NT grego: “Na lei está escrito: Por outras línguas, e por outros lábios, falarei a este povo, e ainda assim não me ouvirão, diz o Senhor.
Peshitta: “Na lei está escrito, ‘Em um idioma estranho e em outra língua falarei com este povo; ainda assim eles não me ouvirão’, diz o Senhor-Yah.
Isaías 28:11 (hebraico): “Assim por lábios gaguejantes, e por outra língua, falará a este povo.

A Peshitta acrescenta: “diz o Senhor-Yah”, frase que não consta no original semita (VT), mas sim no original helênico (NT).


    c3)  LUCAS 4:18-19 / ISAÍAS 61.1-2a

NT grego: “O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a curar os quebrantados do coração, a apregoar liberdade aos cativos, a dar vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos,
a anunciar o ano aceitável do Senhor.

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Peshitta: “O Espírito do Senhor-Yah está sobre mim, porque Ele me ungiu para pregar aos pobres, e enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar a libertação aos cativos e vista aos cegos, e fortalecer os contritos por remissão
e para proclamar o ano aceitável do Senhor-Yah

Hebraico: “O Espírito do Senhor YHWH está sobre mim, porque YHWH me ungiu para pregar boas-novas aos mansos; enviou-me a restaurar os quebrantados de coração, a proclamar liberdade aos cativos e a abertura de prisão aos presos;
“A apregoar o ano aceitável do YHWH”.
 
E assim podemos constatar mais uma vez que a Peshitta reflete o texto grego do NT, e não o texto semita do Antigo Testamento, pois no texto hebraico de Isaías não consta a palavra a frase "vista aos cegos", que é um acréscimo da Septuaginta grega e refletida no Novo Testamento grego.


4º. A Peshitta Aramaica traduzindo o aramaico-judeu:

a) Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?

O Salmo 22, que está originalmente em hebraico, é um Salmo Messiânico da crucificação, mas analisaremos somente o primeiro verso e seu paralelo com o Novo Testamento:

Hebraico: אֵלִי אֵלִי לָמָה עֲזַבְתָּנִי ( ĒLĪ ĒLĪ LĀMĀH aZABhTĀ )
No Novo Testamento, em Mateus 27.46:
1. Grego: Ηλι ηλι λαμα σαβαχθανι ( ĒLI ĒLI LAMA SABAKhTHANI )
2. Peshitta: אִיל אִיל למָנָא שׁבַקתָּני ( ĪL ĪL LeMĀNĀ SH'BhAQTĀNY ) - Colocamos a frase da Peshitta com o mesmo tipo de letra do texto hebraico, para efeito de comparação.

Marcos 15.34:
1. Grego: Ελωι ελωι λεμα σαβαχθανι ( ELŌI ELŌI LEMA SABAKhTHANI )
2. Peshitta: אַלָהי למָנָא שׁבַקתָּני ( ALŌHY ALŌHY LeMĀNĀ SH'BhAQTĀNY )

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O mais interessante é que há a mesma diferença tanto no texto grego como na Peshitta, pois Mateus mistura hebraico com aramaico ("Deus meu, Deus meu" em hebraico e "porque me desamparaste?" em aramaico) e Marcos faz a citação somente em aramaico puro. A Peshitta, a exemplo do NT grego, repete essa diferença, e mais: dá a mesma explicação do significado da frase aramaica de Marcos.
Como a Peshitta foi escrita no idioma Siríaco que é uma língua do grupo noroeste semita ou aramaico-siríaco, da região centrada na cidade de Edessa (hoje Urfa) no norte da Mesopotâmia, sendo também a língua de um dos primeiros reinos cristãos da história, Osrhoene, logo, longe das imediações da Judeia, há uma grande diferença entre este idioma tanto da fala, quanto no tipo de escrita do aramaico-judaico e do aramaico-galileu.
Assim sendo, o tradutor da Peshitta, a exemplo do NT grego, explica o significado do apelo messiânico com base no Salmo 22:1, somente em Marcos 15:34, parte b, como veremos a seguir o texto em siríaco em duas formas de escrita com transliteração e tradução:
 ܐܝܼܠ ܐܝܼܠ ܠܡܵܢܵܐ ܫܒ݂ܲܩܬ݁ܵܢܝ ܕ݁ܐܝܼܬ݂ܹܝܗ ܐܲܠܵܗܝ ܐܲܠܵܗܝ ܠܡܵܢܵܐ ܫܒ݂ܲܩܬ݁ܵܢܝ ܀
 אִיל אִיל למָנָא שׁבַקתָּני דּאִיתֵיה אַלָהי אַלָהי למָנָא שׁבַקתָּני .
ᵓīl ᵓīl l’mānā sh’ḇaqtāny diᵓyṯēh ᵓălāhy ᵓălāhy l’mānā sh’ḇaqtāny.
Il, Il, lemono shebakthone; que é: Alohi, Alohi (My God, my God), why have you forsaken me?

b) Campo de sangue
 
Este é mais um exemplo de que a Peshitta não foi produzida no primeiro século A.D., pois interpreta (traduz) o nome aramaico do campo em que Judas Iscariotes se enforcou e o seu corpo despedaçou ao cair sobre as pedras. (At. 1:19; Mt. 27:8)
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É normal o Novo Testamento grego traduzir a palavras aramaica חֲקַל־דְּמָא (HaQAL DeMA):
Ἁκελδαμάχ    τοῦτ  ἔστιν   Χωρίον    Αἵματος
AKELDAMAKH TOUT  ESTIN KHŌRION  HEMATOS
Aceldama,      isto     é,     Campo de Sangue

Para a compreensão dos seus leitores, o tradutor da Peshitta precisou traduzir palavras e frases inteiras do aramaico-judaico, a exemplo do Novo Testamento grego.

Poderíamos colocar exaustivamente outras citações do NT grego que faz referência ao original semita (VT), mas que a Peshitta segue o texto grego ao invés do texto hebraico, mas creio que estes textos sejam suficientes para não nos prolongarmos muito.


5º. A Peshitta copia a ordem sintática grega, mas que é estranha às outras formas do aramaico e mesmo do hebraico, como por exemplo, o uso da partícula adversativa grega δὲ () que ocorre um pouco mais de 2840 vezes no NT grego, contudo, nunca começa uma frase, mas está sempre após um substantivo, artigo, verbo, etc., na frase principal. Exemplo:

1) e: ...Ἰσαὰκ δὲ ἐγέννησε τὸν Ἰακώβ... (Mat 1:2b); Ἰούδας δὲ ἐγέννησε τὸν Φαρὲς καὶ τὸν Ζαρὰ ἐκ τῆς Θάμαρ· Φαρὲς δὲ ἐγέννησε τὸν Ἐσρώμ· Ἐσρὼμ δὲ ἐγέννησε τὸν Ἀράμ· (Mat 1:3), etc.;
2) mas:  Ἰωσὴφ δὲ ἀνὴρ αὐτῆς, δίκαιος ὤν... (Mat 1:19a); ἀποκριθεὶς δὲ Ἰησοῦς εἶπε πρὸς αὐτόν (Mat 3:15b); οἱ δὲ Ἰουδαῖοι παρώτρυναν τὰς σεβομένας γυναῖκας...  (At. 13:50); δὲ πνευματικὸς ἀνακρίνει μὲν πάντα (1Co 2:15), etc. ;
3) Simplesmente indicando uma transição, “agora”, “então”, “ora”: ἦν δὲ ἐκεῖ πρὸς τὰ ὄρη ἀγέλη χοίρων μεγάλη βοσκομένη· (Mc. 5:11); ο δὲ ειπεν αυτοις Αλλα νυν ο εχωˉ βαλλαντιον  (Lc.22:36);
4) Indicando uma consequência: “isto é”, “estes”: δικαιοσύνη δὲ Θεοῦ διὰ πίστεως Ἰησοῦ Χριστοῦ  (Rom. 3:22a); παντα δὲ ταυτα τυπικως συνεβαινεˉ (1Co 10:11a); γενόμενος ὑπήκοος μέχρι θανάτου, θανάτου δὲ σταυροῦ (Fil. 2, 8);
5) Após uma negativa “em vez”, “não obstante”, “antes”: ...χαίρετε δὲ μᾶλλον ὅτι τὰ ὀνόματα ὑμῶν ἐγράφη ἐν τοῖς οὐρανοῖς  (Lc 10:20b);  ...ἐδόκει δὲ ὅραμα βλέπειν (At 12: 9b); ἀληθεύοντες δὲ ἐν ἀγάπῃ...  (Ef. 4:15a); ...πάντα δὲ γυμνὰ καὶ τετραχηλισμένα τοῖς ὀφθαλμοῖς αὐτοῦ πρὸς ὃν ἡμῖν λόγος (Heb 4:13b) πεπειρασμένον δὲ κατὰ πάντα καθ᾽ ὁμοιότητα, χωρὶς ἁμαρτίας (Heb 4:15b)
6) Dando ênfase, mas algumas vezes omitida na tradução: καὶ... δὲ, δὲ... καὶ,  ἐὰν... δὲ:e também, “mas ainda”, “mas e”: ἐὰν δὲ παρακούσῃ αὐτῶν, εἰπὲ τῇ ἐκκλησίᾳ (Mat 18:17a); ἐκλήθη δὲ καὶ Ἰησοῦς καὶ οἱ μαθηταὶ αὐτοῦ εἰς τὸν γάμον (Jo. 2:2);  δὲ Παῦλος ἔφη, Ἐγὼ δὲ καὶ γεγέννημαι (Act 22:28); εὑρισκόμεθα δὲ καὶ ψευδομάρτυρες τοῦ Θεοῦ,  (1Co 15:15).

É próprio do aramaico tanto bíblico, como talmúdico, etc. usar a conjunção ו WAW (e, mas, também) prefixada à palavra principal:
Gen. 1:3
וַיֹּ֥אמֶר אֱלֹהִ֖ים יְהִ֣י א֑וֹר וַֽיְהִי־אֽוֹר׃  Hebraico bíblico -
וַאֲמַר יְיָ יְהֵי נְהוֹרָא וַהֲוָה נְהוֹרָא׃ Aramaico targúmico -

O mais interessante é que a Peshitta, de forma inédita num idioma semita, mesmo em aramaico tardio, imitando a partícula grega δὲ () usa a conjunçãoדֵּין  ܕܹ݁ܝܢ (deym, din) cerca de 1830 vezes, também após a palavra principal na construção da frase, mostrando sua dependência do texto grego original, o que os linguistas chamam isso de “decalque”:

1) João 8:11a
 ܗܵܝ ܕܹ݁ܝܢ ܐܸܡܪܲܬ݂ ܘܠܵܐ ܐ݈ܢܵܫ ܡܵܪܝܵܐ ܐܸܡܲܪ ܕܹ݁ܝܢ ܝܼܫܘܿܥ ܐܵܦ݂ܠܵܐ ܐܸܢܵܐ ܡܚܲܝܼܒ݂ ܐ݈ܢܵܐ ܠܸܟ݂ܝ... NT Peshitta
NT grego - ἡ δὲ εἶπεν, Οὐδείς, Κύριε εἶπε δὲ αὐτῇ ὁ Ἰησοῦς, Οὐδὲ ἐγώ σε κατακρίνω...
E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno...
2) Mateus 1:18a
ܝܲܠܕܹ݁ܗ ܕܹ݁ܝܢ ܕ݁ܝܼܫܘܿܥ ܡܫܝܼܚܵܐ ܗܵܟ݂ܲܢܵܐ ܗܘܵܐ ܟ݁ܲܕ݂...
Τοῦ δὲ Ἰησοῦ Χριστοῦ ἡ γέννησις οὕτως...
Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim:...

3) Mateus 1:19a
ܝܲܘܣܸܦ݂ ܕܹ݁ܝܢ ܒ݁ܲܥܠܵܗ ܟܹ݁ܐܢܵܐ ܗ݈ܘܵܐ ܘܠܵܐ ܨܒ݂ܵܐ ܕ݁ܲܢܦ݂ܲܪܣܹܝܗ...
Ἰωσὴφ δὲ ὁ ἀνὴρ αὐτῆς, δίκαιος ὤν, καὶ μὴ θέλων αὐτὴν παραδειγματίσαι …
Mas José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar...

4) Mateus 1:21a
ܬܹ݁ܐܠܲܕ݂ ܕܹ݁ܝܢ ܒ݁ܪܵܐ ܘܬ݂ܸܩܪܹܐ ܫܡܹܗ ܝܼܫܘܿܥ...
τέξεται δὲ υἱόν, καὶ καλέσεις τὸ ὄνομα αὐτοῦ Ἰησοῦν·…
E ela dará à luz um filho, e lhe porás o nome de JESUS...

5) Mateus 1:22a
 ܗܵܕ݂ܹܐ ܕܹ݁ܝܢ ܟܼ݁ܠܵܗ ܕ݁ܲܗܘܵܬ݂ ܕ݁ܢܸܬ݂ܡܲܠܹܐ...
τοῦτο δὲ ὅλον γέγονεν, ἵνα πληρωθῇ...
Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse...


6º. Mais uma prova de decalque da Peshitta como prova de que ela é uma cópia do NT grego é o fato de que nela muitas vezes está contida a ordem das palavras gregas numa frase, o que pode gerar um erro de interpretação do texto. Vamos dar somente um exemplo em Yuhhanan (João) 1.1:

NT grego: Ἐν ἀρχῇ ἦν ὁ λόγος, καὶ ὁ λόγος ἦν πρὸς τὸν Θεόν, καὶ Θεὸς ἦν ὁ λόγος.
En arkhē ēn ho Logos, kai ho Logos ēn pros ton Theon, kai Theos ēn ho Logos.
   
NT Peshitta:
ܒ݁ܪܹܫܝܼܬ݂ ܐܝܼܬ݂ܲܘܗ݈ܝ ܗ݈ܘܵܐ ܡܸܠܬ݂ܵܐ ܘܗܘܿ ܡܸܠܬ݂ܵܐ ܐܝܼܬ݂ܲܘܗ݈ܝ ܗ݈ܘܵܐ ܠܘܵܬ݂ ܐܲܠܵܗܵܐ ܘܲܐܠܵܗܵܐ ܐܝܼܬ݂ܲܘܗ݈ܝ ܗ݈ܘܵܐ ܗܘܿ ܡܸܠܬ݂ܵܐ ܀
בּרִשִׁית אִיתַוהי הוָא מֵלתָא והֻו מֵלתָא אִיתַוהי הוָא לוָת אַלָהָא וַאלָהָא  אִיתַוהי הוָא הֻו מֵלתָא׃
Bərishīṯ ᵓīṯawhy hwā Milṯā. W'hū Milṯā ᵓīṯawhy hwā ləwāṯ ᵓĂlōhā. WᵓĂlōhā ᵓīṯawhy hwā hū Milṯā.
Em princípio era o Verbo (מִלתָא = Miltha’) e ele, o Verbo (Miltha’), estava para com o Deus (Alōha’) e o Deus (Alōha’) era ele o Verbo (Miltha’).
 
Por copiar a ordem das palavras gregas na parte "c" do verso, a Peshitta dá a entender que embora o Milta estivesse com o Aloha, o Aloha era o Milta:

...WᵓĂlōhā ᵓīṯawhy hwā hū Milṯā.
...e o Deus  era  ele mesmo a Palavra

E assim podemos ver que neste texto, na Peshitta, palavra אַלָהָא (Alōha) é enfática (definida) em todas as suas ocorrências. Se a palavra estivesse na forma absoluta seria: אַלָה (Alōh).
A frase kai Theos en ho Logos está literalmente em grego e Deus era a Palavra, mas a ordem da frase na tradução deve ser E a Palavra era Deus pelo fato de o substantivo logos (palavra, verbo) estar com artigo e a theos ser anartra (sem o artigo), sendo um adjetivo de LogosEstranhamente, como já dissemos anteriormente, o tradutor da Peshitta usou a mesma ordem dos substantivos gregos em João 1:1c, mas todos articulados:

O idioma grego usa um conjunto de alternâncias de formas para uma palavra de acordo com a sua função sintática na oração chamado declinação que é a flexão de um substantivo, um pronome, um adjetivo ou um particípio onde o final da palavra é modificado para indicar a sua relação com com o resto da oração. Assim sendo, pela declinação de uma palavra podemos saber se ela é o sujeito principal da oração (nominativo), se indica relação de posse (genitivo), se é objeto direto (acusativo), objeto indireto (dativo) ou se é um vocativo.
Também é importante a posição do artigo em relação à palavra declinada a qual ele define. Como estamos comentando João 1:1, vejamos a parte "c" (final) em grego:

Grego:    καὶ Θεὸς ἦν λόγος (kai Theos en ho logos)

Literalmente está assim: E Deus era o Verbo, ou: E Deus era a Palavra.

Alguns tentam ver nesse texto um artigo indefinido e ao traduzirem literalmente o fazem assim: E um deus era a Palavra", e, na tradução formal: E a Palavra era [um] deus", a exemplo da Tradução do Novo Mundo da Torre que vigia os TJ.
 
Ora, no grego, nem sempre um substantivo anartro (sem o artigo) é indefinido, pois somente é indefinido quando não se sabe quem é o sujeito principal da oração, e esta regra somente pode ser aplicada quando o substantivo anartro VEM DEPOIS DO VERBO, o que não é o caso de João 1:1. Uma palavra (ou sujeito), na oração, só é indefinida quando não se sabe a quem se refere, ou quando há vários outros da mesma espécie, não identificando alguém, e justamente por isso que se diz que é indefinida. Ora, é sabido que muitas vezes o idioma grego dispensa o artigo em nomes próprios, títulos, funções, atributos, etc., e mesmo assim subentende-se que determinada palavra ou frase é definida. Tomemos por exemplo o verso 6 do mesmo capítulo que ninguém traduz: Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João. (ἐγένετο ἄνθρωπος ἀπεσταλμένος παρὰ θεοῦ, ὄνομα αὐτῷ Ἰωάννης), ou o verso 18a: Deus ninguém jamais viu (θεὸν οὐδεὶς ἑώρακε πώποτε·). Nestes dois exemplo o substantivo theos é anartro. Outras ocorrências no Evangelho de João onde a palavra theos é anartra e nem por isso é traduzida como indefinida: 3:2; 5:44; 8:54; 9:16 e 33; 13:3; 17:3 e 19:7.

7º. Explicações desnecessárias para judeus, mas não para os gentios

A pergunta é: por que há explicações sobre palavras e costumes judaicos repetidos na Peshitta a exemplo do texto grego, se a Peshitta tivesse sido escrita por judeus?


a) Marcos 7:1-4

E ali se reuniram com ele os fariseus e os escribas que tinham vindo de Urishlem [Jerusalém], e viram alguns dos seus discípulos comendo pão com as mãos não lavadas, e se queixaram (pois todos os judeus e os fariseus, a menos que cuidadosamente lavem suas mãos não comem, porque eles se apegam à tradição dos anciãos; e quando [vêm] do mercado, a menos que se batizem [ܥܵܡܕ݁ܝܼܢ = āmdiyn], não comem. E muitas outras coisas receberam para observar: o batismo [ܡܲܥܡܘܿܕ݂ܝܵܬ݂ܵܐ = ma‘muwdyātā] de copos, jarros, utensílios de bonze e de camas.).” (Peshitta, tradução livre, literal)
  
Ora, se a Peshitta fosse o original semita não necessitaria de explicações sobre os costumes judaicos, pois os judeus já estavam mais que familiarizados com eles, mas os leitores gentios do texto grego, não.

O mais interessante é que a Peshitta até usa um equivalente do verbo batizar  (ܠܡܸܥܡܲܕ݂ = lǝme‘mad) e do substantivo batismo (ܡܲܥܡܘܿܕ݂ܝܵܬ݂ܵܐ = ma‘muwdyātā) no texto acima onde estes aparecem no texto grego!


b) João 1:19 
Este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para lhe perguntarem: Quem és tu?
Essa é a primeira referência, entre tantas outras, onde o evangelista João usa o termo "os judeus", primeiramente ao se referir aos interlocutores de João Batista, e, em outros casos, ao Senhor Jesus, provando que os seus leitores eram de outra nação gentílica.
Outros exemplos:

1. “E os judeus perseguiam Jesus, porque fazia estas coisas no sábado.” (Jo. 5:16)

2. “Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu.” (Jo. 6:41)
 
3. “Então, diziam os judeus: Terá ele, acaso, a intenção de suicidar-se? Porque diz: Para onde eu vou vós não podeis ir.” (Jo. 8:22)

4. “Responderam-lhe os judeus: Temos uma lei, e, de conformidade com a lei, ele deve morrer, porque a si mesmo se fez Filho de Deus.” (Jo. 19:7), etc.

Ora, se eu tivesse escrevendo a brasileiros vários acontecimentos em nosso país, falando sobre o que me fizeram ou me disseram, eu não iria ficar dizendo: "Em tão me disse um brasileiro", "os brasileiros fizeram tal e tal coisa", a não ser que tivesse pessoas de outra nacionalidade envolvida no assunto. O mesmo se dá com as narrativas do N.T. pois se tivesse sido escrito primeiramente ou somente para os judeus, não necessitaria ficar repetindo a palavra "judeu" a cada narrativa onde estes aparecem. Por acaso o Senhor Jesus também não era judeu?

c) João 4:9
Então, lhe disse a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana (porque os judeus não se dão com os samaritanos)?
Não somente o texto grego, mas também a Peshitta fornece a mesma explicação sobre a rixa entre judeus e samaritanos. Ora, se esse evangelho tivesse sido escrito primeiramente para os judeus, não necessitaria da explicação de que os samaritanos não se davam com os judeus, pois todo judeu da época sabia disso, mas não os leitores gentios.
  
8º. A Peshitta reflete o grupo dos chamados "textos bizantinos"
  
A Peshitta é uma dos maiores testemunhas do Texto Majoritário (que muitos consideram recentes), onde a Crítica Textual enquadra seus textos base no grupo dos textos bizantinos. 


Textos que a tal Crítica Textual considera acréscimos posteriores ao IV século são confirmados na Peshitta:
 
a) Mateus 6:13
ܡܸܛܼܠ ܕ݁ܕ݂ܝܼܠܵܟ݂ ܗ݈ܝ ܡܲܠܟ݁ܘܿܬ݂ܵܐ ܘܚܲܝܠܵܐ ܘܬ݂ܸܫܒ݁ܘܿܚܬ݁ܵܐ ܠܥܵܠܲܡ ܥܵܠܡܝܼܢ ܀
מֵטֻל דּדִילָך ה֗י מַלכֻּותָא֖ וחַילָא֖ ותֵשׁבֻּוחתָּא֑ לעָלַם עָלמִין:
meṭṭul dəḏīlāḵh hy malkūṯā wəḥaylā wəṯeshbūḥtā ləᶜālam ᶜālmīn .
...porque  teu é o reino, o poder e a glória para sempre.

b) Marcos 9:44 e 46
ܐܲܝܟ݁ܵܐ ܕ݁ܬ݂ܲܘܠܲܥܗܘܿܢ ܠܵܐ ܡܵܝܬ݁ܵܐ ܘܢܘܿܪܗܘܿܢ ܠܵܐ ܕ݁ܵܥܟ݁ܵܐ ܀
אַיכָּא דּתַולַעהֻו֖ן לָא מָיתָּא֖ ונֻורהֻו֖ן לָא דָּעכָּא:
ᵓaykā dəṯawlaᶜhūn lā māytā wənūrhūn lā dāᶜkā
onde o verme deles não morre, e o seu fogo deles não apaga.
Etc.

c) A Peshitta confirma o final longo de Marcos 16:9-20, presente nos códices Alexandrinus e Washingtonianus, mas ausente nos códices Sináiticus e Vaticanus.

d) A Peshitta confirma a passagem da mulher pega em adultério (João 7:53-8:11), texto ausente nos códices gregos Sinaiticus, Alexandrinus, Vaticanus, Washingtonianus e no Siríaco Curetoniano e Siríaco Sináitico, mas presente no códice grego de Bezae.
  
Não desconsidero a versão “Peshitta”(*1), pois ela tem o seu valor na manuscritologia do Novo Testamento no que se refere à crítica textual, e é também uma das mais antigas traduções do mesmo. Amo a sua leitura, mas não a idolatro nem me engano dando-lhe um valor maior do que já tem.


Eu creio na origem semita do NT da seguinte forma: Os escritores e o ambiente vivido por eles eram semitas, mas os seus destinatários, não, pois, por ser a mensagem do Euang'elion universal, teria que ser escrita num idioma universal da época, ou seja, o grego, pois, após as conquistas de Alexandre Magno que implantou a cultura grega no mundo conhecido e depois a dos  romanos, o aramaico caiu em desuso como idioma universal, sendo substituído pelo grego, como é aceito universalmente). Logo, era natural os escritores citarem locais e expressões em hebraico ou aramaico, inclusive explicando o significado dos mesmos para aqueles que não entendiam o contexto e tradições judaicos. Muitos escritores amazonenses (e até de outros Estados brasileiros) que escreveram sobre os indígenas e seus costumes usaram expressões dos mesmos e até explicaram o significados de suas palavras e costumes, pois seus escritos não foram destinados especialmente aos índios, mas aos que lhes eram “estrangeiros”.

Quanto à Peshitta, o caso é diferente, pois se ela tivesse sido a escrita original do NT e tendo expressões semíticas próprias, não tinha porque usar palavras gregas que somente se tornaram conhecidas por causa do Novo Testamento grego usado pelas comunidades cristãs de fala grega, fato que demonstra a ulterioridade da Peshitta em relação aos textos gregos.
 
Além do mais, há outras traduções siríacas distintas da Peshitta, como por exemplo, o Síríaco Sinaitico (ou Sinaitico Palimpsesto) composto por 358 folhas que datam do final do século IV e preservado no mosteiro de Santa Catarina no monte Sinai contendo uma tradução dos Evangelhos;  o Síríaco Curetoniano também contem os quatro evangelhos com tradução independente da sináitica, mas também difere consideravelmente dos textos gregos canônicos. Há também a tradução feita pelo bispo Policarpo em 508 sob a supervisão de Filoxenus, bispo de Mabug, e por isso é chamada de Peshitta Filoxeniana.
Ora se a Peshitta tivesse sido o original do Novo Testamento, não haveria motivos para diversas traduções para o siríaco em tão pouco espaço de tempo, mas seria venerada e copiada aos milhares.
 
Há algo também um fator importante a considerar: a linguagem aramaica-siríaca usada na Peshitta não reflete o aramaico usado na Judeia e suas imediações, no primeiro século A.D., presente em algumas passagens do Novo Testamento grego, nem seus tipo de letra jamais foi usado pela comunidade judaica que usava a forma de letras quadrada ashurith e não as formas estranguela, serto ou nestoriana usadas nas edições da Peshitta.

Na próxima postagem abordaremos melhor o argumento do porque o Novo Testamento não ter sido escrito em hebraico e nem destinado ou pelo menos seus destinatários principais terem sido os judeus.


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2º) PORQUE O NOVO TESTAMENTO NÃO FOI ESCRITO ORIGINALMENTE EM HEBRAICO:

Há, atualmente, um chamado Movimento Raízes Hebraicas, movimento judaizante que se infiltrou através da cultura e religião judaica onde promove um Novo Testamento Semita baseado em supostos manuscritos hebraico e aramaico. Como já foi dito anteriormente, têm aparecido na internet alguns “tradutores” mentindo dizendo que traduziram “a Brith haChadashah (Novo Testamento) diretamente dos originais semitas em hebraico e aramaico (Peshitta)”, sendo o grego uma mera tradução dos originais semitas, mas maciças evidências atestam que tais traduções não passam de revisões livres de traduções já existentes. Nunca foram encontrados manuscritos ou porções de manuscritos semíticos que contenham evidências de terem sido cópias de um original semita.
Todos os defensores de um suporto Novo Testamento original semita promovem a idéia que se o Novo Testamento foi escrito por judeus, logicamente escreveram na língua e escrita judaica para judeus, tendo a sua mensagem um papel secundário para os  goy (gentios).
A teoria dos originais em hebraico nos relatos dos Evangelhos foi proposta em um livro intitulado The Difficult Words of Jesus (As Palavras Difíceis de Jesus) de autoria de David Bivin e Roy  Blizzard, que lançam dúvidas sobre a inspiração original dos evangelhos em grego:

Porque as palavras de Jesus que encontramos nos Evangelhos Sinópticos são tão difícil de entender? A resposta é que o evangelho original que serviu de base para os Evangelhos Sinópticos foi comunicado não em Grego, mas na língua Hebraica. Apesar isso, todas as traduções modernas são baseadas em cima de um texto Grego, derivado de um texto Grego mais antigo ainda, que é em si uma tradução original da Vida Hebraica de Jesus. Isto significa que estamos lendo uma tradução em Inglês de um texto que tem como base uma tradução. Uma vez que os Evangelhos Sinópticos são derivados a partir de um texto original Hebraico, estamos constantemente esbarrando em expressões Hebraicas ou expressões que muitas vezes estão sem sentido em Grego, ou em traduções do Grego.
Nossas razões para escrever este livro não são apenas para mostrar que o evangelho original foi comunicada na língua Hebraica, mas para mostrar que todo o Novo Testamento só pode ser compreendido a partir de uma perspectiva Hebraica.(*2)

É certo que há muito hebraísmo no Novo Testamento, especialmente nos Evangelhos, mas isso não é prova para se concluir que este foi escrito em hebraico. O Novo Testamento simplesmente descreve expressões e conceitos judaicos da época do Messias.

Já demonstramos anteriormente que o Novo Testamento não foi originalmente escrito em aramaico e que nem o texto siríaco da Peshitta seja o autógrafo original da Nova Aliança, pois há evidências mais do que suficiente que a Peshitta/Peshittto não passa de mais uma tradução do Novo Testamento grego. Mas muitos dos nossos amigos e irmãos judeus messiânicos ainda teimam em afirmar que o Novo Testamento tenha uma origem semita, se não com a Peshitta, mas em hebraico mesmo, texto esse ainda perdido.
Será que Deus, o Autor das Escrituras Sagradas não teve capacidade de preservar  cópias dos originais semitas do Novo Testamento, ou ainda está guardando para um “momento oportuno” para revelá-las? Se isso for verdade, e os milhões que foram enganados com a idéia de um NT grego original?
Ora, esse original semita não passa de conjetura. Não passa de mais uma suposição sem fundamento linguístico ou histórico. Nada mais que isso.
Outra prova é nenhum escritor judeu, grego ou latino da antiguidade fala dessa tal fonte original semita do NT, a exceção de Mateus, embora haja dúvidas. (http://www.cacp.org.br/o-novo-testamento-originalmente-foi-escrito-em-hebraico/). Link acrescido em substituição ao que sair do ar.

Muitos conjecturam que o original semita teria sido escrito para judeus convertidos ao Mashiahh, e logicamente deveria ter sido escrito numa língua semita, seja hebraico ou aramaico. Ora, se foi escrito em hebraico/aramaico para os judeus convertidos, porque Paulo ao escrever para as congregações fala dos judeus na terceira pessoa? E por que os Evangelhos explicam costumes judaicos que estavam claros para os judeus, mas não para os gentios? E porque Guilyana foi escrito às 7 igrejas da Ásia de nomes gregos (Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia)?
Até os discípulos que foram dispersos chegaram a uma cidade aramea e pregaram aos gregos (Atos 11:20).

Alguns deles, porém, que eram de Chipre e de Cirene e que foram até Antioquia, falavam também aos gregos, anunciando-lhes o evangelho do Senhor Jesus. (Atos 11:20).


Provas internas no Novo Testamento que este não foi escrito diretamente aos judeus de sua época:


a) Epístolas com destinatários certos: as igrejas gentílicas

1. A Epístola de Paulo aos Romanos

a) Na sua apresentação não resta dúvidas que a carta foi dirigida aos gentios:

Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus... "por intermédio de quem viemos a receber graça e apostolado por amor do seu nome, para a obediência por fé, entre todos os gentios, de cujo número sois também vós, chamados para serdes de Jesus Cristo. Porque não quero, irmãos, que ignoreis que, muitas vezes, me propus ir ter convosco (no que tenho sido, até agora, impedido), para conseguir igualmente entre vós algum fruto, como também entre os outros gentios. (Romanos 1:1, 5, 6, 13) Outros: 10:1,2, etc.

b). A carta de Paulo aos romanos não foi escrita aos judeus ou semitas que viviam em Roma, pois Paulo fala dos judeus na terceira pessoa, logo não foi dirigida a estes:

São israelitas. Pertence-lhes a adoção e também a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas; deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre. Amém! (Romanos 9:4,5)

Irmãos, a boa vontade do meu coração e a minha súplica a Deus a favor deles são para que sejam salvos. Porque lhes dou testemunho de que eles têm zelo por Deus, porém não com entendimento. Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus.”  (Rom 10:1-3)

Ver também 11:11-12

c) Ainda Paulo aos romanos gentios:

Dirijo-me a vós outros, que sois gentios! Visto, pois, que eu sou apóstolo dos gentios, glorifico o meu ministério, “para ver se, de algum modo, posso incitar à emulação os do meu povo e salvar alguns deles.” (11:13, 14ss) E a seguir faz a famosa analogia das oliveiras brava e natural, mas sempre falando dos gentios na 2ª pessoa e dos judeus na 3ª pessoa (versos seguintes).

Saudai Priscila e Áquila  meus cooperadores em Cristo Jesus, os quais pela minha vida arriscaram a sua própria cabeça; e isto lhes agradeço, não somente eu, mas também todas as igrejas dos gentios” (16:3, 4). Se Paulo sempre fala da "igreja dos gentios", e nunca "igreja judaica", por que então lhes escreveria em hebraico ou aramaico se eles entendiam perfeitamente o grego por ser uma língua internacional da época?

Embora a Epístola seja escrita à Igreja que está em Roma, em sua maioria constituída por gentios, não resta a menor dúvida que nesta igreja havia judeus convertidos a Cristo, fato pelo qual Paulo também se dirigiu a estes:
Se, porém, tu, que tens por sobrenome judeu, e repousas na lei, e te glorias em Deus;
que conheces a sua vontade e aprovas as coisas excelentes, sendo instruído na lei;...” (Rom 2:17-18ss), etc..

2. A 2ª Epístola de Paulo aos Coríntios:

Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo, à igreja de Deus que está em Corinto e a todos os santos em toda a Acaia [Grécia] (1:1)


3. Epístola de Paulo aos Gálatas:

Outrora, porém, não conhecendo a Deus, servíeis a deuses que, por natureza, não o são (4:8).

É certo que a carta, embora destinada aos irmãos gálatas que outrora foram idólatras, tem coisas escritas aos judeus e aos judaizantes que queriam misturar o evangelho com os ritos judaicos. Mas não foi escrita diretamente aos judeus da Galácia, pelo fato de o apóstolo Paulo dizer que estes “serviam a deuses que, por natureza, não o são”, logo, dirigia-se aos gentios e não aos judeus.

4. Epístola de Paulo aos Efésios:

Portanto, lembrai-vos de que, outrora, vós, gentios na carne, chamados incircuncisão por aqueles que se intitulam circuncisos, na carne, por mãos humanas (2:11)
Por esta causa eu, Paulo, sou o prisioneiro de Cristo Jesus, por amor de vós, gentios”  (3:1).



b) Explicações desnecessárias de costumes judaicos para judeus, mas não para os gentio:

Já discorremos sobre esse assunto no final da primeira parte de nosso estudo sobre o porquê das explicações sobre palavras e costumes judaicos:

Marcos 7:1-4

Ora, reuniram-se a Jesus os fariseus e alguns escribas, vindos de Jerusalém.
E, vendo que alguns dos discípulos dele comiam pão com as mãos impuras, isto é, por lavar
(pois os fariseus e todos os judeus, observando a tradição dos anciãos, não comem sem lavar cuidadosamente as mãos;
quando voltam da praça, não comem sem se aspergirem (Gr.: batizarem); e há muitas outras coisas que receberam para observar, como a lavagem (Gr.: batismo) de copos, jarros e vasos de metal e camas).

Ora, se o Novo Testamento tivesse sido escrito originalmente para os judeus, não necessitaria de explicações sobre os costumes judaicos, pois os judeus já estavam mais que familiarizados com eles, mas não os leitores gentios do texto grego. E essas explicações aparecem em todas os manuscritos semitas antigos e em traduções para o hebraico.

Poderíamos ir de carta em carta mostrando que seus destinatários não eram judeus, mas gentios de cultura grega (embora sem dúvida havia irmãos judeus entre eles), mas creio que o que postei acima é suficiente para os que creem,  mas sempre será insuficiente para os que não creem.

Há também vários outros textos, mas vamos ficar por aqui.


Conclusão

Não creio num original semita, pois quando se disse isto pela primeira vez, pensava-se na pena de um judeu escrevendo para judeus na língua dos judeus e que a Peshitta era uma representante fiel desse tal original, e alguns defendem que ela é o tal original.
Eu creio na preservação original, sim, pois onde houve acréscimos e mudanças nos manuscritos gregos e hebraicos, o Senhor da História preservou manuscritos mais antigos que fora achados posteriormente (principalmente nos dois últimos séculos passados) e usados para mostrar e/ou corrigir os textos tidos como representantes dos originais, mas que sofreram pequenos acréscimos e/ou mudanças algumas vezes significativas como é o caso de Devarim (Deuteronômio) 32:43 onde o NT grego, em Hebreus 1:6 faz uma pequena citação conforme aquele texto da LXX tida por muitos estudiosos como um acréscimo, mas que em 1948 foi confirmada sua autenticidade (e antiguidade) num dos rolos do Mar Morto (4QDeut.q.).




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Fontes de pesquisa:
 
1- Bíblia Online Módulo Avançado V, versão 3.0;

2- BibleWorks for Windows (Version 8.0.013z.1);

3- Site http://www.dukhrana.com/peshitta/index.php (Peshitta NT com diversas ferramentas para análise e tipo de escrita);

4- Novo Testamento em hebraico traduzido por Isaac Zalkinsan e C. David Ginsburg (Novo Testamento Hebraico-Português – Sociedade para Distribuição das Sagradas Escrituas aos Judeus);

5- Novo Testamento (em hebraico) por Frafasar Franz Dalits ז"ל;

6- Kiraz, George Anton. Comparative Edition of the Syriac Gospels: Aligning the Sinaiticus, Curetonianus, Peshitta and Harklean Versions. Vol. 1: Matthew; vol. 2: Mark; vol.3: Luke; vol. 4: John. (Leiden: Brill), 1996.




Por: Luís Antonio Lima dos Remédios
 
  
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(*1) A PESHITTA (palavra derivada do siríaco ܡܦܩܬܐ ܦܫܝܛܬܐ [mappaqtā’ pshîṭtā’], que significa “a versão vulgar” ou “a versão simples”, também transliterada Peshitta, Peshittâ, Pshitta, Pšittâ, Peshitto Pshitto, Fshitto ou nestas formas com um só "T") é a principal tradução da Bíblia para o idioma siríaco (ܠܫܢܐ ܣܘܪܝܝܐ - L'shana Suryaya). O Novo Testamento é mais conhecido “Peshitta” ou “Peshitta Aramaica” e o Antigo Testamento é mais conhecido como “Tanakh Peshitta” por ser uma tradução independente feita diretamente do hebraico e aramaico originais muito similar ao texto massorético, mas algumas palavras de difícil interpretação parecem terem sido traduzidas com base no Targum Aramaico. Estes dois trabalhos fazem parte do cânon das igrejas ortodoxas de língua síria e assíria.

(*2) The Difficult Words of Jesus por David Bivin e Roy Blizzard, 1984, reimpressa em 1994 e 1995, págs. 19 e 20 (págs. 2 e 3 na edição de 1994).


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Outros estudos já postados:


1- O espiritismo segundo [alguns] “evangélicos”

2- Adultério do Coração

3- Santa Ceia: vinho ou suco de uva?

4- O Dia do Senhor: Sábado ou Domingo?

5- O Que a Bíblia Diz Sobre a Idolatria

6- Deuterocanônicos ou Apócrifos?

7- A divisão das horas do dia nos tempos bíblicos

8- O Inferno

9- Deus e deuses

10- 30 Razões Porque Não Guardo o Sábado

11- O Nome JESUS



12- O Verbo era um deus?




13- A Divindade de Cristo negada entre colchetes





14- Cruz ou estaca de tortura?




15- YHWH – Um Nome que será esquecido para sempre



  


16- Alma, corpo e espírito


http://cacerege.blogspot.com.br/2014/10/alma-corpo-e-espirito.html


 


17- A Peshitta confirma o Novo Testamento grego – 01- CAMELO ou CORDA?


http://cacerege.blogspot.com/2015/03/camelo-peshitta-confirma-o-nt-grego.html


 


18- A Peshitta confirma o Novo Testamento grego – 02- LEPROSO ou FAZEDOR DE JARROS?




19- PARAÍSO: HOJE  ou  UM DIA?  (Lucas 23:43)








Obs.: É permitido a copia para republicações, desde que cite o autor e as respectivas fontes principais e intermediárias.



Luís - ܠܘܝܣ - לואיס - Λουις



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8 comentários:

Wander disse...

Professor,amei este estudo,muito eficaz!

Graça e paz família!

Hjálmur disse...

Luís καλό δάσκαλο, το οποίο είναι πραγματικά ένα ωραίο άρθρο για την προέλευση της Καινής Διαθήκης. Αλλά χρειάζεται ένα ερώτημα: ποιο είναι το πρόβλημα με την έκδοση "Revisada" της Αγίας Γραφής;

Luís Antônio - Cacerege disse...

Κανένα πρόβλημα. Χρειαζόμαστε καλές κριτικές.
Ή θα μιλάμε για την αναθεώρηση ("Revisada") του Αλμειδα;
Χάρη και ειρήνη.

José Carlos disse...

Esse estudo foi muito bem feito! Meus parabéns!

PERGUNTA 01: Qual é a diferença entre PESHITTA Oriental e PESHITTA Ocidental e QUEM as usa?
PERGUNTA 02: Quais são os PRINCIPAIS manuscritos do Novo Testamento da PESHITTA ORIENTAL? (Cite o código/nome, datação e conteúdo)
PERGUNTA 03: Quais são os PRINCIPAIS manuscritos do Novo Testamento da PESHITTA OCIDENTAL? (Cite o código/nome, datação e conteúdo)

Andrea Aquino disse...

Meu nobre, vc parecer ser linguista, pelas explicações aparentemente.
Essa fonologia entre os termos, não invalida a possibilidade dos escritos numa lingua étnica, ainda que nem todos os livros fossem escritos, mas a questão é polissemia. Vc apresentou questões de semelhança fonológica, e isso é comum num tronco etimológico.

God, Ingles-Got Alemão, Iesus Grego, Iesu-latim, Jesus, Portugues. Se vc quiser ir pra o troco linguistico de qualquer civilização, posso te prova, fonologia, não tem nada haver com polissemia. O que é muito evidente num texto onde homens judeus , não helenistas, escreveram suas mensagens num idioma nativo..Lucas era de onde..sem contar os erros entre a Septuaginta III-I Sec A.c a IV e V...ANALISE OS PAPIROS E OS CÓDICES, ELES MESMO SE CONTRADIZEM, SERÁ QUE NÃO CONHECIAM O GREGO...E OS TERMOS QUE FORAM INSERIDOS PELOS COPISTAS QUE NUNCA SER QUER FORAM MENCIONADOS NA LXX.

Não vivo fusando blog, só entro pra ver essas contradições!

DIVUGRAF disse...

Muito bom, está me ajudando muito a entender melhor sobre inerrância bíblica e primazia semita. Obrigado....

AMIRV Brasil disse...

Meu chaver, a sua tese ainda que seja interessante, é preciso tomar cuidado, já que, segundo o que eu entendi em suas explicações, sua afirmativa está quase que nos tratando a nós judeus, como que se falássemos e ESCREVÊSSEMOS o GREGO no período a qual estávamos sob o domínio de ROMA na época. O que NÃO É VERDADE!

Por: Sha'ul Youssef

DIVUGRAF disse...

Eu não entendi desta forma. O que vi, foram fatos que mostram que o que está preservado está em grego. É óbvio que deveria ser em hebraico, porém não é o que temos disponível. O movimento judaizante não sobrevive há uma bíblia com base no grego, por isso, precisa acessar recursos extras para criar fundamento.